sexta-feira, 21 de junho de 2013

As Igrejas na Europa Viram clubes, Museus e Cafés...isso é ruim mesmo???





            Há muitos anos isso tem aparecido na mídia especializada ou não. São noticias horripilantes para o brasileiro médio, de que igrejas na Europa têm sido transformadas em espaço com outras finalidades, dentre elas, bares, museus, templos de outras religiões e mesmo boates, se citarmos aquelas que simplesmente encontram-se fechadas.
            Qual o problema? Bem o problema é que a leitura deste fenômeno precisa melhorar, porque ela geralmente não contempla o problema corretamente (no meu ponto de vista), de modo a não relacionar a causa correta ao problema verdadeiro. Precisamos, portanto, entender essa relação, de modo a se desenvolver uma resposta mais coerente ao problema religioso contemporâneo.
            Via de Regra, toda religião delimita para si um dado espaço, e tempo, religioso com a finalidade de estabelecer ali regras (formas e psicossociais) diferenciadas com fins a sua prática espiritual. Isso tem motivos razoáveis, os quais qualquer pessoa que se incomoda com celular tocando durante uma atividade qualquer pode conceber por si mesmo. Quanto aos motivos espirituais, os quais geram regras administrativas de energias e de contextos, de modo que o participante seja guiado rumo ao objeto de contemplação.
            O Termo sagrada tem relação com a noção de separado, que agrega capital simbólico (mana) a objetos, espaços ou papeis sociais com finalidade de promover ao devoto da religião a tal experiência. Isso, nos textos antropológicos mais conservadores é categorizado como técnica religiosa, que dependendo de como olhamos, é o que diferencia as diversas religiões.
            Posto isso, faz todo sentido uma dada religião ter seu templo, ter suas regras e rituais, de modo a promover sua ideia e seus valores. Logicamente que teólogos cristãos do final do século XX já apontavam[1] a necessidade das igrejas mudarem o foco do templo para o ministério, afirmando que a ênfase administrativa no templo era algo característico de igrejas rurais, coisa não coerente com uma dinâmica urbana.
            Logicamente que na cidade os templos serão necessários, mas com uma finalidade diferente, tendo em vista que tendem a serem transformados os templos em shoppings Center [2] que atendam o maior numero de necessidades possíveis. O Problema disso, é que para os Geógrafos, os shoppings são chamados de não-locais, conquanto não tenha identidade própria e não tem reder de relação social consistente. A igreja (rural?) é um local religioso por natureza, o qual gera não apenas relação entre o frequentador e as coisas alis presentes, mas gera identidade local por meio interpessoalidade das pessoas que se relacionam por meio das mesmas ideias e valores.
            Se a igreja transforma-se me não-local, qualquer igreja serve, torna-se não-igreja, como os canais da TV, e, portanto, as relações sociais deixam de ser importantes, perdem energia, assim como a doutrina e os valores.
            Logicamente que a igreja evangélica pentecostal é pouco consciente de suas ideias e valores, pois acreditam serem “de Deus” e não fazem auto-reflexão com respeito ao seus discurso, que nada mais é do que o conjunto de dispositivos desenvolvidos social-historicamente. Isso impede uma reflexão bíblica e a percepção da ação dos seus atores e de suas práticas religiosas e administrativas, muito parecido com o que houve na Europa antes da falência do sistema antigo.
            Então, ao olhar para o problema europeu, é importante entendermos que as igrejas tradicionais perderam paulatinamente sua função social porque pararam de atender as demandas espirituais do seu povo. Muitos ficam choramingando contra a pós-modernidade, mas o caso é que a igreja recusa-se a falar a língua e a linguagem de seu povo, cultiva em seu meio uma casta de sacerdotes inúteis e ainda preocupam mais com seus prédios do que com as vidas. Essa igreja merece acabar...
            O Brasil vai passar por esse mesmo fenômeno se a igreja cristã não reorganizar suas prioridades. A primeira prioridade é a educação religiosa, a qual não tem sido feita a contento. Milhares de pessoas frequentam os cultos, mas não sabem ler uma Bíblia, não sabem as doutrinas básicas das igrejas que frequentam não saber viver e nem mesmos exercer seus direitos de cidadão. Segundo prioridade, é a reorientação do processo de formação dos pastores e obreiros, é necessário um maior número de pessoas, principalmente pastores de tempo parcial, que tenham capacidade de fazer o trabalho de pastoreio e não de arrecadação financeira. Terceiro ponto, a dinâmica doutrinaria precisa caminha para discussões relativas à responsabilidade, autonomia e liberdade, de modo que cada cristão seja sacerdote, no sentido de levar Deus aos outros e viver em Deus.
            Observação importante é que ninguém lê em Apocalipse que no reino de Deus escatológico não haverá mais templo. O fim dos templos é algo bom, sem templo o povo de Deus vai para as ruas, praças e casas, de onde alias, nunca deveria ter saído...


[1] Jorge Barro, José Comblin e outros
[2] Rick Warren, Edir Macedo, Mega Churchs…