terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Missionária Yonara e o púlpito do inferno…





            Às vezes, na minha arrogância infeliz eu penso: já vi de tudo. Mas então sou surpreendidos com novidades. Desta vez o Genizah colocou a propaganda de uma pregadora que foi 15 vezes ao inferno e 7 ao céu, pensei comigo, sim o Sr. Genizah deve estar de brincadeira, para varia. Infelizmente ele não estava e acessando o Youtube lá estava a referida pregadora e seu desfile de sabedoria e conhecimento. Estou concluindo que o youtube está se tornando a curva onde todas as aberrações acabam parando, como um grande museu das coisas estranhas que os crentes fazem por ai.
            Voltando ao assunto, a tal pregadora não traz nada novo em seu discurso, em sua estória e em seu testemunho. De fato, já cansei de escutar essa coisa de ex-qualquer coisa que era lésbica e do diabo, e que agora tem ministério de libertação. O que chama a atenção é ser uma tradução inusitada visões de uma americana para o contexto brasileiro, se não fosse tão nojento seria até engraçado.
            O que a tal pregadora fez foi pegar um livro chamado A divina revelação do inferno[i]  e deu uma re-interpretação a coisa infernal. De fato, eu queria compara as duas conversas, mas não perderei tempo com isso, antes vamos aos pontos teológicos realmente interessantes que a tal Yonara afirma. Ai eu me pergunto, para que? Simples, esse tipo de coisa precisa ser questionada de modo que talvez algum desinformado que acredite nisso possa ter consciência. (no final existe o link para o vídeo)
            Primeiramente, ambas (Yonara e Baxter) retratam o inferno como um corpo humano. Isso parece sem significado a priore, apenas um recurso estilístico, mas se considerarmos o problemas que essas pessoas tem com o próprio corpo, já percebe-se alguma coisa de dualismo gnóstico que satâniza a corporaliedade.
No quesito organização, o inferno ele é um primor. Os portões abrem às 6:00h da manhã, e em sua porta fica um capetôncio para separa as almas que chegam. Eu achei interessante este horário, deve ter algum sentido para a pregadora, unicamente me lembra trabalho, hora de acordar. Sempre pensei que o inferno fosse um lugar bem desorganizado, porque a bagunça faz a vida das pessoas um inferno.

Os pecados punidos no inferno dela eram aqueles que Mary Baxter já havia falado, crente picareta, fornicados, pastor mentiroso, pastores ladrões, pastor que amaldiçoa membro, etc....mas tem algo mais. Tem o Vale dos homossexuais, vale dos suicidas, vale para todos os pecadores. Tem até punição para mulher que não deixa o pastor pregar, e tira o marido do ministério. Isso tudo tem um contexto muito curioso, pois é a partir disso que poderíamos perceber os valores defendidos.
Depois de meditar um pouco, fico me perguntando o seguinte: onde na Bíblia diz que os diabos são funcionário do inferno? Sempre achei que ele iriam para lá no final da história. Esse é o erro chave que demonstra todos os erros fundamentais na fala da pregadora. Na maioria dos pecados punidos naquele inferno não há a discussão das condições e do diálogo. Não há, por exemplo, consideração dos contextos sociais e psicológicos, neste sentido, em nenhum momento apresenta-se que alguns suicida praticam o ato fora do juízo perfeito, e portanto, não são passiveis de culpa. Alias, onde na Bíblia está escrito que suicídio é pecado? (eu não sei)
Se formos considerar os erros apresentados, poderíamos colocar milhares deles, mas o mais importante está no que se refere a construção de uma vida normal. Em nenhum momento a pregadora contempla a idéia de que as pessoas podem temer e amar seu Deus, e não tem que ser fanáticos, que não lêem, não vão ao cinema e não assistem uma musica. A idéia de cristianismo que ela vende é o cristianismo fanáticos e psicótico, que faz mal e adoece a alma. Logicamente que ela parte de um pressuposto interessante, a saber, que ela era extremamente diabólica antes, de modo que ela deve ser extremamente espiritualizada agora.Quanto à perspectiva política, é um atentando claro ao bom senso. Ela começa a criticar os pastores que viram políticos, e afirma que a política é para aqueles que tem dom para ser político. Até ai eu gostei, mas depois ela diz que não temos o pode de discernir quem tem dom e quem não tem, e por isso, todos deveriam votar em candidatos evangélicos. Isso é ruim, pois o correto e avaliar os candidatos por sua honestidade e bom nome, sua capacidade de fazer boas administrações...
Um dos momentos mais tristes foi a fala sobre os homossexuais, senti todo um ódio especial por eles. Aliás, ela atacou até os simpatizantes, como que todo aquele que não odeia homossexualidade blasfema contra Deus e seu projeto. O caso, é que a coisa é bem mais complicada do que simplesmente escolher e não escolher ser homossexual, e ainda, considerar que a homossexualidade é simplesmente uma manifestação demoníaca não ajuda as pessoas. É necessário buscar entender as questões com clareza, e isso é muito difícil para essas pessoas (como essa pregadora).
Entretanto, Concordo com a observação sobre o Calipso, sim quem escuta Calipso merece arder eternamente.

Recomendação ao cristão: é bom dar uma repensada sobre a natureza do processo missionário da igreja. Pregação sem sabedoria, e sem entendimento gera mal entendo que só atrapalham o processo de evangelização da igreja. A igreja na foi feita para julgar o mundo, mas para apresentar Jesus a ele. A referida pregadora não prega Jesus, não prega a graça de Deus, prega apenas misticismo barato. Sei do que estou falando, por já andei neste caminho profético, e no final dele você descobre que perdeu muito da vida que Deus nos dá.
Recomendação as pessoas que não são evangélicos: espero realmente que os não cristãos não pensei que ser cristão é isso. De fato, existe um cristianismo possível baseado na graça e na misericórdia, na tolerância com o próximo e no amor (ágape).

Por fim, o púlpito infernal da pastora Yonara é um desfile de exageros que não ensina nada sobre Deus, apenas legalismo e desespero. Gritos e mais grito ensaiados, sentimentalismo barato, e nada de ensino de como ser um bom cristão, um bom cidadão ou uma pessoa melhor.
O texto acima é apenas uma opinião, ela pode ser questionada, pois o propósito do texto é gerar reflexão para que possamos conhecer a verdade e sermos libertos dessa loucura.

#ficaadica 


Assista o vídeo e veja por si só.







[i] A Divina Revelação do Inferno. Mary K. Baxter. Título Original:A Divine Revelation of Hell. Tradução: José Rodrigues Filho. Danprewan Editora, 1995.