domingo, 17 de abril de 2011

Sobre Semana, Semana Santa…

Toda segunda feira é a mesma coisa, plano e projeto que deverão ser feito executados, ou o contrario, a mesmice que vai demorar séculos para terminar. Alguns esperam que a semana acabe logo, outro esperam que ele nunca acabe de forma que não tenham que enfrentar mais um final de semana miserável. Outros, meu caso, nem verão a semana passar de tantas coisas que serão feitas, e das milhares de outras coisas que deixarão de ser executadas.

Pior ainda é que essa semana, semana santa, acabará antes do fim. Quarta-Feira será o death-line para quatro dias de rememoração da páscoa. Para alguns será comer ovos, para outros comerão peixe, para outros nada disso. Haverá por acaso alguém que se lembrará do sentido disso?




John 1:29-31 29 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30 É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. 31 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água.
O cordeiro de Deus é o cordeiro da páscoa, que no antigo Egito guardou os primogênitos da morte que vagou na escuridão, e que nos livra da morte eterna através da cruz do calvário. Páscoa significa passagem, passagem da morte para a vida, da escravidão do Egito para a liberdade do deserto.
Incoerência....o que é melhor, ser escravo ou viver na miséria no meio do nada? De fato, provisoriamente é melhor ser escravo, pois sofre-se relativamente menos. Mas se consideramos o devir, ou seja, o que podemos nos tornar no deserto, ai sim, notamos que é melhor partir para enfrentar as agruras do desconhecido do que simplesmente esperar a morte chegar.
O sacrifício de Cristo na cruz não é um fim em si mesmo, mas sim abertura de um universo de possibilidades para a experiência de uma verdadeira humanidade. Quando Jesus morre na cruz, pagando os pecados daqueles que o recebem como messias, somos libertos do peso da culpa do pecado. Isso significaria uma liberdade muito grande, uma autonomia muito grande, que implica em responsabilidade para com o próprio ser, respondendo por si mesmo.
A religião faz o caminho contrário da espiritualidade cristã. Se na experiência com Cristo nos faz livre, a experiência com a religião (todas elas) nos prende a modelos e sistemas que na maior parte das vezes funcionou um dia, mas perde-se ao longo da transformação histórica. Leonardo Boff ensina que as religiões nascem como receitas ou formulas propostas por pessoas que experimentaram a coisas luminosa e tentam possibilitar isso a outros interessados.
A autonomia não significa simplesmente o seguimento do credo existencialista nitszchiriano, mas a plena convicção de que a socialização e o modo de socialização, ou seja, a obediência das regras e normas porque se escolhe fazer isso, e até mesmo através do processo de construção dos parâmetros daquele que se está praticando.
Muitos ficam chateados com a coisa da relatividade característica da pós-modernidade, com a coisa de não se ter certeza e radicalidade na definição do que é e o que não é. A construção do ser passa pelo desenvolvimento da subjetividade e da percepção das necessidades de si mesmo. Em Cristo não somos chamados à cumprir novas lei e regras, e mas parar buscarmos da melhor forma possível, buscando soluções para os conflitos de relações sociais e ambientais.
Paulo, o apostolo, na carta de Gálatas, aponta que o crescimento da igreja deve ser feito no espírito, e não na carne. Os frutos do espírito não são leis ou regras, mas são princípios estóicos do bom viver, das boas relações e de uma boa sociedade. Vale pensarmos sobre como praticarmos isso, como vivenciarmos isso, e ainda, como transcendermos o comum, e avançarmos para a transcendentalização dos valores cristãos.
Sim, será uma semana incompleta de qualquer maneira. Mas poderia ser uma semana onde, assim como o batista, pudéssemos realmente reconhecer e aponta para o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, que tira o pecado de mim, e que nos dá animo para desenvolvermos novas formas de fazer a vontade de Deus, forma autenticas e genuínas de expressar amor e reverencia...

by Marcos Henrique