quarta-feira, 27 de março de 2013

Novas ferramentas para popularizar a energia solar no Brasil

Novas ferramentas para popularizar a energia solar no Brasil:
Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil
Em abril de 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou regras destinadas a reduzir as barreiras para instalação de geração distribuída de pequeno porte, que incluem a microgeração, com até 100 KW de potência, e a minigeração, de 100 KW a 1 MW. Essas regras formam o Sistema de Compensação de Energia, que permite ao consumidor instalar pequenos geradores e injetar energia na rede em troca de créditos.
Foi baseado nessa nova legislação que o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas para a América (IDEAL) criou duas novas ferramentas que prometem facilitar a construção de pequenas unidades fotovoltaicas nas residências e empresas brasileiras.
Uma dessas ferramentas é o Guia de Microgeradores Fotovoltaicos – Como faço para ter eletricidade solar na minha casa?. Ele contém informações sobre a capacidade dos geradores que podem participar do sistema de compensação de energia, locais que podem receber as instalações, as vantagens de se ter um microgerador, recomendações para manter o bom funcionamento e o passo a passo para conectar seus sistemas na rede elétrica com a ajuda de um profissional especializado.
“Queremos chegar até aquele indivíduo que não conhece a resolução da ANEEL, mas que gosta muito da ideia de ter um sistema de geração de eletricidade solar próprio em sua casa, escritório ou pequena indústria. Estamos dando uma mãozinha para concretizar essa vontade”, afirmou Paula Scheidt Manoel, gerente de projetos do Instituto Ideal.
O guia explica que o valor para instalar sistemas fotovoltaicos vem diminuindo anualmente e que com a nova regulação da ANEEL a geração descentralizada de energia fotovoltaica tornou-se uma opção interessante para consumidores de quase todo o Brasil.
“Agora, quem tem acesso à rede elétrica e deseja ter um sistema fotovoltaico não precisa mais ter baterias, pois a rede pode atuar como uma bateria. O consumidor injeta na rede o excedente e depois consome normalmente quando o sistema fotovoltaico não está gerando energia. A compensação desse consumo acontece a partir dos créditos em kWh, que o consumidor receberá pela energia injetada na rede – isso é o sistema de compensação de energia, ou, como é conhecido internacionalmente, net metering”, detalhou Paula.
Simulador
A segunda ferramenta lançada nesta terça-feira (26) é o Simulador Solar, que calcula qual deve ser a potência de um sistema fotovoltaico para atender à necessidade energética anual de uma casa ou empresa.
O simulador leva em conta a posição geográfica da futura instalação e o preço da energia na região. Além disso, foi desenvolvido para calcular todos os resultados se baseando nas novas regras da ANEEL, assim o sistema projetado teoricamente ficará do tamanho ideal para deixar a casa ou empresa pagando apenas as taxas obrigatórias das distribuidoras de energia.
“No início do ano passado, nós começamos a discutir a ideia da criação de um programa que automatizasse, de maneira muito simples, o cálculo de dimensionamento de um sistema fotovoltaico para qualquer lugar do Brasil. Existem vários softwares que permitem fazer esse cálculo, porém com um nível de detalhamento que somente profissionais que trabalham com energia fotovoltaica são capazes de usar”, disse Paula.
“O nosso simulador faz um cruzamento da eletricidade que você necessita para a sua edificação e a radiação da sua localidade, com base no Atlas Solarimétrico do Brasil. Ele simula um sistema para abastecer 100% da sua demanda menos o custo de disponibilidade, conforme prevê a resolução 482 para consumidores do grupo B da ANEEL. Fizemos assim para que o usuário se beneficie com o sistema de compensação de energia, e utilize os créditos que foram gerados no decorrer do ano”, completou.
Por exemplo, uma casa trifásica localizada em Florianópolis que consome uma média de 700kWh por mês e com as contas na faixa de R$ 315, o simulador gera como resultado:
“Com base nos dados de consumo elétrico informados por você e na radiação solar do local selecionado, um sistema fotovoltaico (gerador de eletricidade solar) de cerca de 5,4 kWp de potência instalada atenderia sua necessidade energética. O sistema proposto geraria em média 6,25 MWh por ano, quantidade essa de eletricidade que você não precisará mais pagar à sua distribuidora. Desse modo, você também evitaria a emissão de 1.823 quilogramas de dióxido de carbono (CO2) por ano”.
Porém, o simulador salienta que o resultado “serve apenas para lhe dar uma ideia da potência necessária para a sua demanda elétrica. A simulação não considera as condições da vizinhança do local estabelecido para instalar o sistema e que podem levar a uma revisão da produção elétrica devido aos sombreamentos dos módulos, tais como árvores ou edificações próximas”.
Segundo cálculos do Instituto Ideal referentes a março de 2013, um sistema fotovoltaico completo e instalado de 1 kWp (1000 Wp) custa, aproximadamente, R$ 7.000,00 (ou R$ 7,00 o Wp). Assim, nossa casa exemplo investiria algo em torno de R$ 37 mil em seu projeto de energia solar.
As novas ferramentas foram desenvolvidas pelo Instituto Ideal com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW). O Guia tem ainda o apoio institucional da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Associação Brasileira de Energia Solar (ABENS), International Solar Energy Society (ISES), Escritório regional de Ciência para a América Latina e o Caribe da UNESCO e o Grupo Fotovoltaica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
(Instituto CarbonoBrasil)

by mercado ético