segunda-feira, 11 de abril de 2011

No principio era a palavra, o verbo e o logos…

No principio era a palavra, o verbo e o logos…

Marcos Henrique
Leitura de João 1:1
Toda forma de explicação da realidade, para explicar o presente, tenta de uma forma ou de outra, explicar o passado até onde os olhos da imaginação poderiam alcançar. A ciência contemporânea olha até o momento em que o universo tinha o tamanho de uma cabeça de alfinete, e talvez um pouco além, com alguma imaginação.
João Evangelista escreve seu texto em uma comunidade composta de pessoas de todas as origens culturais possíveis, judeus, essênios, romanos, gregos, etc... para eles, o logos espermático de Heráclito era uma boa explicação aceita de modo generalizado. Heráclito foi um importante filósofo que viveu entre 540 e 470 a.C, e sua obra influencio profundamente o desenvolvimento do pensamento filosófico posterior. Para ele, o logo, que pode ser traduzido como palavra, razão ou causa, dependendo de como se interpreta, nada mais do que a lei universal. Segundo este paradigma, o logos era o que dava forma a matéria informe do universo. Isso é muito próximo da perspectiva judaica apresentada em Genesis 1, onde Deus dá forma ao mundo disforme.
A tradução de João 1:1 varia de Bíblia para Bíblia. Em algumas ela aparece como palavra, em outras versões como verbo. De fato, linguisticamente, ambas estão corretas, apensar de que no contexto, ambas não expressariam a noção de logos a qual possivelmente o autor estaria se referindo.
Jesus nesta perspectiva, além de esta com o pai na formação do mundo, é a manifestação da energia que rege e mantém o mundo como ele é. Então, numa tradução quase literal, e trocando logos(palavra) por Jesus, ficaria assim: no principio era Jesus(logos), e Jesus(logos) era para Deus, e Deus era Jesus(logos).
Qual a importância disso? Primeiramente, o texto de João é anti-religioso, de forma que Jesus está acima de filosofia (físico matemática grega), está acima do judaísmo, acima dos cultos pagãos. Essa perspectiva genuinamente monoteísta é salutar em nossos dias, pois somos convidados por Deus a sermos como Jesus, e não sermos religiosos, meros praticantes de rituais, servidores de ideias e credos que nada tem de cristão. Jesus se encaixa em todos os contextos e em todas as culturas, entretanto, tenta-se destruir as culturas para afirmar um cristianismo descontextualizado.
Para a semana, fica a pergunta: Se Jesus dá sentido a todas as coisas, como colocar Jesus nas coisas que não fazem sentido em nossa vida?


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