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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os desigrejados: procura-se uma boa igreja. Procura-se bons pastores

Falar de catolicismo no Brasil é falar de pelo menos duas importantes categorias: os católicos praticantes e os católicos não praticantes. Segundo levantamento da PNAD, corroborado pelo Censo, e pela vivência que experimentamos no cotidiano, a maioria dos católicos não vivencia sua fé com muita regularidade. Pelo menos nos grandes centros, a assiduidade se limita a eventos marcantes, ritos de passagem, como o são o batismo, a primeira comunhão, a crisma e o casamento.
Em termos de mundo protestante/evangélico, no entanto, para além dos ritos de passagem que sempre lotam as igrejas, uma categoria de análise a mais se nos apresenta: temos os evangélicos diretamente ligados a uma igreja (praticantes), temos os afastados (não praticantes), desiludidos por conta de alguma decepção eclesiástica, quase sempre ligada a problemas de relacionamento, e temos os que agora parecem estar bem mais “na moda”; os desigrejados (praticantes, mas sem líderes e sem um ambiente formal de prática).
Os desigrejados não são pessoas que se afastaram da fé. Não são pessoas que decidiram “chutar o balde”, caindo na gandaia do mundão, e fazendo tudo o que a igreja chama de pecado ou desvio da fé e conduta cristãs. Não, os desigrejados não são pessoas que estão abandonando os ensinos de Jesus Cristo, bem como não são pessoas decepcionadas com Deus ou com a Bíblia. Os desigrejados são simplesmente ovelhas que não têm pastor; é gente séria, procurando igreja séria, mas sem qualquer sucesso nesta empreitada.
Tais desigrejados surgem no início do século XXI, como resposta à polarização que se efetivou com muita força no mundo evangélico brasileiro da última década. Cansados de um neopentecostalismo avassalador – e de sua teologia da prosperidade – de um lado, e de um moralismo castrador, de igrejas demasiado conservadoras, de outro, os desigrejados formaram o grupo mais interessante do movimento evangélico contemporâneo, haja vista ter fomentado – e estar fomentando – uma série de reflexões acerca da caminhada da igreja evangélica brasileira.
Justamente por conta de uma séria reflexão sobre o seu lugar na igreja e no mundo, este grupo tem chamado bastante a atenção, uma vez que, ávidos por uma mensagem bíblica profunda e sincera (daquelas que não partem da premissa de que os ouvintes são idiotas alienados), aliada a uma relevância social num mundo deveras desigual e corrompido, os sem igreja se nos apresentam como um importante grupo a se conquistar.
Os desigrejados não estão em busca de prosperidade material e nem de milagres sem limites e a qualquer custo. Em geral, é gente com boa condição financeira e de saúde. Além disso, por conta da formação que conseguiram ter e pela reflexão que desenvolvem, essas pessoas pedem bem pouco de uma igreja e de um pastor. Assim, nem é tão difícil responder às suas demandas, pois rapidamente se pode enxergar a essência do cristianismo naquilo que tal grupo pleiteia, já que nossos irmãos pedem apenas um pastor que tenha ouvidos realmente interessados em ouvir e ombros realmente interessados em suportar o peso de uma ovelha, como quer o Evangelho.
Talvez já estejam em curso as estratégias para reintegrar tal grupo a uma comunidade de fé. No entanto, dogmatismos e intolerâncias sem limites não ajudarão em nada, pois a maioria dos pastores não tem a formação e as informações de que dispõem os desigrejados. Do mesmo modo, promessas mirabolantes não estão na ordem do dia, já que, para um desigrejado, papo de Malafaia, Valdemiro, Macedo, Miguel Ângelo, dentre outros, já se tornou, no mínimo, mensagem de procedência maligna.

liberdade, beleza e Graça...

sábado, 10 de maio de 2014

Os desigrejados - é possível ser cristão sem frequentar uma igreja?

Conversas com alunos 06.

        Para mim, teologia é a busca de respostas às questões que são vivas e interessantes. Posto isso, sinto a necessidade de escrever algo sobre a questão do desigrejamento[1] com base na pergunta de um querido aluno. A pergunta era a seguinte: é possível ser cristão e não frequentar uma igreja?
         Primeiramente devemos considerar o que é ser cristão. Biblicamente é aquele indivíduo que tenta ser um pequeno cristo, ou seja, que considera Jesus como filho de Deus, ou Deus dependendo de onde historicamente você estiver, e que tente de uma forma ou de outra manifestar as mesmas coisas que o Jesus dos quatro evangelhos manifestou. Certamente que os megalomaníacos acham que é sair por ai fazendo milagres, coisa que ninguém faz tendo em vista a fila dos postos de saúde que não param de crescer, mas é possível sair por ai demonstrando amor e perdão pelas pessoas. Logicamente que o ensino do Cristo Bíblico é um pouco mais complicado e extenso que cuidar, amar, perdoar e amar, mas parece praticável em qualquer contexto e cultura.
                Posto isso, a igreja que em grego é a assembleia dos cristãos, tem a finalidade de reprodução social do discurso cristão. Calma, complicado mais explico. A igreja é a instituição social que tem como finalidade reforçar a prática e o discurso cristão e portanto, ela deveria apresentar, ensinar e revitalizar o discurso enquanto prática cotidiana. Mas, suponha que essa instituição social não faça isso, que ela não ensine corretamente os ensinos de Jesus, que ela apenas cobre condutas impossíveis de seus membros, condutas as quais nem seus sacerdotes fazem. Então, ao invés dela reproduzir socialmente os valores do reino de Deus, elas apenas institucionaliza uma dada doutrina histórica e exerça sobre seus membros poder social e político que este lhe dê seu dizimo.
                Mas pode piorar. Agora imagine que no que tange a espiritualidade essa igreja acredite que seu membro ideal deva ser um neurótico, com surtos todos os domingo. Neurose, uma inflamação de neurônios, no sentido de tomar para si narrativas simbólicas religiosas e permanecer focado nelas por meses, até que a igreja apresente outra historia em outro evento para que a pessoa continue em pânico e permaneça ali. E não estou me referindo às neopentecostais.
Então o sujeito, vai nessa igreja, acredita na coisa de Jesus, mas depois de alguns anos percebe que é insuportável viver naquela comunidade, assim como nas demais. Será que ele está errado? Pode até estar, entretanto, é por falta de opção que se afasta tendo em vista que não consegue ver motivo que compense o custo de gastar seu tempo ali. Pode-se evocar o argumento de que a Bíblia ordena isso ou aquilo, mas o fato é que as pessoas vão a um lugar quando tem um bom motivo para fazê-lo, e eu acredito que os desigrejador simplesmente perderam esse motivo. Além do fato que as pessoas, que frequentam não dão a mínima para a Bíblia, pois alguns leram e poucos entenderam.
                Estava ouvindo um debate sobre o tema (com Augustos Nicodemus), e apareceu um termo interessante que é a palavra decepção. Os celebres pensadores da mesa argumentaram acertadamente que grande parte dos desigrejados são pessoas que se decepcionaram com a igreja. Contra isso argumentaram que as pessoas não podem ficar decepcionadas com a igreja e que por mais que ela erre não há motivo para abandona-la. Em resumo, sugeriram que os decepcionados com a igreja são crianças que deveriam engolir o choro e voltar a “comunhão e aos sacramentos”.
                Eu até concordaria com esse argumento, em outro momento da minha vida eu defenderia isso certamente, mas como sou um desigrejado e talvez o pior de todos eles, penso que esse argumento é tremendamente falho e perturbador. Falho porque desconsidera que a igreja, no processo de evangelização (proselitismo) e na educação cristã, faz promessas que Deus nunca fez, e que ao não serem cumpridas causa muita dor. Perturbador, pois ao invés de olhar para a igreja, acusam os desistentes de serem fracos e melindrosos, e dão a entender que essas pessoas deveriam se comportar como mulheres que ao serem agredidas pelos maridos, permaneçam fiéis a estes. Além do fato de que o argumento de que os sacramentos podem comunicar graça ao fiel é algo triste, religiosamente primário e existencialmente infantil.
                A pergunta era: é possível ser cristão e não frequentar a igreja? É difícil, mas às vezes é a única forma possível, tendo em vista a quantidade de igrejas ruins que existem por aí. Biblicamente a igreja tinha seu valor enquanto comunidade dos santos, onda as pessoas atuavam coletivamente e eram atendidas coletivamente. Não há indicação da necessidade esotérica de ter certificado de batismo, carteirinha de membro, unção do pastor nem cobertura espiritual. Se havia relação era entre mestre e discípulo no aprendizado, e considerando Lucas, notamos que eles transitavam constantemente entre grupos, mesmo com discursos distintos.
                Existem algumas igrejas que tentam fazer algo bom para as pessoas e seu valor deve ser reconhecido e destacado. Entretanto, essa noção contemporânea de igreja evangélica tornou-se cansativa, chata, cheia de rituais e coisinhas que com o tempo enjoam qualquer pessoa. Se elas querem resgatar os desigrejados devem repensar sua prática e suas ações, de modo que possam responder às necessidades espirituais destas pessoas que apesar de terem desistido da igreja, ainda teimam em buscar o caminho de Jesus.



[1] Desigrejado é o cristão evangélicos que apesar de ser cristão não frequenta nem é filiado e uma igreja, denominação ou comunidade religiosa.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

TV FATHEL - José do Carmo da Silva - Mano Zé (dia da consciência Negra)

No dia 20 de novembro comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

E no mês da Consciência Negra, a TV FATHEL apresenta um bate papo com José do Carmo da Silva, que é aluno de Pós-graduação na FATHEL - Centro de Formação Humana Integral, militante do movimento negro e coordenador da pastoral regional de combate ao racismo da Igreja Metodista 5ª Região Eclesiástica, para falar a respeito das relações étnicas e da situação do negro no Brasil.

Assistam, divulguem e inscrevam-se no canal da TV FATHEL no youtube.






sexta-feira, 21 de junho de 2013

As Igrejas na Europa Viram clubes, Museus e Cafés...isso é ruim mesmo???





            Há muitos anos isso tem aparecido na mídia especializada ou não. São noticias horripilantes para o brasileiro médio, de que igrejas na Europa têm sido transformadas em espaço com outras finalidades, dentre elas, bares, museus, templos de outras religiões e mesmo boates, se citarmos aquelas que simplesmente encontram-se fechadas.
            Qual o problema? Bem o problema é que a leitura deste fenômeno precisa melhorar, porque ela geralmente não contempla o problema corretamente (no meu ponto de vista), de modo a não relacionar a causa correta ao problema verdadeiro. Precisamos, portanto, entender essa relação, de modo a se desenvolver uma resposta mais coerente ao problema religioso contemporâneo.
            Via de Regra, toda religião delimita para si um dado espaço, e tempo, religioso com a finalidade de estabelecer ali regras (formas e psicossociais) diferenciadas com fins a sua prática espiritual. Isso tem motivos razoáveis, os quais qualquer pessoa que se incomoda com celular tocando durante uma atividade qualquer pode conceber por si mesmo. Quanto aos motivos espirituais, os quais geram regras administrativas de energias e de contextos, de modo que o participante seja guiado rumo ao objeto de contemplação.
            O Termo sagrada tem relação com a noção de separado, que agrega capital simbólico (mana) a objetos, espaços ou papeis sociais com finalidade de promover ao devoto da religião a tal experiência. Isso, nos textos antropológicos mais conservadores é categorizado como técnica religiosa, que dependendo de como olhamos, é o que diferencia as diversas religiões.
            Posto isso, faz todo sentido uma dada religião ter seu templo, ter suas regras e rituais, de modo a promover sua ideia e seus valores. Logicamente que teólogos cristãos do final do século XX já apontavam[1] a necessidade das igrejas mudarem o foco do templo para o ministério, afirmando que a ênfase administrativa no templo era algo característico de igrejas rurais, coisa não coerente com uma dinâmica urbana.
            Logicamente que na cidade os templos serão necessários, mas com uma finalidade diferente, tendo em vista que tendem a serem transformados os templos em shoppings Center [2] que atendam o maior numero de necessidades possíveis. O Problema disso, é que para os Geógrafos, os shoppings são chamados de não-locais, conquanto não tenha identidade própria e não tem reder de relação social consistente. A igreja (rural?) é um local religioso por natureza, o qual gera não apenas relação entre o frequentador e as coisas alis presentes, mas gera identidade local por meio interpessoalidade das pessoas que se relacionam por meio das mesmas ideias e valores.
            Se a igreja transforma-se me não-local, qualquer igreja serve, torna-se não-igreja, como os canais da TV, e, portanto, as relações sociais deixam de ser importantes, perdem energia, assim como a doutrina e os valores.
            Logicamente que a igreja evangélica pentecostal é pouco consciente de suas ideias e valores, pois acreditam serem “de Deus” e não fazem auto-reflexão com respeito ao seus discurso, que nada mais é do que o conjunto de dispositivos desenvolvidos social-historicamente. Isso impede uma reflexão bíblica e a percepção da ação dos seus atores e de suas práticas religiosas e administrativas, muito parecido com o que houve na Europa antes da falência do sistema antigo.
            Então, ao olhar para o problema europeu, é importante entendermos que as igrejas tradicionais perderam paulatinamente sua função social porque pararam de atender as demandas espirituais do seu povo. Muitos ficam choramingando contra a pós-modernidade, mas o caso é que a igreja recusa-se a falar a língua e a linguagem de seu povo, cultiva em seu meio uma casta de sacerdotes inúteis e ainda preocupam mais com seus prédios do que com as vidas. Essa igreja merece acabar...
            O Brasil vai passar por esse mesmo fenômeno se a igreja cristã não reorganizar suas prioridades. A primeira prioridade é a educação religiosa, a qual não tem sido feita a contento. Milhares de pessoas frequentam os cultos, mas não sabem ler uma Bíblia, não sabem as doutrinas básicas das igrejas que frequentam não saber viver e nem mesmos exercer seus direitos de cidadão. Segundo prioridade, é a reorientação do processo de formação dos pastores e obreiros, é necessário um maior número de pessoas, principalmente pastores de tempo parcial, que tenham capacidade de fazer o trabalho de pastoreio e não de arrecadação financeira. Terceiro ponto, a dinâmica doutrinaria precisa caminha para discussões relativas à responsabilidade, autonomia e liberdade, de modo que cada cristão seja sacerdote, no sentido de levar Deus aos outros e viver em Deus.
            Observação importante é que ninguém lê em Apocalipse que no reino de Deus escatológico não haverá mais templo. O fim dos templos é algo bom, sem templo o povo de Deus vai para as ruas, praças e casas, de onde alias, nunca deveria ter saído...


[1] Jorge Barro, José Comblin e outros
[2] Rick Warren, Edir Macedo, Mega Churchs…

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...
Dialogo sobre o lugar da teologia no mundo eclesiástico.



Senão vejamos, que não foi apenas uma vez que me disseram que ao invés de ficar criticando a igreja, eu deveria fazer alguma coisa. Aliás, eu deveria ajudar alguém de alguma forma. Portanto, este texto tem a finalidade de ajudar alguém a compreender algumas coisas importantes que as igrejas deveriam ensinar a seus freqüentadores, mas não ensinam. Apesar de tudo não sei se é justo culpabilizar as igrejas por não ensinarem essas coisas, pois as pessoas freqüentam as igrejas justamente por elas não ensinarem esse tipo de coisa.
A primeira coisa interessante, que acredito que todos deveriam saber com relação a vida, o universo e tudo mais, é que toda afirmação só tem implicações sobre quem acredita nela. Recomendaria um leitura de Nicolau Maquiavel com respeito ao tema, conquanto não recomendo segui-lo como doutrinador, mas sim conhecê-lo para saber como as pessoas podem tentar enganar você. Sim, as afirmações que faço, sobre qualquer assunto, só tem implicação sobre quem acredita, quero disser que quando um pessoa vai a uma igreja e o pastor diz que ela tem que dar tudo, ele está tentando fazer o sujeito dar alguma coisa, e o ouvinte que acredita nisso, acaba dando mais do que pode. Veja que para o pastor não faz diferença o quanto foi dado, não faz diferença se o sujeito vai passar fome depois daquilo, pois se o sujeito um dia aparecer e falar que as coisas não aconteceram, o pastor vai dizer para ir reclamar com Deus.
A segunda coisa interessante, ou não, é com respeito a questão dos grupos religiosos em si. Não penso que ser religioso e ou freqüentar um grupo, centro ou igreja seja em ruim em si, pelo menos por enquanto, ainda vejo alguns benefícios em participar. Mas a questão é: qual o lugar que este grupo religioso deve ocupar na vida do sujeito. O que é a vida? bem isso é difícil de entender e impossível de explicar corretamente, mas a priore, a vida social de um sujeito é formadas por várias relações sobrepostas, por exemplo, famíliares, relacionamento amorosos, relacionamentos profissionais, relacionamentos lúdicos e a sempre esquecida relação consigo mesmo. se Freud estiver certo, e de fato ele acerta na maioria dos casos, as religiões mudam as prioridades dos fiéis de modo que as novelas da religião tornam-se mais importantes que as novelas pessoais (as vezes o simulacro é mais interessante que a realidade). Neste sentido, a religião vai querer que você só tenha relações sociais com as pessoas da casa, e segundo regras da religião em si. Por fim, ela vai querer que o sujeito se relacione consigo mesmo segundo regras da religião, ai os budistas e cristãos se encontram no ponto de ônibus do discurso religioso, no qual o fiel tem que negar o eu. O fiel deve priorizar o nós. (o agricultor é Jesus e as arvres somos nozes...) Veja que isso não é ruim quando o nós é uma instância inteligente, que debate e delibera sobre as coisas, o problema é quando o nós é um líder pirado que acha que está curando o mundo com suas verdades e que sua leitura bíblica é a verdadeira (Macedo, Malafaia, Feliciano, outros...). Diria Boff que boa religião faz do sujeito uma pessoa melhor, e acho que pessoa melhor é igual relacionamento melhores, e relacionamento melhores é igual a mundo melhor...portanto, grupo religioso bom é um que facilita sua vida, melhor amigo, melhor família, melhor amante, melhor amigo de si mesmo.
Terceira e ultima coisas que acredito poder ajudar as pessoas religiosas. As pessoas acham que os trabalhos eclesiásticos (de todas as religiões) estão fazendo um bem as pessoas, estão ajudando. Eu tenho minhas duvidas se ir todos os domingo cantar as mesmas musicas, ouvir uma pregação (boa ou ruim), falar mal da vida alhei e depois comer bolachas seja realmente algo que contribua para a vida das pessoas. Mas talvez, nas situações de crise, seja um momento para a pessoa parar e se refrigerar, já vi isso de fato, mas o que é problemático é que a pessoa não aprende nunca a ser gente. Fica trinta ou quarenta anos ouvindo a mesma conversa e nunca consegue raciocinar para mudar de vida e seguir em frente, nunca consegue tornar-se pessoa e assumir a responsabilidade de seus atos e decisões. Sempre na dependencia da Palavra do tal pastor, ou de alguma promessa divina, nunca tomando decisões e nunca se colocando a disposição de arcar com as conseqüências de seus atos. (pois foi o diabo, não fui eu...). Neste sentido, a igreja torna-se apenas uma prisão semântica que não faz com que o sujeito crescer e torne-se livre. A Bíblia diz que conhecendo a verdade, ela libertaria, e a verdade é Jesus. Jesus tinha amigos, fazia o que achava que era certo, tinha relações familiares coerentes (esqueça a briguinha com Maria na festa...) e ainda tinha tempo para ser o messias. (não tinha namorada para não ter sogra). Aliás, liberdade é um conceito que deveria ser explorado de forma mais exegética, conquanto ser um conceito grego, usando em um contexto grego, e com finalidade gregas.
Por fim, estes argumentos fazem parte das idéias de conceitos que tenho trabalhado sobre o guarda-chuva da Teologia da Autonomia, brevemente em uma revista da Avon perto de você. Para que ser a logias sobre theós (teologia)? Serve para questionar e pensar sobre o tema, de modo que o indivíduo tome suas decisões, é para isso que a igreja e seu púlpito deveria se prestar, e não para afirmar verdades absolutas sem garantia, pois toda certeza é perigosa, principalmente porque no ultimo dia, não haverá PROCON para buscar-se os direitos com respeito a verdades mentirosas. Recomendo ler a Bíblia coerentemente, e ainda recomendo encarecidamente que não me sigam...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As igrejas são todas iguais, salvo exceções...

Conversas no facebook (1)



            Estando eu a insultar alguns no Facebook, insurgiu uma polêmica com respeito a minha afirmação de que as igrejas são todas iguais. Isso é deveras agressivo, considerando que grande parte dos participantes do grupo de discussão são pastores e cuidam de suas respectivas igrejas. Além disso, afirmei que geralmente os cultos tem um louvou ruim e pregações piores, agora esterei justificando minhas colocações com alguns poucos e pobres argumentos. Espero, desde já manifestações no comentários do blog...

            Vamos ao meu currículo: participei (o?) de igrejas neo-ortodoxa desde 1994. já foi na Assembléia de Deus, já freqüentei a Comunidade Cristã, já freqüentei presbiterianas grandes e pequenas, já estive me igrejas batistas, já estive me comunidades pentecostais de bairros, já foi em congressos, retiros, conversões. Já foi em culto metodista, culto G12, culto Nova Aliança, Culto Luterano, Culto Luteranos Pentecostal. Acho que isso me permite dizer algumas coisas....
            Primeiramente, os cultos são todos iguais em termos de musica. São sempre as mesmas, se a equipe é fraca são aquelas mesmas musicas da década de 1990, como em espirio em verdade, e outra da comunidade zona sul. Ai começam a bater palmas, e sempre tem umas senhoras que não acertam a batida, é engrado mas mostra desrespeito com os mais velhos que gostam de hinos. Quando a igrejas tem mais condições colocam musicas novas da lagoinha e do David Killer, que ficam repetindo a mesma frase melhares de vezes, na que as musicas sejam ruins em si, mas seu uso continuo enjoa. Teologiamnte elas são aberrações, como aquela do Balsamo de Gileade, ou aquela das águas profundas....pior de todas é aquela que queima uma noiva.
            Segunda coisa, a liturgia depende da denominação, mas geralmente elas caminham para paradigma Louvor, Testemunho, oferta e pregação. Eu não deveria reclama isso, pois é melhor que aquilo que acontece na IURD onde é oferta, musica, oferta, musica, oração oferta, oferta pregação, oferta tira demônio, e oferta final. Não acho a lógica errada, mas ajuda a entendermos que tudo é igual em todas.
            Terceira coisa, os dirigentes são sempre um show a parte. alguns tem algum talente, convenhamos, mas via de regra não tem muita percepção do que estão fazendo. Geralmente cantam mal, mas isso não é problema. Acho chatissimo quando começam a pregar, durante quase uma hora, ou ainda, quando começam a afirmar que são levitas e tal, e que a unção está na bateria. Pior que isso, o dirigente começa com aquela micareta mandando os irmãos virarem para o lado e dizerem frases: eu te amo ou a benção tralalá.. Mas ainda não acabou, pode piorar quando começam aquelas músicas com dancinhas, três passinho para o lado, e ergue a mão, acho isso de uma cretinice insuportável e uma falta de respeito. Confesso que já foi músico e dirigente de culto, e desde aquela época era mais fácil ficar no palco que no publico, para não ter que ficar fazendo esse rituais. Por fim, para encerra a noite, o dirigente começa a orar em línguas estranhas....ninguém merece, principalmente quando você leva um visitante na igreja.
            Quanta coisa, O testemunho é um momento que muitas igrejas usam em suas liturgias. É terrível, principalmente quando você conhece a vida pessoal das pessoas da igrejas e sabe que elas estão mentido. Geralmente é aquela história Deus me deu um carro, Deus salvou-me casamento. Se a igrejas tem 3 a 10 membros, é legal até, dá para ser bem útil compartilhas as coisas, mas numa igreja de 300 pessoas, isso é freak show que apenas enrola a liturgia. Voltando ao dirigente, as vezes não tem ninguém querendo pagar o mico do testemunho, e o tal dirigente começa a ameaçar a platéia de que Deus vai tirar a benção dos irmão se eles não forem contar...prometi para mim mesmo que da próxima vez que eu estiver em um culto e um dirigente fizer isso, vou dizer: Cale-se, saia daí e traga o pastor logo que estou com presa....
            O mesmo principio se aplica as oportunidades que acontecem nas igrejas pentecostais tradicionais, são bem intencionadas mas quando tem-se uma dúzia de oportunidades é cansativo demais. Alias, o pior culto que fui na vida foi na igreja A Palavra de Cristo para o Brasil, era um culto que congregava todas as igrejas, durou coisa de umas 5 horas, eu fiquei cerca de 3 horas em pé. Ninguém prestava atenção quanto as pessoas faziam performances de todos os tipo, a pior delas, foi um pastor, já de certa idade com uma capa de cetim e um espada de papel encenando algo envolta da Bíblia, com alguns escudeiros, ridículo é pouco para exprimir o meu sentimento, se fosse crianças de 4 anos, eu até entenderia mas um velho, nunca assembléia de velhas fazendo aquilo, tenha paciência.

            Quinta coisa, as pregações são sempre as mesmas. É uma dúzia de versículos que sempre são pregados em todas as igrejas. Isso deve-se, eu acho, ao fato que os pastores não estudam e se estudam ficam lendo Benny Hinn, Grage Hill, ou Rick Warren e usam as idéias para fazer suas teses. Além disso como os pastores não sabem grego nem hebraico, eles não fazem exegeses coerentes dos textos, e portanto fica apenas repetindo o lugar comum de sempre. Tem uns bons pregadores, como Ricardo Agreste e outros, mas os pastores locais na tem capacidade de inventar nada novo. mas pode piorar...
            Pior ainda é o pastor mais espiritual que não prepara a pregação. Fica falando em circulo, pois sabe que seu ouvintes não conseguem perceber que ele não tem argumentos, e no final ele usa algo emocional e faz o apelo. Já vi pregações onde o cabra cita um versículo, e fala de outra coisa, e no final volta ou versículo. 0% de coerência homilética 0% hermenêutica e 100% de energia emocional (isso cansa quem presta atenção nas coisas). No ultimo culto que fui, era uma senhora que não estudou teologia pregando, e eu achei uma boa pregação, pois considerando que ela não tinha as ferramentas hermenêuticas avançadas, mesmo assim ela falou coisas que tinham sentido e correspondia ao ensino da comunidade em questão, muito bom na minha opinião, mas se o sujeito pregador é pastor e tem formação, ele tem que ter mais argumentos e avançar de forma profunda nas questões bíblicas, e sinceramente, tirando o Haroldo da Batista Nova Esperança, faz tempo que não vejo coisa que preste.
            Por fim, o que seria um culto razoável ao meu ver: 1. Musicas Com Mensagem Bíblica bem estruturada em um altura audível (chega de barulheira), sem gritaria e sem emocionalismo (locais onde isso existe: Paróquia da Inclusão, presbiteriana jardim primavera..) 2. Ofertório discreto, pois doutrinas como aquelas que afirma que se não se pregar sobre oferta o povo estará sendo roubado da benção é HERESIA, alias a própria doutrina da oferta e do dizimo deveria ser revista biblicamente.(Algumas igrejas tradicionais, Caminho da Graça, Capela da Inclusão..) 3. Testemunho orientado para a experiência com Deus e não para bênção material (Ex: vi um testemunho católico, na TV, que tinha esse caráter, mas não sei se nas demais igrejas é assim...). 4. pregações que combinem espiritualidade, com experiência de vida e teologia sistemática coerente. Por vezes, muitos pregadores falam da vida como se fosse moleques, não entendendo as dificuldades e dores humanas, por exemplo: não entendo como as pessoas ficam doentes. É só orar e crer que sua enfermidade irá embora...esse tipo de afirmação é típica de canalhas mentirosos, ou de pessoas que nunca sofreram as dores da vida. (Igreja Batista Nova Esperança...)

            Ultimo comentário. O que é crítica? Crítica é falar o que se pensa sobre dados assuntos e é isso que eu fiz. No que isso implica? Implique que essas são minhas idéias que você pode (deveria ) ou não concordar. Além disso, todas as igrejas estão corretas, pois fazem o que lhes parecem melhor. Toda liturgia é resultado da soma dos valores da comunidade e da instituição, e quanto a isso não tenho nada a dizer, além de apenas guardar meu domingo para assistir o fantástico ou um bom filme.


Esse texto nasce como continuação do Pastores Pós-modernos, e é oriundo das discussões da lista de Eclesiologia ps-moderna no facebook. Agradecimento ao senhor Roberto Aguiar e a Sr. Timothi Pugh....



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sobre os pastores pós-modernos…

Sobre os pastores e pós-modernos…
Conversa com alunos (4)


            Este texto tem a finalidade de esclarecer algumas idéias colocadas em recente debate com a turma do facebook, especificamente sr Roberto Aguiar, Salomão Segóvia, Oclécio Cabral e Willian, agradeço a eles e aos demais pela oportunidade de pensar em temas tão importantes.
            Este texto é uma tentativa de síntese de algumas idéias, então, precisa ser melhorado e deve conter erros lógicos e gramaticais. Não é definitivo nem é a verdade suprema, mas sim uma contribuição humilde ao assunto discutido...


            Estava-se discutindo o problema referente aos pastores pós-modernos, no sentido de que estes seja um flagelo que assola as igrejas cristãs contemporâneas. Gostaria de apresentar alguns argumentos no sentido de afirmar que esta premissa está errada, e que existe um outro problema que deve ser vencido, a saber, a própria noção de ministério pastoral.
           Primeiramente é preciso discutir a noção de pós-modernidade. As leituras mais interessantes são Baumann, Giddens, Lyotard, Harvey, Thompson, e o próprio Foucault. Talvez uma lida no Anti-édipo do Deleize e Guatarri, mas acho que isso é fundamental para entender a coisa. Outros teóricos, com alguma razão, afirmam que a pós-modernidade não existe, pois é muito parecida com a própria modernidade. Essa discussão se existe ou não é ótima, justamente porque mostra o quando é volátil a percepção de onde estamos e para onde vamos. A pós-modernidade não deixa de ser uma modernidade, no casos, ela apenas levou às ultimas conseqüências os valores mais importantes. Habermas e Boaventura de Souza Santo fazem uma leitura diferente, no sentido de que o que experimenta-se hoje é uma crise da crença dos grandes mitos modernos, principalmente a idéias burguesa da sociedade do trabalho, e em segundo lugar a crença na sociedade cientifica que os positivistas afirmavam veementemente. É aqui que a igreja entra na discussão...
            A igreja evangélica brasileira é fruto de um movimento do auge da modernidade, a saber, a grande segunda revolução industrial, onde o marxismo, o positivismo e o liberalismo estavam se consolidado em como doutrinas relevantes. Os missionários protestantes, grande parte maçons, e portanto, adoradores do iluminismo, tinham em suas agendas missionárias a ideias de que cultura americana e evangelho (Boff – da conquista à evangelização) era a indissociáveis, e portanto ensinar a bugrada a ler e se vestir era uma forma de pregar o Jesus. Portanto, os pastores das primeiras igrejas tradicionais eram modernos, ensinavam ciências aos membros da igrejas (menos Darwin, é claro) e combatiam a cultura brasileira, por representar valores negativos como a negação ao trabalho e a sensualidade.
            Os pentecostais clássicos (década de 1910) são o inicio de um movimentos que é mais pós-moderno que moderno, pois agora não é mais o que o livro de doutrina diz , mas o que Deus diz na hora, portanto, o sentimento, o empirismo e a vivência tomaram lugar da ordem e da regra (analise superficial, mas que serve para o propósito deste texto). Logicamente que somando-se o momento histórico e a personalidade afrobrasileira, o pentecostalismo continuo combatendo as coisas da terra, mas acabou discretamente misturado com a forma americana, dos ternos e dos púlpitos, mas agora com sabores bem mais ao sul. O ponto positivo deste movimento, tanto o norte americano como o brasileiro é a inclusão do negro, e posteriormente a inclusão da mulher no quadros de obreiros (quadrangular).tomando posse dos próprios valores que combatia. Isso 
            Os neo-pentecostais foram mais longe, pois nascendo na pós-modenidade propriamente dita aprenderam a falar o que o povo quer ouvir, e usando a mídia televisiva abocanharam o mercado religioso que surgem na fenecência da era militar. Os seus membros são pós-modernos porque não querem saber a verdade, querem apenas o produto, e querem sentir que estão fazendo a coisa certa, pragmática que funciona. Entretanto, na igreja tradicional não era muito diferente, pois apesar de terem uma doutrina forte e consolida, ainda tinha inúmeros valores que propiciava a alienação, como por exemplo: os tabus sexuais, a não ordenação de mulheres e ainda o racimos que acontecia algumas vezes, além disso, os mais ricos sempre era tidos com mais carinho nas comunidade, de modo que já havia uma relação simbólica entre benção de Deus e prosperidade material/financeira.
            Hoje existem pastores mais pós-modernos como o Caio Fábio, que tem uma igrejas que não tem membros e que ele mesmo prega em todas as comunidade em todos os dias. Diga-se de passagem, é um bom trabalho, apesar de as vezes algumas pessoas saírem porque queriam ter uma carteira de membros e desejarem ser disciplinadas. O Malafaia é pós-moderno também, em outro sentido, pois o seu discurso muda conforme a necessidade, afirmando palavras de ordem no púlpito, mas vendendo bíblias e promessas na tv. Ele é um caso interessante, que Baumann e Habermas nos ajudam a entender, pois na pós-modernidade ter um discurso forte e reacionário, associado com uma pratica frouxa faz todo o sentido, pois a ação reacinária virulenta é um produto, asism como uma camiseta do Che Guevara vendida no Mcdonald`s. Acredito que o John Piper é um pastor moderno conservador de verdade, só para termos um parâmetro para a discussão.
            Mas qual é o problema da pastorada? O problema não é nada simples, pois o que estamos vivemos é uma era que não terminou, e portanto, difícil de explicar. Se o pastor é empregado da igreja, ele tem que cantar conforme os dogmas, se não é expulso, isso é bem moderno alias, então ele pode ser um grande salafrario, conquanto que fale o que está no estatuto, ou o que o povo quer ouvir. Se o pastor é independe, ele terá que falar o que o povo quer ouvir, senão, não terá dinheiro para comer no final do mês. Nos dois casos, a coisa é sempre uma questão de trocas simbólicas, que configura o mercado religioso contemporâneo. Basicamente o que é variável é o cliente, o católico, por exemplo, tem como cliente a instituição, assim como um pastor da universal, mas a instituição a IURD, mas a IURD tem como cliente os freqüentadores, enquanto que a ICAR tem dinheiro suficiente para não depender de seguidores, portanto, não faz questão de correr atrás das pessoas. Em uma igreja independe, o cliente são os freqüentadores que precisam ser mantidos na casa, se eles não estiverem satisfeitos existem outras igrejas para ir.
            John Maxwell fala sobre a profissionalização do ministério pastoral como uma coisa boa. Ou seja, a igreja contrata alguém treinado para executar uma função, ou seja, a igreja paga o salário e o pastor pastoreia de forma eficaz. Não acho isso mal ou errado, pois se todos estão de acordo e feliz, ok, mas não é bíblico. O problema que acho sério, é o caso muito comum no Brasil onde as denominações tradicionais pagam salários para incompetentes que se acham pastores, sujeitos que não tem preparo para fazer o serviço eclesiástico, apesar de terem estudado em seminários (a igreja católica está cheia de padres incompetentes também). Logicamente que algumas denominações gostam deste tipo de pastor, pois tem cara de piedade e colocam-se em posição de vitimas do sistema. Nestas denominações, quando aparece alguém competente, ele rapidamente entende que não precisa da denominação e depois de dois ou três anos de trabalho, tendo aprendido o esquema, sai com 50 membros e abre sua creche.
            Notem que o problema é complexo, pois está na estrutura moderna de igreja que vivemos aqui. Esse modelo americano, importado em varias levas gerou algo doente e esquizofrênico. Esquizo (ler anti-édipo) no sentido de que espera-se que o pastor pastorei como ministério e vocação, mas cobra-se uma atitude de empregado. As pessoas que freqüenta a igreja querem um pastor bonito, que faça seu trabalho, não importa como. Ao mesmo tempo em que querem imaginar que tudo é Deus e que existe um mover sobrenatural por traz da coisa litúrgica.
            O que queria dizer, basicamente, é que dizer que o problema são os pastores pós-modernos é um erro, pois todos são isso. A pós-modernidade é o ethos atual, e fora disso existe muita pouca coisa acontecendo. Até os mais tradicionais, se olhados de perto, estão pós-modernizados em sua alma, basta ir a uma igreja Calvinista e Observar um apelo, ninguém se importa se a doutrina diz ou não-diz, o importante é cantar eu escolhi Sr. Jesus e ir na frente responder ao apelo.[i]
Qual o problema então? O problema é o processo de contextualização que a igreja deveria fazer está acontecendo da forma errada (generalização, pois existem acertos também). Pois não está se buscando fazer o evangelho compreensivo às pessoas, mas sim, tenta-se usa o rotulo “evangelho” como símbolo com a finalidade de ajuntar pessoas para movimentar-se recursos financeiros. Ou, no caso dos pastores honestos, usa-se o evangelho como símbolo para comunicar uma doutrina, que na visão do pregador é a verdade absoluta. Poucos ensinam as pessoas a ler o evangelho.
Exemplo disso é a doutrina da graça. Todos falam que a salvação é pela graça, mas esses mesmos exigem que faça-se rituais para ser salvo, rituais como casamento, santa ceia, batismo, erguer as mão para abençoar o dizimo e dar o tal dizimo. Se é pela graça é graça...ou não? ai fica-se discutindo se a Dilma fez pacto com o Diabo, ou se ter uma moto com a cruz invertida vai dar brecha para o diabo causar um acidente. Se somos salvos pela graça, eu tenho que me benzer para o diabo não me fazer mal? Tem que receber a oração forte para tirar o encosto ou mal olhado? É uma graça bem sem graça e um Diabo bem poderoso. Isso é bem diferente do que aparece na Bíblia, onde o diabo tenta as pessoas, mas mesmo assim o crente suporta a provação para adorar a Deus em meio a dentadas de leões.
Por fim, o texto é bem critico, por isso é necessários dizer que nas igrejas e no meio pastoral tem muito gente boa, gente com coração aberto e cheio de alegria em servir. Essas pessoas são as que mais sofrem com as garras da religião institucional, porque às vezes a bondade deles torna-se pecado ou heresia. É só lembrarmo-nos de São Francisco de Assis ou mesmo de um Marçal de Souza. Se o pastor admite um gay ou um mendigo na igreja, ele é julgado pelas pessoas que querem a igreja como um lugar puro e limpo (Baumann), sem gays, divorciadas, aleijados, prostitutas, gordos, estrangeiros e outros diferentes (Norbert Elias – Out siders).
Recomendação: acredito que é necessária a pregação do evangelho da autonomia. Ou seja, as pessoas precisam de pastores que as ensine a ler a Bíblia direito (não metaforicamente nem de forma moralista) e a viver como gente adulta. As pessoas não precisam de pastores que comandem suas vidas, que liderem suas ações, nem de pais ou mestres, precisam de orientadores que ensinem sobre tomar a responsabilidade das escolhas (Heidegger) e a busca constante da maturidade enquanto pessoa.


[i] Piada explicada (1) na doutrina calvinista, o crente é predestinado, portanto não repecisa de apelo para aceitar a Jesus. Ou o cabra é ou não é. semelhantemente dizer eu escolhi é heresia ao olhos de João Calvino, pois é Deus que induz o crente pela graça irresistível. Não estou dizendo que isso faz sentido, mas o caso é que é o que a doutrina deles diz.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal é coisa de Criança - Reflexões Natalinas (3)


Natal é coisa de Criança

Reflexões Natalinas (3)


            Seguindo a discussão dos posts anteriores, gostaria de tratar aqui de uma fundamentação bíblica basica do Natal, a saber, Natal é coisa de Criança.
            Parece óbvio, mas devemos observar que o real sentido do natal é o nascimento de Jesus, que seria o salvador. Entretanto, deveríamos considera que nos textos Bíblicos canônicos existem dois natais, que apresentam quase os mesmo valores, a saber, a criança como ponto importante do processo kerigmatico e soterológico. (no final do texto eu explicarei o que isso significa...)
            Dizem os entendidos que Moises é um tipo Jesus, ou seja, ele era um exemplo de como seria o messias. Isso nos ajuda a entender, por exemplo, a necessidade de uma boa e consistente leitura do Antigo Testamento, pois é nele que estão as bases culturais daquilo que viria a ser o cristianismo.
            O ponto alto do judaísmo e do cristianismo é a páscoa, pois é ali que ambos os movimentos históricos tiveram seus pontos de efervescência simbólica. Aliás, a páscoa cristã significa a mesma coisa que a páscoa judaica, pois na judaica o povo é tirado do Egito para seguir à terra prometida, se considerarmos que Egito aparece como lugar de pecado e morte, notou que o cristianismo joga esses significados sobre o mundo, de modo que em Cristo os cristãos têm acesso à terra prometida eterna. Inúmeros símbolos são iguais, como por exemplo, a morte do primogênito, a travessia pelas águas, etc...
            Devemos considerar também que os eventos máximos não acontecem sem preparação, de modo que a crucificação não aconteceria sem ter havido anos (século?) de preparo. Um destes elementos mais importantes de preparo foi o nascimento de Jesus, que está em volto de significados muito parecido com o nascimento de Moisés, e ainda, com o nosso problema social contemporâneo.
            Moises nasce em meio a um processo infanticida que pretendia, através da morte das crianças israelitas, diminuir a população de descendentes de Abraão. A busca da manutenção do poder também levou Herodes, um deles, a fazer o mesmo com as crianças de Belém, com a finalidade de livrar-se do messias que poderia colocar em risco seus domínios sobre aquela parte da palestina. Tudo isso não tinha função religiosa, era apenas algo político, um processo covarde de eliminação de pessoas.
            Hoje, pensando que o Natal na Bíblia foi uma época de salvação e ao mesmo tempo de morte de milhares de crianças, deveríamos pensar se por algum acaso não estaríamos fazendo a mesma coisa.
            Bem, diria você, hoje temos o ECA (estatuto da criança e do adolescente) que protege as crianças, temos a lei da palmada que ainda não foi votada e ainda as bolsa famílias que dão uma força para o pessoal carente. Onde estarão sendo mortas crianças de colo? Eu mostro:
            Quando o governo não investe em hospitais, crianças de colo e não nascidos morrem por falta de atendimento e mesmo socorro, sem dizer a moda do erro médico de injetar coisa errada na veia de bebês. Quando o governo não investe em geração de empregos, faz com que pais vivam na miséria, que em si já mata muitas crianças, mas que gera o contexto onde essa criança será morta como criminosa na adolescência, ou viverá a vida toda fazendo mal as pessoas ou presa. Quando o governo não investe nas escolas publicas, deixando crianças confinadas em verdadeiros chiqueiros, com professos mal remunerados, elas não morrerão por causa disso, mas também não porão gerar filhos com perspectivas melhores que as deles.
            As igrejas ficam preocupadas com a legalização do aborto, isso é como tirar o cisco e deixar a trave nos olhos. As igrejas deveriam lutar pela melhoria da sociedade, pela geração de empregos, pelo combate a corrupção e pela promoção social. Ao invés disso estão preocupados com a vida pessoas de mulheres e adolescentes que por algum motivo não querem ter filhos, ou ainda, lutam com o direito de homossexuais que querem os mesmos direito que os demais cidadãos pagadores de impostos. A igreja não tem que concordar com nada que ela não queira (teologia é um problema institucional), mas deveria focar em coisas realmente importantes, e não nas coisas secundárias, de modo que uma vez resolvidas as primárias, desigualdade, injustiça e misérias, as secundárias estaria bem mais fáceis de serem discutidas e resolvidas.
            Neste sentido, o Natal é soterológico, ou seja, o natal tem haver com salvação. Nos tempos de Moisés, salvação foi sair da escravidão e seguir rumo a liberdade. O cristianismo foi à libertação das garras da morte e do legalismo, em direção a vida eterna. Para nós, ele funciona das duas maneiras, pois dever-se-ia libertar o cativo e aqueles que estão em situação de opressão social, ao mesmo tempo que não terminamos na materialidade, pois seguimos para uma vida eterna.
            Também, o natal é kerigmatico, ou seja, é tempo de anuncio da salvação em Cristo Jesus, pois das crianças é o reino dos Céus, e a mensagem de cristo é anunciada a elas quando as pessoas a sua volta experimenta os valores do reino. Muito mais importante que falar que Jesus Salva é demonstrar o amor de Deus ao próximo, pois Deus se manifesta por meio de nós.
            Kerigma e Sotera estão intimamente ligados. Não há anuncio sem salvação, não há salvação sem anuncio. Nada adiantaria dizer que Deus é bom, e o povo de Israel continuar sob o julgo do Egito, de nada adiantara dizer que Jesus salva, se não houvessem as comunidades que se reunião como grandes família para a pratica do cuidado fraterno e da comunhão. Por isso a igreja perde seu poder quando vira algo diferente daquilo que ela nasceu para ser.
            Natal é um tempo de preparação. Se desejarmos um futuro melhor, devemos usar o natal como momento de valorização da amizade, respeito, afeição, simpatia e amor (ágape) de modo que as crianças de hoje, aprendendo isso, possa em breve ser ato do processo de mudança da realidade. Natal é coisa de criança, assim como o futuro e a esperança...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Ceia de Natal - Reflexões Natalinas (2)

A ceia de Natal
Desde o ano passado estou pensando em discutir sobre a questão da ceia de natal. Portanto, vou tentar pontuar algumas coisas, e ainda dar um pouco de opinião sobre o tema. É muito importante refletirmos sobre isso e as conseqüências das coisas que tem sido ensinadas por ai, o caso é que espero que alguém além do Adaltro Albinelli leia e comente o texto...
Alguns pregadores e outros faladores midiáticos constroem uma série de criticas afirmando que a ceia de natal é algo que desvia a visão das pessoas com respeito ao verdadeiro significado no natal, a saber, o que é Jesus. O fato é que esse raciocínio está equivocado em diversas dimensões, e mesmo quando ele acerta (nos casos onde os mortos de fome só pensam em comer e beber), ele falha na sua intenção com respeito aos problemas.
Primeiramente devemos considerar devemos considerar quais são as dimensões a serem consideradas a questão em das comemorações de natal. Em primeiro lugar, deve-se considerar a instancia teológica do evento, depois devemos considerar o problema sociológicos das relações sociais, e por fim devemos considerar a coisa na perspectiva dos seus fins e objetivos.
Teologicamente até as crianças sabem quem Jesus não nasceu no dia 24/25 de dezembro, de modo que não preciso levantar aqui os argumentos óbvios que comprovam isso. Entretanto, a Igreja cristã escolheu esta data tendo em vista a necessidade que ela sentido de comemorar o natalício de Jesus. Isso não está errado, pois é importando promover eventos que rememorem as datas importantes de uma religião.
Na tradição cristã, um dos elementos simbólicos mais importantes é o presépio. Ali é representada a Sagrada Família, em sua condição de pobres, desamparados, dependentes de Deus, e sendo abençoados por ricos segundo a vontade de Deus. (ler Mateus). Ao olhar para o presépio, deveríamos nos lembrar que existem milhares de pessoas com filhos pequenos, em situação de risco, por vezes dentre animais, que não tem ninguém por eles.
Nesta mesma tradição, existe a questão dos presentes dos magos, que alias nem magos são, que deveria seguir de modelo simples para as praticas cristãs. Veja, onde está Jesus, está nas favelas, filhos de uma mãe solteira, que não tem condições de se sustentar.
Na tradição cristã inventaram o papai Noel, que dizem alguns, é uma inversão da coca-cola, ou é um santo católico que dava presente. Ainda estou pensando se é sadio as crianças acreditarem no bom velhinho, pois acredito que realidade é o melhor fortificante para a alma, mas não deixa de ser algo lúdico e que gera encantamento nas pessoas. O papai Noel é uma boa desculpa para adultos se fantasiarem para alegrar crianças, para levar alegria, e se a criança tiver condição e orientação correta, no dia que ela descobrir quem é o papai Noel ela vai pensar: puxa, quando eu crescer eu vou querer me fantasiar e alegrar as crianças. Logicamente que isso poderia ser convertido em desgosto e decepção, e eu ainda não estou convicto de uma resposta consistente sobre isso.
As ceias de natal onde a família senta-se em volta de uma mesa, com comida e com presente é uma benção, pois grande parte das pessoas não tem condições de ter uma vivencia destas. Algumas não têm dinheiro para comer, outras não têm parentes para compartilhar aqueles momentos e ainda outros não têm nem amigos para compartilhar um copo de cidra.
Ter uma família que consiga dirimir seus conflitos e possa estar em comunhão é um dos grandes desafios da pós-modernidade, e que isso possa parecer prosaico, perceba que a igreja deveria trabalhar em prol de que as pessoas desenvolvam as habilidades necessárias para convergir às pessoas e entes (queridos ou não) para a unidade.
Então aparece um pregador mal informado que fica esbravejando no púlpito que o natal não é o peru assado, mas sim Jesus. É óbvio que o natal não é a comida (Peru, porco, farofa, pudim), mas também não é a religião, não é o Cristo simbólico, mas sim é o Jesus que compartilha da ceia com os seus.
Os cristãos que acreditam nesta conversa acabam indo as festas apenas para exalar seu farisaísmo, acusando as pessoas de beberem e lembrando as pessoas de seus pecados. Os cristãos devem ser lembrados como aqueles que alegram os ambientes, as festas, as casas e as vidas de todos os que estão próximos.
Em termos de finalidade, deveríamos pensar na ceia de natal como um momento de geração de relações interpessoais. Se reclamarmos que a família é uma instituição falida, isso se deve ao fato de que não gastamos tempo construído pontes de relações uns com os outros. Todas as relações têm seu preço, não são fáceis, e de fato não acredito que devem ser forçadas, mas criticar a ceia é uma falta de percepção do problema como um todo. Além, disso, espiritualidade expressa na relação das pessoas umas com as outras, portanto é bem mais cristão estar com as pessoas em uma ceia que estar em uma igreja cantando músicas cansativas e fazendo orações rituais.
Por fim, troque um culto por uma visita. As pessoas que receberem sua atenção vão agradecer a Deus porque um anjo os visitou. Parem de criticar o frango, os presentes, os símbolos de natal, antes, aprenda a ler a beleza que eles expressão (ok, é um padrão estético gringo) e seja você também um propagador de alegria e paz valorizando os momentos que você pode ter com os seus próximos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tolos, Loucos e Excêntricos. Reflexão sobre o dia do Teólogo.


Acho que essa coisa de teologia é realmente coisa de louco. Fico pensando que quando eu passo na rua as pessoas apontam o dedo e falam, eis o professor de teologia que é doido. Isso faz todo sentido para mim...
A melhor definição de teólogo é aquela feita por Rubem Alves, um teólogo de verdade, de que os teólogos são aqueles que falam a respeito de Deus, e não apenas aqueles que dominam uma ciência lógica com respeito a divindade. Esse é o primeiro elemento que reforça a tese que teologia é uma loucura, pois se estamos falando sobre Deus, que é transcendental por definição, é muito provável que as pessoas não entendam, e todo que as pessoas não tem capacidade de apreciar é loucura.
Depois, fico pensando na piada sobre a comparação entre filosofia metafísica e teologia, onde o filosofo metafísico é aquele que procura em um dado quarto escuro um gato preto que não está lá, ao passo que o teólogo se propõe ao mesmo intento, mas acaba tendo mais sorte, ou não, que o amigo metafísico por encontra o bichano que não existe. Isso também é uma loucura, pois talvez o gato que o teólogo encontrar é bem diferente que os gatos que os crentes (no sentido daquele que acreditam nas coisas) tem comprado por ai no mercado religioso. Alias, isso é muito estranho, porque os crentes preferem acreditar que Aristóteles era uma feiticeiro matemáticos, e que o ensino da matemática está satanizando as crianças nas escolas (ver Ana Mendez: In: http://www.youtube.com/watch?v=t0yzchJ-n7I). O caso é que é muito mais fácil acreditar nisso do que encarar a realidade e pegar um livro como Tillich ou Barth para dar uma lida, não apenas por serem livros grossos e sem figuras, mas porque falam de responsabilidade pessoal, e coisas que a crentalhada não quer nem ouvir falar.
Lembro-me de um problema sério que era aquela frase de alguns professores que tive a qual dizia que tais e tais assuntos são coisas do seminário e não para a igrejas. Isso também ajudar da criar a idéia de que os teólogos são malucos, pois via de regra acabam sendo discussões extremamente distantes da realidade imagética da igreja. Isso me faz lembrar de um amigo, que estudou e deu aula comigo, que certa feita teve em sua igreja uma certa pregadora famosa (Neuza Itioka ), fato que me forço a ridicularizá-lo em particular, tendo em vista que qualquer teólogo iniciante nota as incoerências de tal pregadora, depois de muito agüentar ele solta: as vezes, temos que esquecer a teologia...é claro que ele estava certo, principalmente quando deseja-se animar pessoas e encher a igrejas os cofres da mesma.
Não sei quem foi a anta que inventou essa historia de que o teólogo tem que trazer esperança para as pessoas, ninguém se propôs a isso na Bíblia, geralmente Jesus, Paulo, Pedro e semelhantes afirmavam que as coisa só se tornariam piores e piores, e era bom correr se não nem os cristão seriam salvos no ultimo dia. Porque raios tenho, como teólogo, que alisar a cabeça de marmanjo e marmanjas? Eles têm que saber que a vida é dura, e que a missão cristã é feita com os dois pés no chão, levando pedra e chicotada, sem mentiras baratas, mas afirmando verdades. (ex: sim, você vai morrer; se você faliu isso aconteceu porque você é incompetente; você está passando fome porque existe uma coisa chamada capitalismo que está pouco se lixando para você e sua família; você não tem atendimento médico e educação de qualidade porque votou em vereadores, prefeitos e governadores irresponsáveis, etc....)
Maluco? Eu? Não...maluco é que lê a Bíblia e não entende que ser cristão é ser como Cristo, ou seja, olhar pelos necessitados, tomar um vinho com os amigos no sábado, falar a verdade, e mais importante arcar com as conseqüências de seus atos. Tudo que vai alem disso é religião, que às vezes pode até ser divertida, mas não passa de perda de tempo e dinheiro, quando não descamba para abusos espirituais, sociais e mesmo sexuais.
Maluco, eu? Sim. Porque maluquice é uma questão muito mais social do que psiquiátrica. Eu não sou maluco, mas a sociedade que me considera assim, é que está enganada, e arcará com as conseqüências de seus atos. Por isso, em hebraico, profeta é nabhi, da mesma raiz de Nabal, que significa louco.
A função do teólogo é falar a verdade com respeito a Deus e aos homens, neste dia do Teólogo, deveríamos refletir, juntamente com pastores e alunos de teologia qual é a função da coisa teológica, e buscar cumprir nossa função junto a sociedade a e igreja, a saber, falar a respeito de Deus.....