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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...
Dialogo sobre o lugar da teologia no mundo eclesiástico.



Senão vejamos, que não foi apenas uma vez que me disseram que ao invés de ficar criticando a igreja, eu deveria fazer alguma coisa. Aliás, eu deveria ajudar alguém de alguma forma. Portanto, este texto tem a finalidade de ajudar alguém a compreender algumas coisas importantes que as igrejas deveriam ensinar a seus freqüentadores, mas não ensinam. Apesar de tudo não sei se é justo culpabilizar as igrejas por não ensinarem essas coisas, pois as pessoas freqüentam as igrejas justamente por elas não ensinarem esse tipo de coisa.
A primeira coisa interessante, que acredito que todos deveriam saber com relação a vida, o universo e tudo mais, é que toda afirmação só tem implicações sobre quem acredita nela. Recomendaria um leitura de Nicolau Maquiavel com respeito ao tema, conquanto não recomendo segui-lo como doutrinador, mas sim conhecê-lo para saber como as pessoas podem tentar enganar você. Sim, as afirmações que faço, sobre qualquer assunto, só tem implicação sobre quem acredita, quero disser que quando um pessoa vai a uma igreja e o pastor diz que ela tem que dar tudo, ele está tentando fazer o sujeito dar alguma coisa, e o ouvinte que acredita nisso, acaba dando mais do que pode. Veja que para o pastor não faz diferença o quanto foi dado, não faz diferença se o sujeito vai passar fome depois daquilo, pois se o sujeito um dia aparecer e falar que as coisas não aconteceram, o pastor vai dizer para ir reclamar com Deus.
A segunda coisa interessante, ou não, é com respeito a questão dos grupos religiosos em si. Não penso que ser religioso e ou freqüentar um grupo, centro ou igreja seja em ruim em si, pelo menos por enquanto, ainda vejo alguns benefícios em participar. Mas a questão é: qual o lugar que este grupo religioso deve ocupar na vida do sujeito. O que é a vida? bem isso é difícil de entender e impossível de explicar corretamente, mas a priore, a vida social de um sujeito é formadas por várias relações sobrepostas, por exemplo, famíliares, relacionamento amorosos, relacionamentos profissionais, relacionamentos lúdicos e a sempre esquecida relação consigo mesmo. se Freud estiver certo, e de fato ele acerta na maioria dos casos, as religiões mudam as prioridades dos fiéis de modo que as novelas da religião tornam-se mais importantes que as novelas pessoais (as vezes o simulacro é mais interessante que a realidade). Neste sentido, a religião vai querer que você só tenha relações sociais com as pessoas da casa, e segundo regras da religião em si. Por fim, ela vai querer que o sujeito se relacione consigo mesmo segundo regras da religião, ai os budistas e cristãos se encontram no ponto de ônibus do discurso religioso, no qual o fiel tem que negar o eu. O fiel deve priorizar o nós. (o agricultor é Jesus e as arvres somos nozes...) Veja que isso não é ruim quando o nós é uma instância inteligente, que debate e delibera sobre as coisas, o problema é quando o nós é um líder pirado que acha que está curando o mundo com suas verdades e que sua leitura bíblica é a verdadeira (Macedo, Malafaia, Feliciano, outros...). Diria Boff que boa religião faz do sujeito uma pessoa melhor, e acho que pessoa melhor é igual relacionamento melhores, e relacionamento melhores é igual a mundo melhor...portanto, grupo religioso bom é um que facilita sua vida, melhor amigo, melhor família, melhor amante, melhor amigo de si mesmo.
Terceira e ultima coisas que acredito poder ajudar as pessoas religiosas. As pessoas acham que os trabalhos eclesiásticos (de todas as religiões) estão fazendo um bem as pessoas, estão ajudando. Eu tenho minhas duvidas se ir todos os domingo cantar as mesmas musicas, ouvir uma pregação (boa ou ruim), falar mal da vida alhei e depois comer bolachas seja realmente algo que contribua para a vida das pessoas. Mas talvez, nas situações de crise, seja um momento para a pessoa parar e se refrigerar, já vi isso de fato, mas o que é problemático é que a pessoa não aprende nunca a ser gente. Fica trinta ou quarenta anos ouvindo a mesma conversa e nunca consegue raciocinar para mudar de vida e seguir em frente, nunca consegue tornar-se pessoa e assumir a responsabilidade de seus atos e decisões. Sempre na dependencia da Palavra do tal pastor, ou de alguma promessa divina, nunca tomando decisões e nunca se colocando a disposição de arcar com as conseqüências de seus atos. (pois foi o diabo, não fui eu...). Neste sentido, a igreja torna-se apenas uma prisão semântica que não faz com que o sujeito crescer e torne-se livre. A Bíblia diz que conhecendo a verdade, ela libertaria, e a verdade é Jesus. Jesus tinha amigos, fazia o que achava que era certo, tinha relações familiares coerentes (esqueça a briguinha com Maria na festa...) e ainda tinha tempo para ser o messias. (não tinha namorada para não ter sogra). Aliás, liberdade é um conceito que deveria ser explorado de forma mais exegética, conquanto ser um conceito grego, usando em um contexto grego, e com finalidade gregas.
Por fim, estes argumentos fazem parte das idéias de conceitos que tenho trabalhado sobre o guarda-chuva da Teologia da Autonomia, brevemente em uma revista da Avon perto de você. Para que ser a logias sobre theós (teologia)? Serve para questionar e pensar sobre o tema, de modo que o indivíduo tome suas decisões, é para isso que a igreja e seu púlpito deveria se prestar, e não para afirmar verdades absolutas sem garantia, pois toda certeza é perigosa, principalmente porque no ultimo dia, não haverá PROCON para buscar-se os direitos com respeito a verdades mentirosas. Recomendo ler a Bíblia coerentemente, e ainda recomendo encarecidamente que não me sigam...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As igrejas são todas iguais, salvo exceções...

Conversas no facebook (1)



            Estando eu a insultar alguns no Facebook, insurgiu uma polêmica com respeito a minha afirmação de que as igrejas são todas iguais. Isso é deveras agressivo, considerando que grande parte dos participantes do grupo de discussão são pastores e cuidam de suas respectivas igrejas. Além disso, afirmei que geralmente os cultos tem um louvou ruim e pregações piores, agora esterei justificando minhas colocações com alguns poucos e pobres argumentos. Espero, desde já manifestações no comentários do blog...

            Vamos ao meu currículo: participei (o?) de igrejas neo-ortodoxa desde 1994. já foi na Assembléia de Deus, já freqüentei a Comunidade Cristã, já freqüentei presbiterianas grandes e pequenas, já estive me igrejas batistas, já estive me comunidades pentecostais de bairros, já foi em congressos, retiros, conversões. Já foi em culto metodista, culto G12, culto Nova Aliança, Culto Luterano, Culto Luteranos Pentecostal. Acho que isso me permite dizer algumas coisas....
            Primeiramente, os cultos são todos iguais em termos de musica. São sempre as mesmas, se a equipe é fraca são aquelas mesmas musicas da década de 1990, como em espirio em verdade, e outra da comunidade zona sul. Ai começam a bater palmas, e sempre tem umas senhoras que não acertam a batida, é engrado mas mostra desrespeito com os mais velhos que gostam de hinos. Quando a igrejas tem mais condições colocam musicas novas da lagoinha e do David Killer, que ficam repetindo a mesma frase melhares de vezes, na que as musicas sejam ruins em si, mas seu uso continuo enjoa. Teologiamnte elas são aberrações, como aquela do Balsamo de Gileade, ou aquela das águas profundas....pior de todas é aquela que queima uma noiva.
            Segunda coisa, a liturgia depende da denominação, mas geralmente elas caminham para paradigma Louvor, Testemunho, oferta e pregação. Eu não deveria reclama isso, pois é melhor que aquilo que acontece na IURD onde é oferta, musica, oferta, musica, oração oferta, oferta pregação, oferta tira demônio, e oferta final. Não acho a lógica errada, mas ajuda a entendermos que tudo é igual em todas.
            Terceira coisa, os dirigentes são sempre um show a parte. alguns tem algum talente, convenhamos, mas via de regra não tem muita percepção do que estão fazendo. Geralmente cantam mal, mas isso não é problema. Acho chatissimo quando começam a pregar, durante quase uma hora, ou ainda, quando começam a afirmar que são levitas e tal, e que a unção está na bateria. Pior que isso, o dirigente começa com aquela micareta mandando os irmãos virarem para o lado e dizerem frases: eu te amo ou a benção tralalá.. Mas ainda não acabou, pode piorar quando começam aquelas músicas com dancinhas, três passinho para o lado, e ergue a mão, acho isso de uma cretinice insuportável e uma falta de respeito. Confesso que já foi músico e dirigente de culto, e desde aquela época era mais fácil ficar no palco que no publico, para não ter que ficar fazendo esse rituais. Por fim, para encerra a noite, o dirigente começa a orar em línguas estranhas....ninguém merece, principalmente quando você leva um visitante na igreja.
            Quanta coisa, O testemunho é um momento que muitas igrejas usam em suas liturgias. É terrível, principalmente quando você conhece a vida pessoal das pessoas da igrejas e sabe que elas estão mentido. Geralmente é aquela história Deus me deu um carro, Deus salvou-me casamento. Se a igrejas tem 3 a 10 membros, é legal até, dá para ser bem útil compartilhas as coisas, mas numa igreja de 300 pessoas, isso é freak show que apenas enrola a liturgia. Voltando ao dirigente, as vezes não tem ninguém querendo pagar o mico do testemunho, e o tal dirigente começa a ameaçar a platéia de que Deus vai tirar a benção dos irmão se eles não forem contar...prometi para mim mesmo que da próxima vez que eu estiver em um culto e um dirigente fizer isso, vou dizer: Cale-se, saia daí e traga o pastor logo que estou com presa....
            O mesmo principio se aplica as oportunidades que acontecem nas igrejas pentecostais tradicionais, são bem intencionadas mas quando tem-se uma dúzia de oportunidades é cansativo demais. Alias, o pior culto que fui na vida foi na igreja A Palavra de Cristo para o Brasil, era um culto que congregava todas as igrejas, durou coisa de umas 5 horas, eu fiquei cerca de 3 horas em pé. Ninguém prestava atenção quanto as pessoas faziam performances de todos os tipo, a pior delas, foi um pastor, já de certa idade com uma capa de cetim e um espada de papel encenando algo envolta da Bíblia, com alguns escudeiros, ridículo é pouco para exprimir o meu sentimento, se fosse crianças de 4 anos, eu até entenderia mas um velho, nunca assembléia de velhas fazendo aquilo, tenha paciência.

            Quinta coisa, as pregações são sempre as mesmas. É uma dúzia de versículos que sempre são pregados em todas as igrejas. Isso deve-se, eu acho, ao fato que os pastores não estudam e se estudam ficam lendo Benny Hinn, Grage Hill, ou Rick Warren e usam as idéias para fazer suas teses. Além disso como os pastores não sabem grego nem hebraico, eles não fazem exegeses coerentes dos textos, e portanto fica apenas repetindo o lugar comum de sempre. Tem uns bons pregadores, como Ricardo Agreste e outros, mas os pastores locais na tem capacidade de inventar nada novo. mas pode piorar...
            Pior ainda é o pastor mais espiritual que não prepara a pregação. Fica falando em circulo, pois sabe que seu ouvintes não conseguem perceber que ele não tem argumentos, e no final ele usa algo emocional e faz o apelo. Já vi pregações onde o cabra cita um versículo, e fala de outra coisa, e no final volta ou versículo. 0% de coerência homilética 0% hermenêutica e 100% de energia emocional (isso cansa quem presta atenção nas coisas). No ultimo culto que fui, era uma senhora que não estudou teologia pregando, e eu achei uma boa pregação, pois considerando que ela não tinha as ferramentas hermenêuticas avançadas, mesmo assim ela falou coisas que tinham sentido e correspondia ao ensino da comunidade em questão, muito bom na minha opinião, mas se o sujeito pregador é pastor e tem formação, ele tem que ter mais argumentos e avançar de forma profunda nas questões bíblicas, e sinceramente, tirando o Haroldo da Batista Nova Esperança, faz tempo que não vejo coisa que preste.
            Por fim, o que seria um culto razoável ao meu ver: 1. Musicas Com Mensagem Bíblica bem estruturada em um altura audível (chega de barulheira), sem gritaria e sem emocionalismo (locais onde isso existe: Paróquia da Inclusão, presbiteriana jardim primavera..) 2. Ofertório discreto, pois doutrinas como aquelas que afirma que se não se pregar sobre oferta o povo estará sendo roubado da benção é HERESIA, alias a própria doutrina da oferta e do dizimo deveria ser revista biblicamente.(Algumas igrejas tradicionais, Caminho da Graça, Capela da Inclusão..) 3. Testemunho orientado para a experiência com Deus e não para bênção material (Ex: vi um testemunho católico, na TV, que tinha esse caráter, mas não sei se nas demais igrejas é assim...). 4. pregações que combinem espiritualidade, com experiência de vida e teologia sistemática coerente. Por vezes, muitos pregadores falam da vida como se fosse moleques, não entendendo as dificuldades e dores humanas, por exemplo: não entendo como as pessoas ficam doentes. É só orar e crer que sua enfermidade irá embora...esse tipo de afirmação é típica de canalhas mentirosos, ou de pessoas que nunca sofreram as dores da vida. (Igreja Batista Nova Esperança...)

            Ultimo comentário. O que é crítica? Crítica é falar o que se pensa sobre dados assuntos e é isso que eu fiz. No que isso implica? Implique que essas são minhas idéias que você pode (deveria ) ou não concordar. Além disso, todas as igrejas estão corretas, pois fazem o que lhes parecem melhor. Toda liturgia é resultado da soma dos valores da comunidade e da instituição, e quanto a isso não tenho nada a dizer, além de apenas guardar meu domingo para assistir o fantástico ou um bom filme.


Esse texto nasce como continuação do Pastores Pós-modernos, e é oriundo das discussões da lista de Eclesiologia ps-moderna no facebook. Agradecimento ao senhor Roberto Aguiar e a Sr. Timothi Pugh....



domingo, 17 de abril de 2011

Sobre Semana, Semana Santa…

Toda segunda feira é a mesma coisa, plano e projeto que deverão ser feito executados, ou o contrario, a mesmice que vai demorar séculos para terminar. Alguns esperam que a semana acabe logo, outro esperam que ele nunca acabe de forma que não tenham que enfrentar mais um final de semana miserável. Outros, meu caso, nem verão a semana passar de tantas coisas que serão feitas, e das milhares de outras coisas que deixarão de ser executadas.

Pior ainda é que essa semana, semana santa, acabará antes do fim. Quarta-Feira será o death-line para quatro dias de rememoração da páscoa. Para alguns será comer ovos, para outros comerão peixe, para outros nada disso. Haverá por acaso alguém que se lembrará do sentido disso?




John 1:29-31 29 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30 É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. 31 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água.
O cordeiro de Deus é o cordeiro da páscoa, que no antigo Egito guardou os primogênitos da morte que vagou na escuridão, e que nos livra da morte eterna através da cruz do calvário. Páscoa significa passagem, passagem da morte para a vida, da escravidão do Egito para a liberdade do deserto.
Incoerência....o que é melhor, ser escravo ou viver na miséria no meio do nada? De fato, provisoriamente é melhor ser escravo, pois sofre-se relativamente menos. Mas se consideramos o devir, ou seja, o que podemos nos tornar no deserto, ai sim, notamos que é melhor partir para enfrentar as agruras do desconhecido do que simplesmente esperar a morte chegar.
O sacrifício de Cristo na cruz não é um fim em si mesmo, mas sim abertura de um universo de possibilidades para a experiência de uma verdadeira humanidade. Quando Jesus morre na cruz, pagando os pecados daqueles que o recebem como messias, somos libertos do peso da culpa do pecado. Isso significaria uma liberdade muito grande, uma autonomia muito grande, que implica em responsabilidade para com o próprio ser, respondendo por si mesmo.
A religião faz o caminho contrário da espiritualidade cristã. Se na experiência com Cristo nos faz livre, a experiência com a religião (todas elas) nos prende a modelos e sistemas que na maior parte das vezes funcionou um dia, mas perde-se ao longo da transformação histórica. Leonardo Boff ensina que as religiões nascem como receitas ou formulas propostas por pessoas que experimentaram a coisas luminosa e tentam possibilitar isso a outros interessados.
A autonomia não significa simplesmente o seguimento do credo existencialista nitszchiriano, mas a plena convicção de que a socialização e o modo de socialização, ou seja, a obediência das regras e normas porque se escolhe fazer isso, e até mesmo através do processo de construção dos parâmetros daquele que se está praticando.
Muitos ficam chateados com a coisa da relatividade característica da pós-modernidade, com a coisa de não se ter certeza e radicalidade na definição do que é e o que não é. A construção do ser passa pelo desenvolvimento da subjetividade e da percepção das necessidades de si mesmo. Em Cristo não somos chamados à cumprir novas lei e regras, e mas parar buscarmos da melhor forma possível, buscando soluções para os conflitos de relações sociais e ambientais.
Paulo, o apostolo, na carta de Gálatas, aponta que o crescimento da igreja deve ser feito no espírito, e não na carne. Os frutos do espírito não são leis ou regras, mas são princípios estóicos do bom viver, das boas relações e de uma boa sociedade. Vale pensarmos sobre como praticarmos isso, como vivenciarmos isso, e ainda, como transcendermos o comum, e avançarmos para a transcendentalização dos valores cristãos.
Sim, será uma semana incompleta de qualquer maneira. Mas poderia ser uma semana onde, assim como o batista, pudéssemos realmente reconhecer e aponta para o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, que tira o pecado de mim, e que nos dá animo para desenvolvermos novas formas de fazer a vontade de Deus, forma autenticas e genuínas de expressar amor e reverencia...

by Marcos Henrique

terça-feira, 22 de março de 2011

Sobre o desastre Japonês e os urubus evangélicos...

Sobre o desastre Japonês e os urubus evangélicos...

Marcos Henrique Garcia dos Anjos

Os recentes acontecimentos no Japão mostraram o quanto os seres humanos e suas obras são frágeis perante a natureza. Muitas pessoas mortas, pessoas que ficaram doentes devido a radiação, pessoas que perderam todos os bens matérias, pessoas que perderam os entes queridos, e mesmo seus animais de estimação. A tristeza disso é profunda, e aponta para a nossa própria pequenez mediante a vida, ao mundo e a historia como um todo. O fato, é que a Bíblia já diz que o sol nasce para o bom e para o maus, e ainda, que é na angustia que se faz o irmão (Prov 17:17).

Provérbios 27:10 10 Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.

Entretanto, sempre que ocorrem esses momentos históricos de comoção aparecem os urubus atraídos pelo cheiro, ou pela esperança, da carniça fácil. Neste sentido, apesar de milhares de manifestações de solidariedade no meio evangélico, ainda tem surgido vozes de anônimos e de famosos afirmando ser este evento um resultado da ira de Deus, e resultado da incredulidade, da arrogância e da ganância dos Japoneses.

Primeiramente, isso demonstra a tremenda falta de solidariedade que essas criaturas têm para com o próximo. Solidariedade é uma palavra do mesmo campo semântico de empatia, e de fato essas pessoas não têm simpatia nenhuma pelas pessoas que sofrem. Lembro-me do 11 de setembro de 2001, onde muitos evocaram uma fala de que dizia que aquilo era resultado do pecado do povo americano, e depois, no desastre do furacão Katrina, observaram que New Orleans era um reduto de feiticeiros e do voodoo. Se Deus agisse desta forma, Brasília e grande parte das igrejas evangélicas que conheço já teriam sido tragadas pelo chão, ou carcinadas como Sodoma e Gomorra.

Em segundo lugar, existe o problema da falta de conhecimento histórico. Pois, antes de discutirmos os problemas teológicos devemos considerar que todo aquele que afirma que os japoneses não aceitam a Jesus por serem materialistas, como certo formador de opinião tem dito, não conhece a história da evangelização do Japão.

Sabe-se o evangelho chegou no século XVI , com o Jesuíta Francisco Xavier que desenvolveu amplo trabalho ali, até que os processos políticos locais tornaram-se hostis aos estrangeiros. Considerando a estrutura feldal deste período, há relatos de aristocratas que chegam a convertes 18000 vassalos e a construir dezenas de igrejas. No governo de Tokugawa os cristão foram perseguidos e expulsos, mas já no 1873, na era meiji, o cristianismo foi liberado (ver: http://www.culturajaponesa.com.br/htm/ cristianismo.html). Depois disso, começo do século XX, muitas igrejas proliferaram no Japão, e muitos foram alcançados, tanto por católicos quanto por protestantes (ver: historia da igreja Holiness).

Quando da segunda Guerra Mundial, o imperialismo Japonês impôs sobre a igreja forte perseguição, de modo que pastores e cristãos foram mortos, ao passo que outros foram obrigados a reverenciar o imperador como divindade. Após a guerra a igreja caiu em descrédito, justamente pela desestruturação da liderança, pela perda de credibilidade daqueles que se prostraram, os lideres e cristão fieis que sobraram ficaram em situação difícil, pois o invasor era cristão, e portanto, adorar o deus do inimigo não me parece algo fácil de qualquer maneira. Na Alemanha, aliada do Japão nesta guerra, o processo foi semelhantes (ver Dietrich Bonhoeffer), sendo que a igreja permaneceu existindo por fazer parte da cultura local, diferente do Japão onde ela não estava consolidada. Um detalhe curioso, é que Nagazaki, cidade destruída por uma das bombas nucleares americanas, era um dos maiores centros católicos da época.

Alem disso, com a relativa desestruturação da religião tradicional surgiram as novas formas de religiosidade japonesas, como o Seicho-no-ie, Messiânica e outras, que de uma forma ou de outro fizeram uma mistura entre o positivista racionalista ocidental, um pouco de confucionismo, alguns elementos Cristão e o próprio Xintoísmo.

Além disso, a pregação do evangelho como é feita no ocidente não responde as questões do japonês contemporâneo, o jurássico Jesus salva, liberta e cura é incompleto para atingir um povo que tem fortes referenciais culturais e étnicos. Para o brasileiro que nem sabe de onde veio, é fácil mudar de religião da noite para o dia, mas para alguém que conhece seu passado e sabe pensar seu futuro, a pregação dos arautos contemporâneos não tem muito sentido. Se a Bíblia fosse lida como se deve, poder-se-ia alcançar muitos japoneses, falando de aspectos da mensagem de Cristo que lhes responderiam as principais perguntas e anseios existenciais. Para tanto, seria necessária uma investigação cultural profunda, além de um esforço teológico e institucional no sentido de caminhar na direção ao evangelizado de forma contextualizada e coerente. Entretanto se repararmos que a maioria dos pastores e missionário que trabalha com missão, japonesa ou não, nem se dispõe a aprender a língua dos nativos, tal ambição tem ares utópicos.

Em terceiro lugar, voltando a questão dos que se vangloriam na desgraça do desastre, a questão da falta de conhecimento teológico com respeito a teologia da desastre.

Luke 13:1-5 ARA 1 Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. 2 Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? 3 Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 4 Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a Torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5 Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

Neste texto, é ensinado que aqueles que morrem em desastres sociais e naturais, não sabemos por que a torre caiu, talvez tenha sido um sismo, são tão pecadores quanto aqueles que não morreram. Isso gera a necessidade de solidariedade e empatia para os que sofrem, e não um espírito de superioridade, afirmando que quem fica é mais juntos que quem vai.

Na perícope posterior, Jesus prossegue falando da figueira, onde se ela não der frutos será arrancada. A figueira não são as pessoas que sofrem, mas sim o povo de Deus, ou seja, os cristãos que não tem misericórdia, pois eles mesmos, a seu tempo, se não derem frutos, deverão ser tirados por motivos práticos. O Fruto da figueira, que é o povo de Deus, pode ser visto em Gálatas 5.

No que tange a Igreja, o problema central é a falta de evangelho. No Grego evangelho significa boa noticia, informando que formos salvos da morte, no fronte da cruz, e que Jesus ressuscitado e nos espera para o grande final. O evangelho é isonômico, pois todos somos pecadores, e somos salvos pela graça do Cristo, e não somos melhores ou mais santos que os demais seres humanos, também não somos mais amados por Deus que as demais pessoas que caminham sobre a terra sendo, portanto o único diferencial, o fato de termos nos achegados a Deus por intermédio de Jesus.

Posto isso, falta evangelho na igreja, pois a maioria das pessoas não se converte por experimentar o amor de Deus, antes vão à igreja porque estão com graves problemas. Não que isso seja errado (C.S. Lewis), mas o fato é que quando resolvem seus problemas com a ajuda de Deus, acabam por não acreditando que Deus não seja amor, Deus, para eles, é um negociante mesquinho que causa o mal para encher sua igreja, de forma que essas pessoas permanecem nas comunidades muito mais por medo de serem punidos do que por experimentarem o verdadeiro amor de Deus. Tenho visto pessoas com trinta e cinqüenta anos de igreja, algumas que são lideres e pastores, que ainda não experimentaram o amor gratuito de Deus. Por outro lado, existem milhares de cristão que se abandonaram na graça de Deus, e tem feito muita diferença nestes dias.

Em conseqüência disso, temos a teologia da igreja como um hospital. Se tenho que aceitar que a igreja é local de cura, que em certa passagem do Novo Testamento grego aparece como therapeu, não tenho que crer que a igreja seja um hospício de pessoas que nunca se curam, e devem ser armazenadas ali para não fazerem mal ao restante da população. Não estou falando, de forma alguma, dos doentes físicos ou mentais, que alias são colocados na igreja para que demonstremos nosso amor, mas refiro-me àqueles que não entendem a graça de Deus, não aprendem a ter paciência e tolerância para com os que pensam de forma diferente.

Por que existe tanto problema nas igrejas? Fofoca, mentira, julgamento, hipocrisia, intolerância e outros casos ocorrem porque as pessoas não experimentaram o amor pleno de Deus. Um bom exemplo disso é a frase comum que se diz quando alguém nãos e converte: é...deus vai ter que pesar a mão sobre a vida de fulano para que ele se converta. Vejam que as pessoas que dizem isso desejam que o mal aconteça sobre a vida de alguém, para que possam ser humilhadas e venho à igreja se prostrar. Outro exemplo é quando alguém acaba engravidando do namorado, e vai a frente pedir perdão a igreja, muitos ficam felizes dizendo: bem feito, sempre achei que fulana e o beutrano eram arrogantes etc...ou ainda, quando acontece com um filho de um líder ou pastor, ficam questionando se os pais dos jovens são tementes a Deus ou não.

Por fim, acredito que devemos nos solidarizar com os japoneses, pois esses dias são difíceis. Não devemos julgar nem apontam, antes é a presença de Deus, através da igreja verdadeira que fará a diferença na vida daquelas pessoas. Não importa se elas aceitarem Jesus ou não, o importante é fazer aquilo que o próprio Jesus faria, amar sem esperar nada em troca, e continuar fazendo o bem até que ele venha.