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quarta-feira, 14 de maio de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
Os desigrejados - é possível ser cristão sem frequentar uma igreja?
Conversas com
alunos 06.
Para mim, teologia é a busca de
respostas às questões que são vivas e interessantes. Posto isso, sinto a
necessidade de escrever algo sobre a questão do desigrejamento[1]
com base na pergunta de um querido aluno. A pergunta era a seguinte: é possível
ser cristão e não frequentar uma igreja?
Primeiramente devemos considerar
o que é ser cristão. Biblicamente é aquele indivíduo que tenta ser um pequeno
cristo, ou seja, que considera Jesus como filho de Deus, ou Deus dependendo de
onde historicamente você estiver, e que tente de uma forma ou de outra
manifestar as mesmas coisas que o Jesus dos quatro evangelhos manifestou. Certamente
que os megalomaníacos acham que é sair por ai fazendo milagres, coisa que ninguém
faz tendo em vista a fila dos postos de saúde que não param de crescer, mas é possível
sair por ai demonstrando amor e perdão pelas pessoas. Logicamente que o ensino
do Cristo Bíblico é um pouco mais complicado e extenso que cuidar, amar,
perdoar e amar, mas parece praticável em qualquer contexto e cultura.
Posto isso, a igreja que em
grego é a assembleia dos cristãos, tem a finalidade de reprodução social do
discurso cristão. Calma, complicado mais explico. A igreja é a instituição
social que tem como finalidade reforçar a prática e o discurso cristão e
portanto, ela deveria apresentar, ensinar e revitalizar o discurso enquanto
prática cotidiana. Mas, suponha que essa instituição social não faça isso, que
ela não ensine corretamente os ensinos de Jesus, que ela apenas cobre condutas impossíveis
de seus membros, condutas as quais nem seus sacerdotes fazem. Então, ao invés
dela reproduzir socialmente os valores do reino de Deus, elas apenas
institucionaliza uma dada doutrina histórica e exerça sobre seus membros poder
social e político que este lhe dê seu dizimo.
Mas pode piorar. Agora imagine
que no que tange a espiritualidade essa igreja acredite que seu membro ideal
deva ser um neurótico, com surtos todos os domingo. Neurose, uma inflamação de neurônios,
no sentido de tomar para si narrativas simbólicas religiosas e permanecer
focado nelas por meses, até que a igreja apresente outra historia em outro
evento para que a pessoa continue em pânico e permaneça ali. E não estou me referindo
às neopentecostais.
Então o sujeito, vai nessa igreja, acredita
na coisa de Jesus, mas depois de alguns anos percebe que é insuportável viver
naquela comunidade, assim como nas demais. Será que ele está errado? Pode até
estar, entretanto, é por falta de opção que se afasta tendo em vista que não
consegue ver motivo que compense o custo de gastar seu tempo ali. Pode-se evocar
o argumento de que a Bíblia ordena isso ou aquilo, mas o fato é que as pessoas
vão a um lugar quando tem um bom motivo para fazê-lo, e eu acredito que os
desigrejador simplesmente perderam esse motivo. Além do fato que as pessoas, que
frequentam não dão a mínima para a Bíblia, pois alguns leram e poucos
entenderam.
Estava ouvindo um debate sobre o
tema (com Augustos Nicodemus), e apareceu um termo interessante que é a palavra
decepção. Os celebres pensadores da mesa argumentaram acertadamente que grande
parte dos desigrejados são pessoas que se decepcionaram com a igreja. Contra isso
argumentaram que as pessoas não podem ficar decepcionadas com a igreja e que
por mais que ela erre não há motivo para abandona-la. Em resumo, sugeriram que
os decepcionados com a igreja são crianças que deveriam engolir o choro e
voltar a “comunhão e aos sacramentos”.
Eu até concordaria com esse
argumento, em outro momento da minha vida eu defenderia isso certamente, mas
como sou um desigrejado e talvez o pior de todos eles, penso que esse argumento
é tremendamente falho e perturbador. Falho porque desconsidera que a igreja, no
processo de evangelização (proselitismo) e na educação cristã, faz promessas
que Deus nunca fez, e que ao não serem cumpridas causa muita dor. Perturbador,
pois ao invés de olhar para a igreja, acusam os desistentes de serem fracos e melindrosos,
e dão a entender que essas pessoas deveriam se comportar como mulheres que ao
serem agredidas pelos maridos, permaneçam fiéis a estes. Além do fato de que o
argumento de que os sacramentos podem comunicar graça ao fiel é algo triste, religiosamente
primário e existencialmente infantil.
A pergunta era: é possível ser
cristão e não frequentar a igreja? É difícil, mas às vezes é a única forma
possível, tendo em vista a quantidade de igrejas ruins que existem por aí. Biblicamente
a igreja tinha seu valor enquanto comunidade dos santos, onda as pessoas
atuavam coletivamente e eram atendidas coletivamente. Não há indicação da
necessidade esotérica de ter certificado de batismo, carteirinha de membro, unção
do pastor nem cobertura espiritual. Se havia relação era entre mestre e discípulo
no aprendizado, e considerando Lucas, notamos que eles transitavam
constantemente entre grupos, mesmo com discursos distintos.
Existem algumas igrejas que
tentam fazer algo bom para as pessoas e seu valor deve ser reconhecido e
destacado. Entretanto, essa noção contemporânea de igreja evangélica tornou-se
cansativa, chata, cheia de rituais e coisinhas que com o tempo enjoam qualquer
pessoa. Se elas querem resgatar os desigrejados devem repensar sua prática e
suas ações, de modo que possam responder às necessidades espirituais destas
pessoas que apesar de terem desistido da igreja, ainda teimam em buscar o
caminho de Jesus.
[1] Desigrejado
é o cristão evangélicos que apesar de ser cristão não frequenta nem é filiado e
uma igreja, denominação ou comunidade religiosa.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
As Igrejas na Europa Viram clubes, Museus e Cafés...isso é ruim mesmo???
Há muitos anos isso tem aparecido na
mídia especializada ou não. São noticias horripilantes para o brasileiro médio,
de que igrejas na Europa têm sido transformadas em espaço com outras
finalidades, dentre elas, bares, museus, templos de outras religiões e mesmo
boates, se citarmos aquelas que simplesmente encontram-se fechadas.
Qual o problema? Bem o problema é
que a leitura deste fenômeno precisa melhorar, porque ela geralmente não contempla
o problema corretamente (no meu ponto de vista), de modo a não relacionar a
causa correta ao problema verdadeiro. Precisamos, portanto, entender essa
relação, de modo a se desenvolver uma resposta mais coerente ao problema
religioso contemporâneo.
Via de Regra, toda religião delimita
para si um dado espaço, e tempo, religioso com a finalidade de estabelecer ali
regras (formas e psicossociais) diferenciadas com fins a sua prática
espiritual. Isso tem motivos razoáveis, os quais qualquer pessoa que se
incomoda com celular tocando durante uma atividade qualquer pode conceber por si
mesmo. Quanto aos motivos espirituais, os quais geram regras administrativas de
energias e de contextos, de modo que o participante seja guiado rumo ao objeto
de contemplação.
O Termo sagrada tem relação com a noção
de separado, que agrega capital simbólico (mana) a objetos, espaços ou papeis
sociais com finalidade de promover ao devoto da religião a tal experiência. Isso,
nos textos antropológicos mais conservadores é categorizado como técnica religiosa,
que dependendo de como olhamos, é o que diferencia as diversas religiões.
Posto isso, faz todo sentido uma
dada religião ter seu templo, ter suas regras e rituais, de modo a promover sua
ideia e seus valores. Logicamente que teólogos cristãos do final do século XX já
apontavam[1]
a necessidade das igrejas mudarem o foco do templo para o ministério, afirmando
que a ênfase administrativa no templo era algo característico de igrejas
rurais, coisa não coerente com uma dinâmica urbana.
Logicamente que na cidade os templos
serão necessários, mas com uma finalidade diferente, tendo em vista que tendem
a serem transformados os templos em shoppings Center [2]
que atendam o maior numero de necessidades possíveis. O Problema disso, é que
para os Geógrafos, os shoppings são chamados de não-locais, conquanto não tenha
identidade própria e não tem reder de relação social consistente. A igreja
(rural?) é um local religioso por natureza, o qual gera não apenas relação entre o frequentador e as coisas alis presentes, mas gera identidade local por meio interpessoalidade das pessoas que se relacionam por
meio das mesmas ideias e valores.
Se a igreja transforma-se me
não-local, qualquer igreja serve, torna-se não-igreja, como os canais da TV, e, portanto, as relações
sociais deixam de ser importantes, perdem energia, assim como a doutrina e os valores.
Logicamente que a igreja evangélica
pentecostal é pouco consciente de suas ideias e valores, pois acreditam serem “de
Deus” e não fazem auto-reflexão com respeito ao seus discurso, que nada mais é do que o conjunto de dispositivos desenvolvidos social-historicamente. Isso impede
uma reflexão bíblica e a percepção da ação dos seus atores e de suas práticas religiosas e administrativas,
muito parecido com o que houve na Europa antes da falência do sistema antigo.
Então, ao olhar para o problema
europeu, é importante entendermos que as igrejas tradicionais perderam
paulatinamente sua função social porque pararam de atender as demandas
espirituais do seu povo. Muitos ficam choramingando contra a pós-modernidade,
mas o caso é que a igreja recusa-se a falar a língua e a linguagem de seu povo,
cultiva em seu meio uma casta de sacerdotes inúteis e ainda preocupam mais com
seus prédios do que com as vidas. Essa igreja merece acabar...
O Brasil vai passar por esse mesmo
fenômeno se a igreja cristã não reorganizar suas prioridades. A primeira
prioridade é a educação religiosa, a qual não tem sido feita a contento. Milhares
de pessoas frequentam os cultos, mas não sabem ler uma Bíblia, não sabem as
doutrinas básicas das igrejas que frequentam não saber viver e nem mesmos
exercer seus direitos de cidadão. Segundo prioridade, é a reorientação do
processo de formação dos pastores e obreiros, é necessário um maior número de
pessoas, principalmente pastores de tempo parcial, que tenham capacidade de
fazer o trabalho de pastoreio e não de arrecadação financeira. Terceiro ponto,
a dinâmica doutrinaria precisa caminha para discussões relativas à responsabilidade,
autonomia e liberdade, de modo que cada cristão seja sacerdote, no sentido de
levar Deus aos outros e viver em Deus.
Observação importante é que ninguém lê
em Apocalipse que no reino de Deus escatológico não haverá mais templo. O fim
dos templos é algo bom, sem templo o povo de Deus vai para as ruas, praças e
casas, de onde alias, nunca deveria ter saído...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
As igrejas são todas iguais, salvo exceções...
Conversas no facebook (1)
Estando eu a insultar alguns no Facebook, insurgiu uma polêmica com respeito a minha afirmação de que as igrejas são todas iguais. Isso é deveras agressivo, considerando que grande parte dos participantes do grupo de discussão são pastores e cuidam de suas respectivas igrejas. Além disso, afirmei que geralmente os cultos tem um louvou ruim e pregações piores, agora esterei justificando minhas colocações com alguns poucos e pobres argumentos. Espero, desde já manifestações no comentários do blog...
Vamos ao meu currículo: participei (o?) de igrejas neo-ortodoxa desde 1994. já foi na Assembléia de Deus, já freqüentei a Comunidade Cristã, já freqüentei presbiterianas grandes e pequenas, já estive me igrejas batistas, já estive me comunidades pentecostais de bairros, já foi em congressos, retiros, conversões. Já foi em culto metodista, culto G12, culto Nova Aliança, Culto Luterano, Culto Luteranos Pentecostal. Acho que isso me permite dizer algumas coisas....
Primeiramente, os cultos são todos iguais em termos de musica. São sempre as mesmas, se a equipe é fraca são aquelas mesmas musicas da década de 1990, como em espirio em verdade, e outra da comunidade zona sul. Ai começam a bater palmas, e sempre tem umas senhoras que não acertam a batida, é engrado mas mostra desrespeito com os mais velhos que gostam de hinos. Quando a igrejas tem mais condições colocam musicas novas da lagoinha e do David Killer, que ficam repetindo a mesma frase melhares de vezes, na que as musicas sejam ruins em si, mas seu uso continuo enjoa. Teologiamnte elas são aberrações, como aquela do Balsamo de Gileade, ou aquela das águas profundas....pior de todas é aquela que queima uma noiva.
Segunda coisa, a liturgia depende da denominação, mas geralmente elas caminham para paradigma Louvor, Testemunho, oferta e pregação. Eu não deveria reclama isso, pois é melhor que aquilo que acontece na IURD onde é oferta, musica, oferta, musica, oração oferta, oferta pregação, oferta tira demônio, e oferta final. Não acho a lógica errada, mas ajuda a entendermos que tudo é igual em todas.
Terceira coisa, os dirigentes são sempre um show a parte. alguns tem algum talente, convenhamos, mas via de regra não tem muita percepção do que estão fazendo. Geralmente cantam mal, mas isso não é problema. Acho chatissimo quando começam a pregar, durante quase uma hora, ou ainda, quando começam a afirmar que são levitas e tal, e que a unção está na bateria. Pior que isso, o dirigente começa com aquela micareta mandando os irmãos virarem para o lado e dizerem frases: eu te amo ou a benção tralalá.. Mas ainda não acabou, pode piorar quando começam aquelas músicas com dancinhas, três passinho para o lado, e ergue a mão, acho isso de uma cretinice insuportável e uma falta de respeito. Confesso que já foi músico e dirigente de culto, e desde aquela época era mais fácil ficar no palco que no publico, para não ter que ficar fazendo esse rituais. Por fim, para encerra a noite, o dirigente começa a orar em línguas estranhas....ninguém merece, principalmente quando você leva um visitante na igreja.
Quanta coisa, O testemunho é um momento que muitas igrejas usam em suas liturgias. É terrível, principalmente quando você conhece a vida pessoal das pessoas da igrejas e sabe que elas estão mentido. Geralmente é aquela história Deus me deu um carro, Deus salvou-me casamento. Se a igrejas tem 3 a 10 membros, é legal até, dá para ser bem útil compartilhas as coisas, mas numa igreja de 300 pessoas, isso é freak show que apenas enrola a liturgia. Voltando ao dirigente, as vezes não tem ninguém querendo pagar o mico do testemunho, e o tal dirigente começa a ameaçar a platéia de que Deus vai tirar a benção dos irmão se eles não forem contar...prometi para mim mesmo que da próxima vez que eu estiver em um culto e um dirigente fizer isso, vou dizer: Cale-se, saia daí e traga o pastor logo que estou com presa....
O mesmo principio se aplica as oportunidades que acontecem nas igrejas pentecostais tradicionais, são bem intencionadas mas quando tem-se uma dúzia de oportunidades é cansativo demais. Alias, o pior culto que fui na vida foi na igreja A Palavra de Cristo para o Brasil, era um culto que congregava todas as igrejas, durou coisa de umas 5 horas, eu fiquei cerca de 3 horas em pé. Ninguém prestava atenção quanto as pessoas faziam performances de todos os tipo, a pior delas, foi um pastor, já de certa idade com uma capa de cetim e um espada de papel encenando algo envolta da Bíblia, com alguns escudeiros, ridículo é pouco para exprimir o meu sentimento, se fosse crianças de 4 anos, eu até entenderia mas um velho, nunca assembléia de velhas fazendo aquilo, tenha paciência.
Quinta coisa, as pregações são sempre as mesmas. É uma dúzia de versículos que sempre são pregados em todas as igrejas. Isso deve-se, eu acho, ao fato que os pastores não estudam e se estudam ficam lendo Benny Hinn, Grage Hill, ou Rick Warren e usam as idéias para fazer suas teses. Além disso como os pastores não sabem grego nem hebraico, eles não fazem exegeses coerentes dos textos, e portanto fica apenas repetindo o lugar comum de sempre. Tem uns bons pregadores, como Ricardo Agreste e outros, mas os pastores locais na tem capacidade de inventar nada novo. mas pode piorar...
Pior ainda é o pastor mais espiritual que não prepara a pregação. Fica falando em circulo, pois sabe que seu ouvintes não conseguem perceber que ele não tem argumentos, e no final ele usa algo emocional e faz o apelo. Já vi pregações onde o cabra cita um versículo, e fala de outra coisa, e no final volta ou versículo. 0% de coerência homilética 0% hermenêutica e 100% de energia emocional (isso cansa quem presta atenção nas coisas). No ultimo culto que fui, era uma senhora que não estudou teologia pregando, e eu achei uma boa pregação, pois considerando que ela não tinha as ferramentas hermenêuticas avançadas, mesmo assim ela falou coisas que tinham sentido e correspondia ao ensino da comunidade em questão, muito bom na minha opinião, mas se o sujeito pregador é pastor e tem formação, ele tem que ter mais argumentos e avançar de forma profunda nas questões bíblicas, e sinceramente, tirando o Haroldo da Batista Nova Esperança, faz tempo que não vejo coisa que preste.
Por fim, o que seria um culto razoável ao meu ver: 1. Musicas Com Mensagem Bíblica bem estruturada em um altura audível (chega de barulheira), sem gritaria e sem emocionalismo (locais onde isso existe: Paróquia da Inclusão, presbiteriana jardim primavera..) 2. Ofertório discreto, pois doutrinas como aquelas que afirma que se não se pregar sobre oferta o povo estará sendo roubado da benção é HERESIA, alias a própria doutrina da oferta e do dizimo deveria ser revista biblicamente.(Algumas igrejas tradicionais, Caminho da Graça, Capela da Inclusão..) 3. Testemunho orientado para a experiência com Deus e não para bênção material (Ex: vi um testemunho católico, na TV, que tinha esse caráter, mas não sei se nas demais igrejas é assim...). 4. pregações que combinem espiritualidade, com experiência de vida e teologia sistemática coerente. Por vezes, muitos pregadores falam da vida como se fosse moleques, não entendendo as dificuldades e dores humanas, por exemplo: não entendo como as pessoas ficam doentes. É só orar e crer que sua enfermidade irá embora...esse tipo de afirmação é típica de canalhas mentirosos, ou de pessoas que nunca sofreram as dores da vida. (Igreja Batista Nova Esperança...)
Ultimo comentário. O que é crítica? Crítica é falar o que se pensa sobre dados assuntos e é isso que eu fiz. No que isso implica? Implique que essas são minhas idéias que você pode (deveria ) ou não concordar. Além disso, todas as igrejas estão corretas, pois fazem o que lhes parecem melhor. Toda liturgia é resultado da soma dos valores da comunidade e da instituição, e quanto a isso não tenho nada a dizer, além de apenas guardar meu domingo para assistir o fantástico ou um bom filme.
Esse texto nasce como continuação do Pastores Pós-modernos, e é oriundo das discussões da lista de Eclesiologia ps-moderna no facebook. Agradecimento ao senhor Roberto Aguiar e a Sr. Timothi Pugh....
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Sobre os pastores pós-modernos…
Sobre os pastores e pós-modernos…
Conversa com alunos (4)
Este texto tem a finalidade de esclarecer algumas idéias colocadas em recente debate com a turma do facebook, especificamente sr Roberto Aguiar, Salomão Segóvia, Oclécio Cabral e Willian, agradeço a eles e aos demais pela oportunidade de pensar em temas tão importantes.
Este texto é uma tentativa de síntese de algumas idéias, então, precisa ser melhorado e deve conter erros lógicos e gramaticais. Não é definitivo nem é a verdade suprema, mas sim uma contribuição humilde ao assunto discutido...
Estava-se discutindo o problema referente aos pastores pós-modernos, no sentido de que estes seja um flagelo que assola as igrejas cristãs contemporâneas. Gostaria de apresentar alguns argumentos no sentido de afirmar que esta premissa está errada, e que existe um outro problema que deve ser vencido, a saber, a própria noção de ministério pastoral.
Primeiramente é preciso discutir a noção de pós-modernidade. As leituras mais interessantes são Baumann, Giddens, Lyotard, Harvey, Thompson, e o próprio Foucault. Talvez uma lida no Anti-édipo do Deleize e Guatarri, mas acho que isso é fundamental para entender a coisa. Outros teóricos, com alguma razão, afirmam que a pós-modernidade não existe, pois é muito parecida com a própria modernidade. Essa discussão se existe ou não é ótima, justamente porque mostra o quando é volátil a percepção de onde estamos e para onde vamos. A pós-modernidade não deixa de ser uma modernidade, no casos, ela apenas levou às ultimas conseqüências os valores mais importantes. Habermas e Boaventura de Souza Santo fazem uma leitura diferente, no sentido de que o que experimenta-se hoje é uma crise da crença dos grandes mitos modernos, principalmente a idéias burguesa da sociedade do trabalho, e em segundo lugar a crença na sociedade cientifica que os positivistas afirmavam veementemente. É aqui que a igreja entra na discussão...
A igreja evangélica brasileira é fruto de um movimento do auge da modernidade, a saber, a grande segunda revolução industrial, onde o marxismo, o positivismo e o liberalismo estavam se consolidado em como doutrinas relevantes. Os missionários protestantes, grande parte maçons, e portanto, adoradores do iluminismo, tinham em suas agendas missionárias a ideias de que cultura americana e evangelho (Boff – da conquista à evangelização) era a indissociáveis, e portanto ensinar a bugrada a ler e se vestir era uma forma de pregar o Jesus. Portanto, os pastores das primeiras igrejas tradicionais eram modernos, ensinavam ciências aos membros da igrejas (menos Darwin, é claro) e combatiam a cultura brasileira, por representar valores negativos como a negação ao trabalho e a sensualidade.
Os pentecostais clássicos (década de 1910) são o inicio de um movimentos que é mais pós-moderno que moderno, pois agora não é mais o que o livro de doutrina diz , mas o que Deus diz na hora, portanto, o sentimento, o empirismo e a vivência tomaram lugar da ordem e da regra (analise superficial, mas que serve para o propósito deste texto). Logicamente que somando-se o momento histórico e a personalidade afrobrasileira, o pentecostalismo continuo combatendo as coisas da terra, mas acabou discretamente misturado com a forma americana, dos ternos e dos púlpitos, mas agora com sabores bem mais ao sul. O ponto positivo deste movimento, tanto o norte americano como o brasileiro é a inclusão do negro, e posteriormente a inclusão da mulher no quadros de obreiros (quadrangular).tomando posse dos próprios valores que combatia. Isso
Os neo-pentecostais foram mais longe, pois nascendo na pós-modenidade propriamente dita aprenderam a falar o que o povo quer ouvir, e usando a mídia televisiva abocanharam o mercado religioso que surgem na fenecência da era militar. Os seus membros são pós-modernos porque não querem saber a verdade, querem apenas o produto, e querem sentir que estão fazendo a coisa certa, pragmática que funciona. Entretanto, na igreja tradicional não era muito diferente, pois apesar de terem uma doutrina forte e consolida, ainda tinha inúmeros valores que propiciava a alienação, como por exemplo: os tabus sexuais, a não ordenação de mulheres e ainda o racimos que acontecia algumas vezes, além disso, os mais ricos sempre era tidos com mais carinho nas comunidade, de modo que já havia uma relação simbólica entre benção de Deus e prosperidade material/financeira.
Mas qual é o problema da pastorada? O problema não é nada simples, pois o que estamos vivemos é uma era que não terminou, e portanto, difícil de explicar. Se o pastor é empregado da igreja, ele tem que cantar conforme os dogmas, se não é expulso, isso é bem moderno alias, então ele pode ser um grande salafrario, conquanto que fale o que está no estatuto, ou o que o povo quer ouvir. Se o pastor é independe, ele terá que falar o que o povo quer ouvir, senão, não terá dinheiro para comer no final do mês. Nos dois casos, a coisa é sempre uma questão de trocas simbólicas, que configura o mercado religioso contemporâneo. Basicamente o que é variável é o cliente, o católico, por exemplo, tem como cliente a instituição, assim como um pastor da universal, mas a instituição a IURD, mas a IURD tem como cliente os freqüentadores, enquanto que a ICAR tem dinheiro suficiente para não depender de seguidores, portanto, não faz questão de correr atrás das pessoas. Em uma igreja independe, o cliente são os freqüentadores que precisam ser mantidos na casa, se eles não estiverem satisfeitos existem outras igrejas para ir.
John Maxwell fala sobre a profissionalização do ministério pastoral como uma coisa boa. Ou seja, a igreja contrata alguém treinado para executar uma função, ou seja, a igreja paga o salário e o pastor pastoreia de forma eficaz. Não acho isso mal ou errado, pois se todos estão de acordo e feliz, ok, mas não é bíblico. O problema que acho sério, é o caso muito comum no Brasil onde as denominações tradicionais pagam salários para incompetentes que se acham pastores, sujeitos que não tem preparo para fazer o serviço eclesiástico, apesar de terem estudado em seminários (a igreja católica está cheia de padres incompetentes também). Logicamente que algumas denominações gostam deste tipo de pastor, pois tem cara de piedade e colocam-se em posição de vitimas do sistema. Nestas denominações, quando aparece alguém competente, ele rapidamente entende que não precisa da denominação e depois de dois ou três anos de trabalho, tendo aprendido o esquema, sai com 50 membros e abre sua creche.
Notem que o problema é complexo, pois está na estrutura moderna de igreja que vivemos aqui. Esse modelo americano, importado em varias levas gerou algo doente e esquizofrênico. Esquizo (ler anti-édipo) no sentido de que espera-se que o pastor pastorei como ministério e vocação, mas cobra-se uma atitude de empregado. As pessoas que freqüenta a igreja querem um pastor bonito, que faça seu trabalho, não importa como. Ao mesmo tempo em que querem imaginar que tudo é Deus e que existe um mover sobrenatural por traz da coisa litúrgica.
O que queria dizer, basicamente, é que dizer que o problema são os pastores pós-modernos é um erro, pois todos são isso. A pós-modernidade é o ethos atual, e fora disso existe muita pouca coisa acontecendo. Até os mais tradicionais, se olhados de perto, estão pós-modernizados em sua alma, basta ir a uma igreja Calvinista e Observar um apelo, ninguém se importa se a doutrina diz ou não-diz, o importante é cantar eu escolhi Sr. Jesus e ir na frente responder ao apelo.[i]
Qual o problema então? O problema é o processo de contextualização que a igreja deveria fazer está acontecendo da forma errada (generalização, pois existem acertos também). Pois não está se buscando fazer o evangelho compreensivo às pessoas, mas sim, tenta-se usa o rotulo “evangelho” como símbolo com a finalidade de ajuntar pessoas para movimentar-se recursos financeiros. Ou, no caso dos pastores honestos, usa-se o evangelho como símbolo para comunicar uma doutrina, que na visão do pregador é a verdade absoluta. Poucos ensinam as pessoas a ler o evangelho.
Exemplo disso é a doutrina da graça. Todos falam que a salvação é pela graça, mas esses mesmos exigem que faça-se rituais para ser salvo, rituais como casamento, santa ceia, batismo, erguer as mão para abençoar o dizimo e dar o tal dizimo. Se é pela graça é graça...ou não? ai fica-se discutindo se a Dilma fez pacto com o Diabo, ou se ter uma moto com a cruz invertida vai dar brecha para o diabo causar um acidente. Se somos salvos pela graça, eu tenho que me benzer para o diabo não me fazer mal? Tem que receber a oração forte para tirar o encosto ou mal olhado? É uma graça bem sem graça e um Diabo bem poderoso. Isso é bem diferente do que aparece na Bíblia, onde o diabo tenta as pessoas, mas mesmo assim o crente suporta a provação para adorar a Deus em meio a dentadas de leões.
Por fim, o texto é bem critico, por isso é necessários dizer que nas igrejas e no meio pastoral tem muito gente boa, gente com coração aberto e cheio de alegria em servir. Essas pessoas são as que mais sofrem com as garras da religião institucional, porque às vezes a bondade deles torna-se pecado ou heresia. É só lembrarmo-nos de São Francisco de Assis ou mesmo de um Marçal de Souza. Se o pastor admite um gay ou um mendigo na igreja, ele é julgado pelas pessoas que querem a igreja como um lugar puro e limpo (Baumann), sem gays, divorciadas, aleijados, prostitutas, gordos, estrangeiros e outros diferentes (Norbert Elias – Out siders).
Recomendação: acredito que é necessária a pregação do evangelho da autonomia. Ou seja, as pessoas precisam de pastores que as ensine a ler a Bíblia direito (não metaforicamente nem de forma moralista) e a viver como gente adulta. As pessoas não precisam de pastores que comandem suas vidas, que liderem suas ações, nem de pais ou mestres, precisam de orientadores que ensinem sobre tomar a responsabilidade das escolhas (Heidegger) e a busca constante da maturidade enquanto pessoa.
[i] Piada explicada (1) na doutrina calvinista, o crente é predestinado, portanto não repecisa de apelo para aceitar a Jesus. Ou o cabra é ou não é. semelhantemente dizer eu escolhi é heresia ao olhos de João Calvino, pois é Deus que induz o crente pela graça irresistível. Não estou dizendo que isso faz sentido, mas o caso é que é o que a doutrina deles diz.
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