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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sobre os pastores pós-modernos…

Sobre os pastores e pós-modernos…
Conversa com alunos (4)


            Este texto tem a finalidade de esclarecer algumas idéias colocadas em recente debate com a turma do facebook, especificamente sr Roberto Aguiar, Salomão Segóvia, Oclécio Cabral e Willian, agradeço a eles e aos demais pela oportunidade de pensar em temas tão importantes.
            Este texto é uma tentativa de síntese de algumas idéias, então, precisa ser melhorado e deve conter erros lógicos e gramaticais. Não é definitivo nem é a verdade suprema, mas sim uma contribuição humilde ao assunto discutido...


            Estava-se discutindo o problema referente aos pastores pós-modernos, no sentido de que estes seja um flagelo que assola as igrejas cristãs contemporâneas. Gostaria de apresentar alguns argumentos no sentido de afirmar que esta premissa está errada, e que existe um outro problema que deve ser vencido, a saber, a própria noção de ministério pastoral.
           Primeiramente é preciso discutir a noção de pós-modernidade. As leituras mais interessantes são Baumann, Giddens, Lyotard, Harvey, Thompson, e o próprio Foucault. Talvez uma lida no Anti-édipo do Deleize e Guatarri, mas acho que isso é fundamental para entender a coisa. Outros teóricos, com alguma razão, afirmam que a pós-modernidade não existe, pois é muito parecida com a própria modernidade. Essa discussão se existe ou não é ótima, justamente porque mostra o quando é volátil a percepção de onde estamos e para onde vamos. A pós-modernidade não deixa de ser uma modernidade, no casos, ela apenas levou às ultimas conseqüências os valores mais importantes. Habermas e Boaventura de Souza Santo fazem uma leitura diferente, no sentido de que o que experimenta-se hoje é uma crise da crença dos grandes mitos modernos, principalmente a idéias burguesa da sociedade do trabalho, e em segundo lugar a crença na sociedade cientifica que os positivistas afirmavam veementemente. É aqui que a igreja entra na discussão...
            A igreja evangélica brasileira é fruto de um movimento do auge da modernidade, a saber, a grande segunda revolução industrial, onde o marxismo, o positivismo e o liberalismo estavam se consolidado em como doutrinas relevantes. Os missionários protestantes, grande parte maçons, e portanto, adoradores do iluminismo, tinham em suas agendas missionárias a ideias de que cultura americana e evangelho (Boff – da conquista à evangelização) era a indissociáveis, e portanto ensinar a bugrada a ler e se vestir era uma forma de pregar o Jesus. Portanto, os pastores das primeiras igrejas tradicionais eram modernos, ensinavam ciências aos membros da igrejas (menos Darwin, é claro) e combatiam a cultura brasileira, por representar valores negativos como a negação ao trabalho e a sensualidade.
            Os pentecostais clássicos (década de 1910) são o inicio de um movimentos que é mais pós-moderno que moderno, pois agora não é mais o que o livro de doutrina diz , mas o que Deus diz na hora, portanto, o sentimento, o empirismo e a vivência tomaram lugar da ordem e da regra (analise superficial, mas que serve para o propósito deste texto). Logicamente que somando-se o momento histórico e a personalidade afrobrasileira, o pentecostalismo continuo combatendo as coisas da terra, mas acabou discretamente misturado com a forma americana, dos ternos e dos púlpitos, mas agora com sabores bem mais ao sul. O ponto positivo deste movimento, tanto o norte americano como o brasileiro é a inclusão do negro, e posteriormente a inclusão da mulher no quadros de obreiros (quadrangular).tomando posse dos próprios valores que combatia. Isso 
            Os neo-pentecostais foram mais longe, pois nascendo na pós-modenidade propriamente dita aprenderam a falar o que o povo quer ouvir, e usando a mídia televisiva abocanharam o mercado religioso que surgem na fenecência da era militar. Os seus membros são pós-modernos porque não querem saber a verdade, querem apenas o produto, e querem sentir que estão fazendo a coisa certa, pragmática que funciona. Entretanto, na igreja tradicional não era muito diferente, pois apesar de terem uma doutrina forte e consolida, ainda tinha inúmeros valores que propiciava a alienação, como por exemplo: os tabus sexuais, a não ordenação de mulheres e ainda o racimos que acontecia algumas vezes, além disso, os mais ricos sempre era tidos com mais carinho nas comunidade, de modo que já havia uma relação simbólica entre benção de Deus e prosperidade material/financeira.
            Hoje existem pastores mais pós-modernos como o Caio Fábio, que tem uma igrejas que não tem membros e que ele mesmo prega em todas as comunidade em todos os dias. Diga-se de passagem, é um bom trabalho, apesar de as vezes algumas pessoas saírem porque queriam ter uma carteira de membros e desejarem ser disciplinadas. O Malafaia é pós-moderno também, em outro sentido, pois o seu discurso muda conforme a necessidade, afirmando palavras de ordem no púlpito, mas vendendo bíblias e promessas na tv. Ele é um caso interessante, que Baumann e Habermas nos ajudam a entender, pois na pós-modernidade ter um discurso forte e reacionário, associado com uma pratica frouxa faz todo o sentido, pois a ação reacinária virulenta é um produto, asism como uma camiseta do Che Guevara vendida no Mcdonald`s. Acredito que o John Piper é um pastor moderno conservador de verdade, só para termos um parâmetro para a discussão.
            Mas qual é o problema da pastorada? O problema não é nada simples, pois o que estamos vivemos é uma era que não terminou, e portanto, difícil de explicar. Se o pastor é empregado da igreja, ele tem que cantar conforme os dogmas, se não é expulso, isso é bem moderno alias, então ele pode ser um grande salafrario, conquanto que fale o que está no estatuto, ou o que o povo quer ouvir. Se o pastor é independe, ele terá que falar o que o povo quer ouvir, senão, não terá dinheiro para comer no final do mês. Nos dois casos, a coisa é sempre uma questão de trocas simbólicas, que configura o mercado religioso contemporâneo. Basicamente o que é variável é o cliente, o católico, por exemplo, tem como cliente a instituição, assim como um pastor da universal, mas a instituição a IURD, mas a IURD tem como cliente os freqüentadores, enquanto que a ICAR tem dinheiro suficiente para não depender de seguidores, portanto, não faz questão de correr atrás das pessoas. Em uma igreja independe, o cliente são os freqüentadores que precisam ser mantidos na casa, se eles não estiverem satisfeitos existem outras igrejas para ir.
            John Maxwell fala sobre a profissionalização do ministério pastoral como uma coisa boa. Ou seja, a igreja contrata alguém treinado para executar uma função, ou seja, a igreja paga o salário e o pastor pastoreia de forma eficaz. Não acho isso mal ou errado, pois se todos estão de acordo e feliz, ok, mas não é bíblico. O problema que acho sério, é o caso muito comum no Brasil onde as denominações tradicionais pagam salários para incompetentes que se acham pastores, sujeitos que não tem preparo para fazer o serviço eclesiástico, apesar de terem estudado em seminários (a igreja católica está cheia de padres incompetentes também). Logicamente que algumas denominações gostam deste tipo de pastor, pois tem cara de piedade e colocam-se em posição de vitimas do sistema. Nestas denominações, quando aparece alguém competente, ele rapidamente entende que não precisa da denominação e depois de dois ou três anos de trabalho, tendo aprendido o esquema, sai com 50 membros e abre sua creche.
            Notem que o problema é complexo, pois está na estrutura moderna de igreja que vivemos aqui. Esse modelo americano, importado em varias levas gerou algo doente e esquizofrênico. Esquizo (ler anti-édipo) no sentido de que espera-se que o pastor pastorei como ministério e vocação, mas cobra-se uma atitude de empregado. As pessoas que freqüenta a igreja querem um pastor bonito, que faça seu trabalho, não importa como. Ao mesmo tempo em que querem imaginar que tudo é Deus e que existe um mover sobrenatural por traz da coisa litúrgica.
            O que queria dizer, basicamente, é que dizer que o problema são os pastores pós-modernos é um erro, pois todos são isso. A pós-modernidade é o ethos atual, e fora disso existe muita pouca coisa acontecendo. Até os mais tradicionais, se olhados de perto, estão pós-modernizados em sua alma, basta ir a uma igreja Calvinista e Observar um apelo, ninguém se importa se a doutrina diz ou não-diz, o importante é cantar eu escolhi Sr. Jesus e ir na frente responder ao apelo.[i]
Qual o problema então? O problema é o processo de contextualização que a igreja deveria fazer está acontecendo da forma errada (generalização, pois existem acertos também). Pois não está se buscando fazer o evangelho compreensivo às pessoas, mas sim, tenta-se usa o rotulo “evangelho” como símbolo com a finalidade de ajuntar pessoas para movimentar-se recursos financeiros. Ou, no caso dos pastores honestos, usa-se o evangelho como símbolo para comunicar uma doutrina, que na visão do pregador é a verdade absoluta. Poucos ensinam as pessoas a ler o evangelho.
Exemplo disso é a doutrina da graça. Todos falam que a salvação é pela graça, mas esses mesmos exigem que faça-se rituais para ser salvo, rituais como casamento, santa ceia, batismo, erguer as mão para abençoar o dizimo e dar o tal dizimo. Se é pela graça é graça...ou não? ai fica-se discutindo se a Dilma fez pacto com o Diabo, ou se ter uma moto com a cruz invertida vai dar brecha para o diabo causar um acidente. Se somos salvos pela graça, eu tenho que me benzer para o diabo não me fazer mal? Tem que receber a oração forte para tirar o encosto ou mal olhado? É uma graça bem sem graça e um Diabo bem poderoso. Isso é bem diferente do que aparece na Bíblia, onde o diabo tenta as pessoas, mas mesmo assim o crente suporta a provação para adorar a Deus em meio a dentadas de leões.
Por fim, o texto é bem critico, por isso é necessários dizer que nas igrejas e no meio pastoral tem muito gente boa, gente com coração aberto e cheio de alegria em servir. Essas pessoas são as que mais sofrem com as garras da religião institucional, porque às vezes a bondade deles torna-se pecado ou heresia. É só lembrarmo-nos de São Francisco de Assis ou mesmo de um Marçal de Souza. Se o pastor admite um gay ou um mendigo na igreja, ele é julgado pelas pessoas que querem a igreja como um lugar puro e limpo (Baumann), sem gays, divorciadas, aleijados, prostitutas, gordos, estrangeiros e outros diferentes (Norbert Elias – Out siders).
Recomendação: acredito que é necessária a pregação do evangelho da autonomia. Ou seja, as pessoas precisam de pastores que as ensine a ler a Bíblia direito (não metaforicamente nem de forma moralista) e a viver como gente adulta. As pessoas não precisam de pastores que comandem suas vidas, que liderem suas ações, nem de pais ou mestres, precisam de orientadores que ensinem sobre tomar a responsabilidade das escolhas (Heidegger) e a busca constante da maturidade enquanto pessoa.


[i] Piada explicada (1) na doutrina calvinista, o crente é predestinado, portanto não repecisa de apelo para aceitar a Jesus. Ou o cabra é ou não é. semelhantemente dizer eu escolhi é heresia ao olhos de João Calvino, pois é Deus que induz o crente pela graça irresistível. Não estou dizendo que isso faz sentido, mas o caso é que é o que a doutrina deles diz.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dilma Trai Evangélicos, e eu acho isso ótimo....

  
            Um velho paradigma filosófico já dizia o seguinte: Se uma pessoa mente para outra, que sabendo que a outra sabe que ela mente, ela realmente está mentindo? Sim, esse paradigma explica bem a ultima polêmica da Blogsfera Gospel.
            O Fato: A presidenta Dilma nomeou como ministra da Secretaria da Mulher, a Sra. Eleonora Menicucci, que sabe-se é defensora da legalização do direito de interromper a Gravidez, vulgarmente chamado de Aborto. Não que isso seja algo incrível, vou explicar depois, mas que vai contra a promessa de campanha na qual prometeu-se a algumas lideranças evangélicas que se eleita seria contra o Aborto e não apoiaria a legalização do casamento Gay[i]. Mais de um ano depois, ela não cumpriu sua promessa, que bom!
            Acho isso positivo, primeiramente porque as lideranças evangélicas precisam aprender a colocar-se em seu lugar. Não são lideres, são apenas empresários da fé que por terem alguns milhares de seguidores, acham-se representantes de Deus na terra para exercer poder políticos e negociar o voto de suas ovelhas. Sim, ao recomendar que se votasse em Dilma, por essa haver assinado uma promessa,  exerceram um papel burlesco de mediadores políticos, cabos eleitorais infelizes, que de um modo ou de outro enganaram as pessoas que os seguem. Sua função, como pastores evangélicos, seria orientar seu povo no sentido de escolheres com seriedade e consciência. Não que houvesse candidatos viáveis, mas a função da igreja e do ministério pastoral não foi cumprida na ocasião.
            O segundo ponto positivo disso é que agora pode-se aprender com a fabula do sapo e do escorpião. Imagine que Dilma Roussef, militante, guerrilheira, presa pelos militares, deportada e ainda, com décadas demilitancia de esquerda, um mês antes da eleição aparece com um véu de católica fervorosa, abraçada com um neto e ainda fazendo acordo com crente, isso é tão insólito que parece uma piada, mas foi o quadro na época. Todos da esquerda sabiam que isso era eleitoreiro, poucos militantes reagiram contra isso, e só os evangélicos não viram o que ia acontecer. Isso lembra o que aconteceu na época da ascensão de Hitler na Alemanha, quando a igreja protestante chega a afirmar Adolf como escolhido de Deus que restauraria o país e a igreja, talvez contra os Judeus. Dilma não é um Hitler, de forma alguma, mas usou de uma estratégia bem parecida para cooptar grupos diferentes para se eleger, e agora, ela não precisa mais dos amigos estranhos.
            O terceiro aspecto positivo deste caso é que ao rejeitar Marina Silva, as lideranças evangélicas mostraram seu caráter. Não que Marina tivesse intenção de se eleger, sabe-se que sua função era meramente para gerar um segundo turno, mas tem algo importante nela, como evangélica que deve ser frisado. Quando perguntada sobre sua opinião sobre Aborto e Homossexuais, elas diziam que era uma questão que deveriam ser discutidas, de modo que não fechava a questão, dando a entender ser possível avançar no sentido resolver tais questões de forma democrática. Isso é o que mais irrita os evangélicos, a saber, democracia, discussão e liberdade (não que os movimentos sociais e de esquerda sejam diferentes). Marina era tida como liberal, e acho que ela faria bem ao país, se conseguisse governar, coisa que acho improvável.
            Por fim, ambas as questão já avançaram bastante neste ano. O casamento Gay já acontece e o Aborto já é uma realidade em alguns casos, e isso é bom. Acredito que agora seja uma ótima oportunidade para a igreja evangélica colocar-se no seu lugar e cumprir a sua missão. A função da igreja não é ser cabo eleitoral, e sim ser manifestação de Cristo na terra. Esses mesmos pregadores que acreditam que o Aborto e o casamento Gay são problemas deveriam usar sua estrutura eclesiástica para combater a pobreza e a ignorância, principalmente política.
            O que virá depois? Bem as próximas eleições irão acontecer, o que os evangélicos farão? Eu não sei, mas acredito que deveriam tomar mais cuidado com algumas coisas. Primeiramente, deveriam apóia o candidato cuja proposta faça sentido com sua história; Segundo, deveriam parar de acreditar nas lendas que sempre aparecem afirmando que tal e tal candidato é satanista, isso é infantil e nocivo; em terceiro lugar, deveriam considerar a ficha corrida do candidato e do partido, um pouco de honestidade cairia bem e poderia nos livrar de garotinhos.





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Missionária Yonara e o púlpito do inferno…





            Às vezes, na minha arrogância infeliz eu penso: já vi de tudo. Mas então sou surpreendidos com novidades. Desta vez o Genizah colocou a propaganda de uma pregadora que foi 15 vezes ao inferno e 7 ao céu, pensei comigo, sim o Sr. Genizah deve estar de brincadeira, para varia. Infelizmente ele não estava e acessando o Youtube lá estava a referida pregadora e seu desfile de sabedoria e conhecimento. Estou concluindo que o youtube está se tornando a curva onde todas as aberrações acabam parando, como um grande museu das coisas estranhas que os crentes fazem por ai.
            Voltando ao assunto, a tal pregadora não traz nada novo em seu discurso, em sua estória e em seu testemunho. De fato, já cansei de escutar essa coisa de ex-qualquer coisa que era lésbica e do diabo, e que agora tem ministério de libertação. O que chama a atenção é ser uma tradução inusitada visões de uma americana para o contexto brasileiro, se não fosse tão nojento seria até engraçado.
            O que a tal pregadora fez foi pegar um livro chamado A divina revelação do inferno[i]  e deu uma re-interpretação a coisa infernal. De fato, eu queria compara as duas conversas, mas não perderei tempo com isso, antes vamos aos pontos teológicos realmente interessantes que a tal Yonara afirma. Ai eu me pergunto, para que? Simples, esse tipo de coisa precisa ser questionada de modo que talvez algum desinformado que acredite nisso possa ter consciência. (no final existe o link para o vídeo)
            Primeiramente, ambas (Yonara e Baxter) retratam o inferno como um corpo humano. Isso parece sem significado a priore, apenas um recurso estilístico, mas se considerarmos o problemas que essas pessoas tem com o próprio corpo, já percebe-se alguma coisa de dualismo gnóstico que satâniza a corporaliedade.
No quesito organização, o inferno ele é um primor. Os portões abrem às 6:00h da manhã, e em sua porta fica um capetôncio para separa as almas que chegam. Eu achei interessante este horário, deve ter algum sentido para a pregadora, unicamente me lembra trabalho, hora de acordar. Sempre pensei que o inferno fosse um lugar bem desorganizado, porque a bagunça faz a vida das pessoas um inferno.

Os pecados punidos no inferno dela eram aqueles que Mary Baxter já havia falado, crente picareta, fornicados, pastor mentiroso, pastores ladrões, pastor que amaldiçoa membro, etc....mas tem algo mais. Tem o Vale dos homossexuais, vale dos suicidas, vale para todos os pecadores. Tem até punição para mulher que não deixa o pastor pregar, e tira o marido do ministério. Isso tudo tem um contexto muito curioso, pois é a partir disso que poderíamos perceber os valores defendidos.
Depois de meditar um pouco, fico me perguntando o seguinte: onde na Bíblia diz que os diabos são funcionário do inferno? Sempre achei que ele iriam para lá no final da história. Esse é o erro chave que demonstra todos os erros fundamentais na fala da pregadora. Na maioria dos pecados punidos naquele inferno não há a discussão das condições e do diálogo. Não há, por exemplo, consideração dos contextos sociais e psicológicos, neste sentido, em nenhum momento apresenta-se que alguns suicida praticam o ato fora do juízo perfeito, e portanto, não são passiveis de culpa. Alias, onde na Bíblia está escrito que suicídio é pecado? (eu não sei)
Se formos considerar os erros apresentados, poderíamos colocar milhares deles, mas o mais importante está no que se refere a construção de uma vida normal. Em nenhum momento a pregadora contempla a idéia de que as pessoas podem temer e amar seu Deus, e não tem que ser fanáticos, que não lêem, não vão ao cinema e não assistem uma musica. A idéia de cristianismo que ela vende é o cristianismo fanáticos e psicótico, que faz mal e adoece a alma. Logicamente que ela parte de um pressuposto interessante, a saber, que ela era extremamente diabólica antes, de modo que ela deve ser extremamente espiritualizada agora.Quanto à perspectiva política, é um atentando claro ao bom senso. Ela começa a criticar os pastores que viram políticos, e afirma que a política é para aqueles que tem dom para ser político. Até ai eu gostei, mas depois ela diz que não temos o pode de discernir quem tem dom e quem não tem, e por isso, todos deveriam votar em candidatos evangélicos. Isso é ruim, pois o correto e avaliar os candidatos por sua honestidade e bom nome, sua capacidade de fazer boas administrações...
Um dos momentos mais tristes foi a fala sobre os homossexuais, senti todo um ódio especial por eles. Aliás, ela atacou até os simpatizantes, como que todo aquele que não odeia homossexualidade blasfema contra Deus e seu projeto. O caso, é que a coisa é bem mais complicada do que simplesmente escolher e não escolher ser homossexual, e ainda, considerar que a homossexualidade é simplesmente uma manifestação demoníaca não ajuda as pessoas. É necessário buscar entender as questões com clareza, e isso é muito difícil para essas pessoas (como essa pregadora).
Entretanto, Concordo com a observação sobre o Calipso, sim quem escuta Calipso merece arder eternamente.

Recomendação ao cristão: é bom dar uma repensada sobre a natureza do processo missionário da igreja. Pregação sem sabedoria, e sem entendimento gera mal entendo que só atrapalham o processo de evangelização da igreja. A igreja na foi feita para julgar o mundo, mas para apresentar Jesus a ele. A referida pregadora não prega Jesus, não prega a graça de Deus, prega apenas misticismo barato. Sei do que estou falando, por já andei neste caminho profético, e no final dele você descobre que perdeu muito da vida que Deus nos dá.
Recomendação as pessoas que não são evangélicos: espero realmente que os não cristãos não pensei que ser cristão é isso. De fato, existe um cristianismo possível baseado na graça e na misericórdia, na tolerância com o próximo e no amor (ágape).

Por fim, o púlpito infernal da pastora Yonara é um desfile de exageros que não ensina nada sobre Deus, apenas legalismo e desespero. Gritos e mais grito ensaiados, sentimentalismo barato, e nada de ensino de como ser um bom cristão, um bom cidadão ou uma pessoa melhor.
O texto acima é apenas uma opinião, ela pode ser questionada, pois o propósito do texto é gerar reflexão para que possamos conhecer a verdade e sermos libertos dessa loucura.

#ficaadica 


Assista o vídeo e veja por si só.







[i] A Divina Revelação do Inferno. Mary K. Baxter. Título Original:A Divine Revelation of Hell. Tradução: José Rodrigues Filho. Danprewan Editora, 1995. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tolos, Loucos e Excêntricos. Reflexão sobre o dia do Teólogo.


Acho que essa coisa de teologia é realmente coisa de louco. Fico pensando que quando eu passo na rua as pessoas apontam o dedo e falam, eis o professor de teologia que é doido. Isso faz todo sentido para mim...
A melhor definição de teólogo é aquela feita por Rubem Alves, um teólogo de verdade, de que os teólogos são aqueles que falam a respeito de Deus, e não apenas aqueles que dominam uma ciência lógica com respeito a divindade. Esse é o primeiro elemento que reforça a tese que teologia é uma loucura, pois se estamos falando sobre Deus, que é transcendental por definição, é muito provável que as pessoas não entendam, e todo que as pessoas não tem capacidade de apreciar é loucura.
Depois, fico pensando na piada sobre a comparação entre filosofia metafísica e teologia, onde o filosofo metafísico é aquele que procura em um dado quarto escuro um gato preto que não está lá, ao passo que o teólogo se propõe ao mesmo intento, mas acaba tendo mais sorte, ou não, que o amigo metafísico por encontra o bichano que não existe. Isso também é uma loucura, pois talvez o gato que o teólogo encontrar é bem diferente que os gatos que os crentes (no sentido daquele que acreditam nas coisas) tem comprado por ai no mercado religioso. Alias, isso é muito estranho, porque os crentes preferem acreditar que Aristóteles era uma feiticeiro matemáticos, e que o ensino da matemática está satanizando as crianças nas escolas (ver Ana Mendez: In: http://www.youtube.com/watch?v=t0yzchJ-n7I). O caso é que é muito mais fácil acreditar nisso do que encarar a realidade e pegar um livro como Tillich ou Barth para dar uma lida, não apenas por serem livros grossos e sem figuras, mas porque falam de responsabilidade pessoal, e coisas que a crentalhada não quer nem ouvir falar.
Lembro-me de um problema sério que era aquela frase de alguns professores que tive a qual dizia que tais e tais assuntos são coisas do seminário e não para a igrejas. Isso também ajudar da criar a idéia de que os teólogos são malucos, pois via de regra acabam sendo discussões extremamente distantes da realidade imagética da igreja. Isso me faz lembrar de um amigo, que estudou e deu aula comigo, que certa feita teve em sua igreja uma certa pregadora famosa (Neuza Itioka ), fato que me forço a ridicularizá-lo em particular, tendo em vista que qualquer teólogo iniciante nota as incoerências de tal pregadora, depois de muito agüentar ele solta: as vezes, temos que esquecer a teologia...é claro que ele estava certo, principalmente quando deseja-se animar pessoas e encher a igrejas os cofres da mesma.
Não sei quem foi a anta que inventou essa historia de que o teólogo tem que trazer esperança para as pessoas, ninguém se propôs a isso na Bíblia, geralmente Jesus, Paulo, Pedro e semelhantes afirmavam que as coisa só se tornariam piores e piores, e era bom correr se não nem os cristão seriam salvos no ultimo dia. Porque raios tenho, como teólogo, que alisar a cabeça de marmanjo e marmanjas? Eles têm que saber que a vida é dura, e que a missão cristã é feita com os dois pés no chão, levando pedra e chicotada, sem mentiras baratas, mas afirmando verdades. (ex: sim, você vai morrer; se você faliu isso aconteceu porque você é incompetente; você está passando fome porque existe uma coisa chamada capitalismo que está pouco se lixando para você e sua família; você não tem atendimento médico e educação de qualidade porque votou em vereadores, prefeitos e governadores irresponsáveis, etc....)
Maluco? Eu? Não...maluco é que lê a Bíblia e não entende que ser cristão é ser como Cristo, ou seja, olhar pelos necessitados, tomar um vinho com os amigos no sábado, falar a verdade, e mais importante arcar com as conseqüências de seus atos. Tudo que vai alem disso é religião, que às vezes pode até ser divertida, mas não passa de perda de tempo e dinheiro, quando não descamba para abusos espirituais, sociais e mesmo sexuais.
Maluco, eu? Sim. Porque maluquice é uma questão muito mais social do que psiquiátrica. Eu não sou maluco, mas a sociedade que me considera assim, é que está enganada, e arcará com as conseqüências de seus atos. Por isso, em hebraico, profeta é nabhi, da mesma raiz de Nabal, que significa louco.
A função do teólogo é falar a verdade com respeito a Deus e aos homens, neste dia do Teólogo, deveríamos refletir, juntamente com pastores e alunos de teologia qual é a função da coisa teológica, e buscar cumprir nossa função junto a sociedade a e igreja, a saber, falar a respeito de Deus.....

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Problema Missionário: a reprodução dos erros nacional em outras terras.

Recebo semanalmente emails e mensagens no Facebook falando sobre a importância do trabalho missionário, mas hoje, acho que deveríamos repensar algumas coisas importantes com respeito a missão da igreja e o trabalho transcultural. Recomendo a leitura de meu artigo na revista theologando[1].

A primeira coisa que me ocorre é que trabalho transcultural é comunicação de conteúdo cultural. Entendo que a mensagem do evangelho se encaixam em qualquer cultura, mas junto com ela, existem os elementos coadjuvantes relativos a própria cultura do missionário. Neste sentido, essa coisas que chamamos de igrejas evangélica brasileira é uma sub-cultura tipicamente brasileira que me preocupa, pois contem muitos elementos dissonantes ao evangelho.
Me pergunto se os missionários estão levando a mensagem do Cristo, ou apenas reproduzindo seus próprios erros em outros países. Não vou nem discutir a questão da igreja universal (IURD) e os congêneres, pois nada têm de Cristãos. Ademais as igrejas que parem mais sérias comunicam um evangelho que ao invés de libertar os ouvintes, apenas abre a porta para o cristianismo neopentecostais. Afirmo isso porque a doutrina da prosperidade está incubada nas igrejas tradicionais, bastando observar que apenas pessoas ricas e bem colocadas são eleitas como liderança.
Falta na igreja brasileira um ensino que leve as caminhantes à liberdade e autonomia. Liberdade no sentido de entender que Deus nos faz livres para experimentar sua vida em nos, livres das heteronomias religioso do não toque, não coma. Outrossim, uma liberdade de escolhas e de consciência para que se experimente Deus na vida real.
Nas igrejas ainda discute-se questões como a mulher obedecendo ao marido, ou o membro obedecer ao pastor, no sentido de que a causa e origem de todos os problemas sociais sejam derivados a desobediência destas práticas tidas como naturais e divinas. Certamente que a Bíblia afirma a relação de obediência da mulher ao homem, conquanto seu texto escrito em um período onde as mulheres ficavam em casa, e os homens trabalhavam fora. Repare que isso mudou já a alguns anos, e ainda bem que mudou, pois apesar dos problemas (familiares e trabalhistas), ainda sim caminha-se para uma situação de mais possibilidade de escolhas. Não seria mais cristão que o marido e a mulher vivessem segundo relações de amizade e carinho? Eu escolho estar com esta pessoa, ao invés de, estou casado porque deus/pastor/igreja ordenou? Semelhantemente a relação pastor/membro torna-se doentia, porque imagina-se o pastor como autoridade, ao passo que se esquece que somos todos igualmente humanos. Pastor deveria pastorear as pessoas para que cresçam e não comandá-las para que obedeçam. (ler Mateus 23:8-12)
Fica a dica, mas pense no problema missionário. Que estamos comunicando para os povos africanos e orientais? Valores machistas e ultrapassados? Não deveríamos ensinar essas pessoas a ler a Bíblia como ela é ao invés de leituras espirituais estranhas de sonhadores malucos? Não deveríamos levar a essas pessoas um entendimento sobre a condição humana ao invés de leis e práticas religiosas? Pastor é aquele que ajuda no caminho ou um líder empresarial de sucesso?
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...essa verdades não é apenas afirmar uma teologia, mas sim a busca um entendimento do que realmente a coisa é. ler os seguidores a pensar e buscar entendimento claro com respeito ao mundo e a si mesmo. Infelizmente essa é uma coisa que a igreja brasileira não tem feito....Salvo exceções.

higiene começa em casa - Evangelho, primeiro se vive, depois se prega...


[1] http://fathel.com.br/revista/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=16

domingo, 26 de junho de 2011

Roubados e agredidos na Marcha para Jesus

Achei isso no Blog do Genizah, texto muito útil para compreender a coisa da Marcha para Jesus e o Caráter de tudo isso....



Roubados e agredidos na Marcha para Jesus


Vera Siqueira

Dias atrás, o Paulo teve um sonho: éramos agredidos na Marcha para Jesus, e para nos defender nos colocávamos de joelhos e começávamos a louvar. Hoje parte do sonho se tornou realidade.

Tudo começou, como sempre, com o pessoal se encontrando na saída do metrô Tiradentes. Era o Paulo, o Nei, o Alex, o Julio, o Josef, o Thiago Mafra, o Morelo e eu. Levamos seis faixas, cinco dos anos anteriores e uma feita especialmente para essa marcha:


Dividimo-nos em dois grupos: metade ficou no início da marcha, e metade se postou mais adiante, onde aguardaria a chegada dos trios. Por volta de dez horas, como sempre, a metade que ficou se aproximou do primeiro trio-elétrico, onde estavam os astros gospel casal Hernandes, Silas Malafaia, Jabes de Alencar, Samuel Ferreira, Marcelo Crivella, entre outros. E estendemos nossa primeira faixa.
Eu segurava uma faixa ainda enrolada, quando a agarraram e a arrancaram dos meus braços, chegando a me machucar. Era um homem forte, um segurança do evento, que saiu no meio da multidão. 

Comecei a gritar “fui roubada”, sob o olhar assustado dos fiéis que presenciavam a cena. Outros seguranças se aproximaram e tentaram levar outra faixa, essa já aberta, e eu e os meninos “grudamos” na faixa, enquanto gritava “socorro” repetidas vezes, na ânsia de chamar a atenção de todos e não sermos agredidos. Deu certo, havia uma base policial próxima e os policiais foram ao nosso socorro. 

Resultado: os policiais apreenderam duas faixas e nos aconselharam a ficar ali, para nossa segurança.
Porém, fui tomada de enorme ira santa, e confesso que fui bastante imprudente (só agora vejo isso). Deixei a base e fui me esgueirando na multidão, a fim de chegar na frente do trio dos astros gospel. 

Foi bem difícil caminhar contra a multidão, mas enfim cheguei e fiquei cara-a-cara com a pastorada famosa. Sem as faixas, sem ter como comunicar minha mensagem, fiz o que estava ao meu alcance: aquele gesto, com um polegar em pé na outra mão, e os demais dedos fazendo um semi-círculo (para bom entendedor…). Fiquei de costas para a multidão, e de frente com o trio. A bispa Sonia até se fez de piedosa, e fez um coração com as mãos, estilo Wagner Love, para mim. E eu, fazendo incessantemente aquele gesto peculiar. Os demais astros viam minha manifestação, mas fingiam nada ver.

Enquanto fazia o gesto e andava de costas, ou melhor, era empurrada de costas pelo cordão humano de brutamontes do evento, ainda por cima o brutamontes que estava na minha frente resolveu me retaliar à sua maneira. A cada passo, ele levantava propositalmente seu joelho, que parava nada delicadamente na minha coxa. E, ao pisar, seu pezinho de fada despencava em cima do meu. Porém, o gostinho de ver aqueles astros gospel tendo que aturar meu gesto me fez perder totalmente a noção de dor. Uma hora até tentei revidar, levantando também meu joelho e atingindo-o com a mesma ignorância, mas aí ele gritou: “você está querendo se machucar”. Entendi o recado, parei de “joelhar”, mas continuei sendo “joelhada” e “pisada”.

Mas não apenas os astros gospel puderam ver meu singelo gesto. Uma repórter se aproximou e perguntou se eu estava protestando. Disse que sim, e ela disse que queria depois falar comigo. Então me deu um bloco, onde escrevi meu celular. Na mesma hora, um brutamontes surgiu do além e arrancou a folha da repórter. Do jeito que ele fez, e no ângulo em que eu estava, achei que ele a tivesse agredido, então por instinto agarrei o braço dele e gritei para ele soltar ela. Quando ele se virou, achei mesmo que ia levar uns sopapos. Mas Deus me livrou.

Continuei no meu gestual básico, e então outro brutamontes ainda maior chegou gritando: “pára de fazer esse gesto, senão você vai ser presa”. Continuei o gesto e o cara veio para cima, me agarrou pelo braço com pouco afeto, me arrastou para fora da pista e voltou para o seu lugar. “Ué, você não ia me prender?”

Como não estava presa, voltei com muita dificuldade para a frente do trio, e depois para o outro lado da pista, já que não tinha mais o que fazer ali. Por sorte (ou providência divina), estava justamente onde parte do nosso grupo estava, no caso o Josef, e com ele estavam as outras três faixas. Subimos num canteiro e estendemos a faixa de 2 Pedro 2.3.

Aí aquela repórter se aproximou de mim e perguntou sobre o porquê de estarmos ali. Falamos um pouco, e do nada apareceram os brutamontes de novo, e arrancaram a faixa das nossas mãos. Na ânsia e na violência, acabaram atingindo um deles mesmos com a vara da faixa, e segundo palavras do Josef, parecia o Pedrão dando uma espadada na orelha do soldado. Assim, nossas três outras faixas foram roubadas, porém ainda tínhamos os panfletos que o Alex fez. Então passamos a distribui-los na multidão.

Depois disso, voltamos para a base policial. Os policiais, diga-se de passagem, foram muito cuidadosos para conosco. Eles nos levaram e nos trouxeram ao 2º. DP, onde não pode ser feito o B.O. por não haver identificação dos agressores. Pela primeira vez, andei de camburão.

Então, de volta à Marcha, encontramos o Thiago Mafra com sacos de lixo, recolhendo o entulho largado pela multidão. Pegamos um saco e resolvemos ajudar também, e conseguimos lotar um saco em muito pouco tempo, tamanha a quantidade de papéis, garrafas plásticas e sacos de salgadinhos que encontramos pelo caminho.

E então fomos embora.

Sem dúvidas, o tratamento que recebemos foi premeditado, planejado pela organização do evento gospel. Nossas faixas não ficaram abertas nem dez minutos, antes de serem brutalmente arrancadas de nossas mãos. Não tiveram medo de agredir mulheres, nem na frente dos fiéis que marchavam. Só não fizeram coisa pior porque a polícia estava ali, presente.

O que relatei acima foi o que aconteceu comigo, e fatos nos quais eu estava presente. Cada participante teve suas próprias experiências (por exemplo, o Julio conversou cara-a-cara com o Malafaia e o Jabes), e por isso é importante visitar todos os blogs e ler todos os relatos. Em todos, porém, uma característica básica: a intolerância, que gera a violência.

E violência entre pessoas que dizem estar ali para marchar para Jesus!

No final, sobraram as duas faixas, aquelas que foram apreendidas no início pelos policiais. As demais, devem estar queimando em alguma fogueira santa gospel, com nossos nomes nas bocas de sapo ungidas. Porém, se não deixaram que a multidão lesse as faixas, pelo menos alguns tiveram acesso aos nossos panfletos, fora os que puderam assistir às cenas de violência. Nossa oração é para que Deus possa usar tudo isso para que o Espírito Santo abra os olhos de alguns para a busca do Verdadeiro Evangelho, que é puro e simples como Jesus vivia.

E, se tivermos que apanhar no ano que vem, sem problemas. O importante é que nós diminuamos, e que Cristo cresça.

o Genizah achou no Blog da Vera....

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Sobre o desastre Japonês e os urubus evangélicos...

Sobre o desastre Japonês e os urubus evangélicos...

Marcos Henrique Garcia dos Anjos

Os recentes acontecimentos no Japão mostraram o quanto os seres humanos e suas obras são frágeis perante a natureza. Muitas pessoas mortas, pessoas que ficaram doentes devido a radiação, pessoas que perderam todos os bens matérias, pessoas que perderam os entes queridos, e mesmo seus animais de estimação. A tristeza disso é profunda, e aponta para a nossa própria pequenez mediante a vida, ao mundo e a historia como um todo. O fato, é que a Bíblia já diz que o sol nasce para o bom e para o maus, e ainda, que é na angustia que se faz o irmão (Prov 17:17).

Provérbios 27:10 10 Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.

Entretanto, sempre que ocorrem esses momentos históricos de comoção aparecem os urubus atraídos pelo cheiro, ou pela esperança, da carniça fácil. Neste sentido, apesar de milhares de manifestações de solidariedade no meio evangélico, ainda tem surgido vozes de anônimos e de famosos afirmando ser este evento um resultado da ira de Deus, e resultado da incredulidade, da arrogância e da ganância dos Japoneses.

Primeiramente, isso demonstra a tremenda falta de solidariedade que essas criaturas têm para com o próximo. Solidariedade é uma palavra do mesmo campo semântico de empatia, e de fato essas pessoas não têm simpatia nenhuma pelas pessoas que sofrem. Lembro-me do 11 de setembro de 2001, onde muitos evocaram uma fala de que dizia que aquilo era resultado do pecado do povo americano, e depois, no desastre do furacão Katrina, observaram que New Orleans era um reduto de feiticeiros e do voodoo. Se Deus agisse desta forma, Brasília e grande parte das igrejas evangélicas que conheço já teriam sido tragadas pelo chão, ou carcinadas como Sodoma e Gomorra.

Em segundo lugar, existe o problema da falta de conhecimento histórico. Pois, antes de discutirmos os problemas teológicos devemos considerar que todo aquele que afirma que os japoneses não aceitam a Jesus por serem materialistas, como certo formador de opinião tem dito, não conhece a história da evangelização do Japão.

Sabe-se o evangelho chegou no século XVI , com o Jesuíta Francisco Xavier que desenvolveu amplo trabalho ali, até que os processos políticos locais tornaram-se hostis aos estrangeiros. Considerando a estrutura feldal deste período, há relatos de aristocratas que chegam a convertes 18000 vassalos e a construir dezenas de igrejas. No governo de Tokugawa os cristão foram perseguidos e expulsos, mas já no 1873, na era meiji, o cristianismo foi liberado (ver: http://www.culturajaponesa.com.br/htm/ cristianismo.html). Depois disso, começo do século XX, muitas igrejas proliferaram no Japão, e muitos foram alcançados, tanto por católicos quanto por protestantes (ver: historia da igreja Holiness).

Quando da segunda Guerra Mundial, o imperialismo Japonês impôs sobre a igreja forte perseguição, de modo que pastores e cristãos foram mortos, ao passo que outros foram obrigados a reverenciar o imperador como divindade. Após a guerra a igreja caiu em descrédito, justamente pela desestruturação da liderança, pela perda de credibilidade daqueles que se prostraram, os lideres e cristão fieis que sobraram ficaram em situação difícil, pois o invasor era cristão, e portanto, adorar o deus do inimigo não me parece algo fácil de qualquer maneira. Na Alemanha, aliada do Japão nesta guerra, o processo foi semelhantes (ver Dietrich Bonhoeffer), sendo que a igreja permaneceu existindo por fazer parte da cultura local, diferente do Japão onde ela não estava consolidada. Um detalhe curioso, é que Nagazaki, cidade destruída por uma das bombas nucleares americanas, era um dos maiores centros católicos da época.

Alem disso, com a relativa desestruturação da religião tradicional surgiram as novas formas de religiosidade japonesas, como o Seicho-no-ie, Messiânica e outras, que de uma forma ou de outro fizeram uma mistura entre o positivista racionalista ocidental, um pouco de confucionismo, alguns elementos Cristão e o próprio Xintoísmo.

Além disso, a pregação do evangelho como é feita no ocidente não responde as questões do japonês contemporâneo, o jurássico Jesus salva, liberta e cura é incompleto para atingir um povo que tem fortes referenciais culturais e étnicos. Para o brasileiro que nem sabe de onde veio, é fácil mudar de religião da noite para o dia, mas para alguém que conhece seu passado e sabe pensar seu futuro, a pregação dos arautos contemporâneos não tem muito sentido. Se a Bíblia fosse lida como se deve, poder-se-ia alcançar muitos japoneses, falando de aspectos da mensagem de Cristo que lhes responderiam as principais perguntas e anseios existenciais. Para tanto, seria necessária uma investigação cultural profunda, além de um esforço teológico e institucional no sentido de caminhar na direção ao evangelizado de forma contextualizada e coerente. Entretanto se repararmos que a maioria dos pastores e missionário que trabalha com missão, japonesa ou não, nem se dispõe a aprender a língua dos nativos, tal ambição tem ares utópicos.

Em terceiro lugar, voltando a questão dos que se vangloriam na desgraça do desastre, a questão da falta de conhecimento teológico com respeito a teologia da desastre.

Luke 13:1-5 ARA 1 Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. 2 Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? 3 Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. 4 Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a Torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5 Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

Neste texto, é ensinado que aqueles que morrem em desastres sociais e naturais, não sabemos por que a torre caiu, talvez tenha sido um sismo, são tão pecadores quanto aqueles que não morreram. Isso gera a necessidade de solidariedade e empatia para os que sofrem, e não um espírito de superioridade, afirmando que quem fica é mais juntos que quem vai.

Na perícope posterior, Jesus prossegue falando da figueira, onde se ela não der frutos será arrancada. A figueira não são as pessoas que sofrem, mas sim o povo de Deus, ou seja, os cristãos que não tem misericórdia, pois eles mesmos, a seu tempo, se não derem frutos, deverão ser tirados por motivos práticos. O Fruto da figueira, que é o povo de Deus, pode ser visto em Gálatas 5.

No que tange a Igreja, o problema central é a falta de evangelho. No Grego evangelho significa boa noticia, informando que formos salvos da morte, no fronte da cruz, e que Jesus ressuscitado e nos espera para o grande final. O evangelho é isonômico, pois todos somos pecadores, e somos salvos pela graça do Cristo, e não somos melhores ou mais santos que os demais seres humanos, também não somos mais amados por Deus que as demais pessoas que caminham sobre a terra sendo, portanto o único diferencial, o fato de termos nos achegados a Deus por intermédio de Jesus.

Posto isso, falta evangelho na igreja, pois a maioria das pessoas não se converte por experimentar o amor de Deus, antes vão à igreja porque estão com graves problemas. Não que isso seja errado (C.S. Lewis), mas o fato é que quando resolvem seus problemas com a ajuda de Deus, acabam por não acreditando que Deus não seja amor, Deus, para eles, é um negociante mesquinho que causa o mal para encher sua igreja, de forma que essas pessoas permanecem nas comunidades muito mais por medo de serem punidos do que por experimentarem o verdadeiro amor de Deus. Tenho visto pessoas com trinta e cinqüenta anos de igreja, algumas que são lideres e pastores, que ainda não experimentaram o amor gratuito de Deus. Por outro lado, existem milhares de cristão que se abandonaram na graça de Deus, e tem feito muita diferença nestes dias.

Em conseqüência disso, temos a teologia da igreja como um hospital. Se tenho que aceitar que a igreja é local de cura, que em certa passagem do Novo Testamento grego aparece como therapeu, não tenho que crer que a igreja seja um hospício de pessoas que nunca se curam, e devem ser armazenadas ali para não fazerem mal ao restante da população. Não estou falando, de forma alguma, dos doentes físicos ou mentais, que alias são colocados na igreja para que demonstremos nosso amor, mas refiro-me àqueles que não entendem a graça de Deus, não aprendem a ter paciência e tolerância para com os que pensam de forma diferente.

Por que existe tanto problema nas igrejas? Fofoca, mentira, julgamento, hipocrisia, intolerância e outros casos ocorrem porque as pessoas não experimentaram o amor pleno de Deus. Um bom exemplo disso é a frase comum que se diz quando alguém nãos e converte: é...deus vai ter que pesar a mão sobre a vida de fulano para que ele se converta. Vejam que as pessoas que dizem isso desejam que o mal aconteça sobre a vida de alguém, para que possam ser humilhadas e venho à igreja se prostrar. Outro exemplo é quando alguém acaba engravidando do namorado, e vai a frente pedir perdão a igreja, muitos ficam felizes dizendo: bem feito, sempre achei que fulana e o beutrano eram arrogantes etc...ou ainda, quando acontece com um filho de um líder ou pastor, ficam questionando se os pais dos jovens são tementes a Deus ou não.

Por fim, acredito que devemos nos solidarizar com os japoneses, pois esses dias são difíceis. Não devemos julgar nem apontam, antes é a presença de Deus, através da igreja verdadeira que fará a diferença na vida daquelas pessoas. Não importa se elas aceitarem Jesus ou não, o importante é fazer aquilo que o próprio Jesus faria, amar sem esperar nada em troca, e continuar fazendo o bem até que ele venha.