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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...

Teólogo inútil, só critica e não faz nada para ajudar...
Dialogo sobre o lugar da teologia no mundo eclesiástico.



Senão vejamos, que não foi apenas uma vez que me disseram que ao invés de ficar criticando a igreja, eu deveria fazer alguma coisa. Aliás, eu deveria ajudar alguém de alguma forma. Portanto, este texto tem a finalidade de ajudar alguém a compreender algumas coisas importantes que as igrejas deveriam ensinar a seus freqüentadores, mas não ensinam. Apesar de tudo não sei se é justo culpabilizar as igrejas por não ensinarem essas coisas, pois as pessoas freqüentam as igrejas justamente por elas não ensinarem esse tipo de coisa.
A primeira coisa interessante, que acredito que todos deveriam saber com relação a vida, o universo e tudo mais, é que toda afirmação só tem implicações sobre quem acredita nela. Recomendaria um leitura de Nicolau Maquiavel com respeito ao tema, conquanto não recomendo segui-lo como doutrinador, mas sim conhecê-lo para saber como as pessoas podem tentar enganar você. Sim, as afirmações que faço, sobre qualquer assunto, só tem implicação sobre quem acredita, quero disser que quando um pessoa vai a uma igreja e o pastor diz que ela tem que dar tudo, ele está tentando fazer o sujeito dar alguma coisa, e o ouvinte que acredita nisso, acaba dando mais do que pode. Veja que para o pastor não faz diferença o quanto foi dado, não faz diferença se o sujeito vai passar fome depois daquilo, pois se o sujeito um dia aparecer e falar que as coisas não aconteceram, o pastor vai dizer para ir reclamar com Deus.
A segunda coisa interessante, ou não, é com respeito a questão dos grupos religiosos em si. Não penso que ser religioso e ou freqüentar um grupo, centro ou igreja seja em ruim em si, pelo menos por enquanto, ainda vejo alguns benefícios em participar. Mas a questão é: qual o lugar que este grupo religioso deve ocupar na vida do sujeito. O que é a vida? bem isso é difícil de entender e impossível de explicar corretamente, mas a priore, a vida social de um sujeito é formadas por várias relações sobrepostas, por exemplo, famíliares, relacionamento amorosos, relacionamentos profissionais, relacionamentos lúdicos e a sempre esquecida relação consigo mesmo. se Freud estiver certo, e de fato ele acerta na maioria dos casos, as religiões mudam as prioridades dos fiéis de modo que as novelas da religião tornam-se mais importantes que as novelas pessoais (as vezes o simulacro é mais interessante que a realidade). Neste sentido, a religião vai querer que você só tenha relações sociais com as pessoas da casa, e segundo regras da religião em si. Por fim, ela vai querer que o sujeito se relacione consigo mesmo segundo regras da religião, ai os budistas e cristãos se encontram no ponto de ônibus do discurso religioso, no qual o fiel tem que negar o eu. O fiel deve priorizar o nós. (o agricultor é Jesus e as arvres somos nozes...) Veja que isso não é ruim quando o nós é uma instância inteligente, que debate e delibera sobre as coisas, o problema é quando o nós é um líder pirado que acha que está curando o mundo com suas verdades e que sua leitura bíblica é a verdadeira (Macedo, Malafaia, Feliciano, outros...). Diria Boff que boa religião faz do sujeito uma pessoa melhor, e acho que pessoa melhor é igual relacionamento melhores, e relacionamento melhores é igual a mundo melhor...portanto, grupo religioso bom é um que facilita sua vida, melhor amigo, melhor família, melhor amante, melhor amigo de si mesmo.
Terceira e ultima coisas que acredito poder ajudar as pessoas religiosas. As pessoas acham que os trabalhos eclesiásticos (de todas as religiões) estão fazendo um bem as pessoas, estão ajudando. Eu tenho minhas duvidas se ir todos os domingo cantar as mesmas musicas, ouvir uma pregação (boa ou ruim), falar mal da vida alhei e depois comer bolachas seja realmente algo que contribua para a vida das pessoas. Mas talvez, nas situações de crise, seja um momento para a pessoa parar e se refrigerar, já vi isso de fato, mas o que é problemático é que a pessoa não aprende nunca a ser gente. Fica trinta ou quarenta anos ouvindo a mesma conversa e nunca consegue raciocinar para mudar de vida e seguir em frente, nunca consegue tornar-se pessoa e assumir a responsabilidade de seus atos e decisões. Sempre na dependencia da Palavra do tal pastor, ou de alguma promessa divina, nunca tomando decisões e nunca se colocando a disposição de arcar com as conseqüências de seus atos. (pois foi o diabo, não fui eu...). Neste sentido, a igreja torna-se apenas uma prisão semântica que não faz com que o sujeito crescer e torne-se livre. A Bíblia diz que conhecendo a verdade, ela libertaria, e a verdade é Jesus. Jesus tinha amigos, fazia o que achava que era certo, tinha relações familiares coerentes (esqueça a briguinha com Maria na festa...) e ainda tinha tempo para ser o messias. (não tinha namorada para não ter sogra). Aliás, liberdade é um conceito que deveria ser explorado de forma mais exegética, conquanto ser um conceito grego, usando em um contexto grego, e com finalidade gregas.
Por fim, estes argumentos fazem parte das idéias de conceitos que tenho trabalhado sobre o guarda-chuva da Teologia da Autonomia, brevemente em uma revista da Avon perto de você. Para que ser a logias sobre theós (teologia)? Serve para questionar e pensar sobre o tema, de modo que o indivíduo tome suas decisões, é para isso que a igreja e seu púlpito deveria se prestar, e não para afirmar verdades absolutas sem garantia, pois toda certeza é perigosa, principalmente porque no ultimo dia, não haverá PROCON para buscar-se os direitos com respeito a verdades mentirosas. Recomendo ler a Bíblia coerentemente, e ainda recomendo encarecidamente que não me sigam...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal é coisa de Criança - Reflexões Natalinas (3)


Natal é coisa de Criança

Reflexões Natalinas (3)


            Seguindo a discussão dos posts anteriores, gostaria de tratar aqui de uma fundamentação bíblica basica do Natal, a saber, Natal é coisa de Criança.
            Parece óbvio, mas devemos observar que o real sentido do natal é o nascimento de Jesus, que seria o salvador. Entretanto, deveríamos considera que nos textos Bíblicos canônicos existem dois natais, que apresentam quase os mesmo valores, a saber, a criança como ponto importante do processo kerigmatico e soterológico. (no final do texto eu explicarei o que isso significa...)
            Dizem os entendidos que Moises é um tipo Jesus, ou seja, ele era um exemplo de como seria o messias. Isso nos ajuda a entender, por exemplo, a necessidade de uma boa e consistente leitura do Antigo Testamento, pois é nele que estão as bases culturais daquilo que viria a ser o cristianismo.
            O ponto alto do judaísmo e do cristianismo é a páscoa, pois é ali que ambos os movimentos históricos tiveram seus pontos de efervescência simbólica. Aliás, a páscoa cristã significa a mesma coisa que a páscoa judaica, pois na judaica o povo é tirado do Egito para seguir à terra prometida, se considerarmos que Egito aparece como lugar de pecado e morte, notou que o cristianismo joga esses significados sobre o mundo, de modo que em Cristo os cristãos têm acesso à terra prometida eterna. Inúmeros símbolos são iguais, como por exemplo, a morte do primogênito, a travessia pelas águas, etc...
            Devemos considerar também que os eventos máximos não acontecem sem preparação, de modo que a crucificação não aconteceria sem ter havido anos (século?) de preparo. Um destes elementos mais importantes de preparo foi o nascimento de Jesus, que está em volto de significados muito parecido com o nascimento de Moisés, e ainda, com o nosso problema social contemporâneo.
            Moises nasce em meio a um processo infanticida que pretendia, através da morte das crianças israelitas, diminuir a população de descendentes de Abraão. A busca da manutenção do poder também levou Herodes, um deles, a fazer o mesmo com as crianças de Belém, com a finalidade de livrar-se do messias que poderia colocar em risco seus domínios sobre aquela parte da palestina. Tudo isso não tinha função religiosa, era apenas algo político, um processo covarde de eliminação de pessoas.
            Hoje, pensando que o Natal na Bíblia foi uma época de salvação e ao mesmo tempo de morte de milhares de crianças, deveríamos pensar se por algum acaso não estaríamos fazendo a mesma coisa.
            Bem, diria você, hoje temos o ECA (estatuto da criança e do adolescente) que protege as crianças, temos a lei da palmada que ainda não foi votada e ainda as bolsa famílias que dão uma força para o pessoal carente. Onde estarão sendo mortas crianças de colo? Eu mostro:
            Quando o governo não investe em hospitais, crianças de colo e não nascidos morrem por falta de atendimento e mesmo socorro, sem dizer a moda do erro médico de injetar coisa errada na veia de bebês. Quando o governo não investe em geração de empregos, faz com que pais vivam na miséria, que em si já mata muitas crianças, mas que gera o contexto onde essa criança será morta como criminosa na adolescência, ou viverá a vida toda fazendo mal as pessoas ou presa. Quando o governo não investe nas escolas publicas, deixando crianças confinadas em verdadeiros chiqueiros, com professos mal remunerados, elas não morrerão por causa disso, mas também não porão gerar filhos com perspectivas melhores que as deles.
            As igrejas ficam preocupadas com a legalização do aborto, isso é como tirar o cisco e deixar a trave nos olhos. As igrejas deveriam lutar pela melhoria da sociedade, pela geração de empregos, pelo combate a corrupção e pela promoção social. Ao invés disso estão preocupados com a vida pessoas de mulheres e adolescentes que por algum motivo não querem ter filhos, ou ainda, lutam com o direito de homossexuais que querem os mesmos direito que os demais cidadãos pagadores de impostos. A igreja não tem que concordar com nada que ela não queira (teologia é um problema institucional), mas deveria focar em coisas realmente importantes, e não nas coisas secundárias, de modo que uma vez resolvidas as primárias, desigualdade, injustiça e misérias, as secundárias estaria bem mais fáceis de serem discutidas e resolvidas.
            Neste sentido, o Natal é soterológico, ou seja, o natal tem haver com salvação. Nos tempos de Moisés, salvação foi sair da escravidão e seguir rumo a liberdade. O cristianismo foi à libertação das garras da morte e do legalismo, em direção a vida eterna. Para nós, ele funciona das duas maneiras, pois dever-se-ia libertar o cativo e aqueles que estão em situação de opressão social, ao mesmo tempo que não terminamos na materialidade, pois seguimos para uma vida eterna.
            Também, o natal é kerigmatico, ou seja, é tempo de anuncio da salvação em Cristo Jesus, pois das crianças é o reino dos Céus, e a mensagem de cristo é anunciada a elas quando as pessoas a sua volta experimenta os valores do reino. Muito mais importante que falar que Jesus Salva é demonstrar o amor de Deus ao próximo, pois Deus se manifesta por meio de nós.
            Kerigma e Sotera estão intimamente ligados. Não há anuncio sem salvação, não há salvação sem anuncio. Nada adiantaria dizer que Deus é bom, e o povo de Israel continuar sob o julgo do Egito, de nada adiantara dizer que Jesus salva, se não houvessem as comunidades que se reunião como grandes família para a pratica do cuidado fraterno e da comunhão. Por isso a igreja perde seu poder quando vira algo diferente daquilo que ela nasceu para ser.
            Natal é um tempo de preparação. Se desejarmos um futuro melhor, devemos usar o natal como momento de valorização da amizade, respeito, afeição, simpatia e amor (ágape) de modo que as crianças de hoje, aprendendo isso, possa em breve ser ato do processo de mudança da realidade. Natal é coisa de criança, assim como o futuro e a esperança...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Missionária Yonara e o púlpito do inferno…





            Às vezes, na minha arrogância infeliz eu penso: já vi de tudo. Mas então sou surpreendidos com novidades. Desta vez o Genizah colocou a propaganda de uma pregadora que foi 15 vezes ao inferno e 7 ao céu, pensei comigo, sim o Sr. Genizah deve estar de brincadeira, para varia. Infelizmente ele não estava e acessando o Youtube lá estava a referida pregadora e seu desfile de sabedoria e conhecimento. Estou concluindo que o youtube está se tornando a curva onde todas as aberrações acabam parando, como um grande museu das coisas estranhas que os crentes fazem por ai.
            Voltando ao assunto, a tal pregadora não traz nada novo em seu discurso, em sua estória e em seu testemunho. De fato, já cansei de escutar essa coisa de ex-qualquer coisa que era lésbica e do diabo, e que agora tem ministério de libertação. O que chama a atenção é ser uma tradução inusitada visões de uma americana para o contexto brasileiro, se não fosse tão nojento seria até engraçado.
            O que a tal pregadora fez foi pegar um livro chamado A divina revelação do inferno[i]  e deu uma re-interpretação a coisa infernal. De fato, eu queria compara as duas conversas, mas não perderei tempo com isso, antes vamos aos pontos teológicos realmente interessantes que a tal Yonara afirma. Ai eu me pergunto, para que? Simples, esse tipo de coisa precisa ser questionada de modo que talvez algum desinformado que acredite nisso possa ter consciência. (no final existe o link para o vídeo)
            Primeiramente, ambas (Yonara e Baxter) retratam o inferno como um corpo humano. Isso parece sem significado a priore, apenas um recurso estilístico, mas se considerarmos o problemas que essas pessoas tem com o próprio corpo, já percebe-se alguma coisa de dualismo gnóstico que satâniza a corporaliedade.
No quesito organização, o inferno ele é um primor. Os portões abrem às 6:00h da manhã, e em sua porta fica um capetôncio para separa as almas que chegam. Eu achei interessante este horário, deve ter algum sentido para a pregadora, unicamente me lembra trabalho, hora de acordar. Sempre pensei que o inferno fosse um lugar bem desorganizado, porque a bagunça faz a vida das pessoas um inferno.

Os pecados punidos no inferno dela eram aqueles que Mary Baxter já havia falado, crente picareta, fornicados, pastor mentiroso, pastores ladrões, pastor que amaldiçoa membro, etc....mas tem algo mais. Tem o Vale dos homossexuais, vale dos suicidas, vale para todos os pecadores. Tem até punição para mulher que não deixa o pastor pregar, e tira o marido do ministério. Isso tudo tem um contexto muito curioso, pois é a partir disso que poderíamos perceber os valores defendidos.
Depois de meditar um pouco, fico me perguntando o seguinte: onde na Bíblia diz que os diabos são funcionário do inferno? Sempre achei que ele iriam para lá no final da história. Esse é o erro chave que demonstra todos os erros fundamentais na fala da pregadora. Na maioria dos pecados punidos naquele inferno não há a discussão das condições e do diálogo. Não há, por exemplo, consideração dos contextos sociais e psicológicos, neste sentido, em nenhum momento apresenta-se que alguns suicida praticam o ato fora do juízo perfeito, e portanto, não são passiveis de culpa. Alias, onde na Bíblia está escrito que suicídio é pecado? (eu não sei)
Se formos considerar os erros apresentados, poderíamos colocar milhares deles, mas o mais importante está no que se refere a construção de uma vida normal. Em nenhum momento a pregadora contempla a idéia de que as pessoas podem temer e amar seu Deus, e não tem que ser fanáticos, que não lêem, não vão ao cinema e não assistem uma musica. A idéia de cristianismo que ela vende é o cristianismo fanáticos e psicótico, que faz mal e adoece a alma. Logicamente que ela parte de um pressuposto interessante, a saber, que ela era extremamente diabólica antes, de modo que ela deve ser extremamente espiritualizada agora.Quanto à perspectiva política, é um atentando claro ao bom senso. Ela começa a criticar os pastores que viram políticos, e afirma que a política é para aqueles que tem dom para ser político. Até ai eu gostei, mas depois ela diz que não temos o pode de discernir quem tem dom e quem não tem, e por isso, todos deveriam votar em candidatos evangélicos. Isso é ruim, pois o correto e avaliar os candidatos por sua honestidade e bom nome, sua capacidade de fazer boas administrações...
Um dos momentos mais tristes foi a fala sobre os homossexuais, senti todo um ódio especial por eles. Aliás, ela atacou até os simpatizantes, como que todo aquele que não odeia homossexualidade blasfema contra Deus e seu projeto. O caso, é que a coisa é bem mais complicada do que simplesmente escolher e não escolher ser homossexual, e ainda, considerar que a homossexualidade é simplesmente uma manifestação demoníaca não ajuda as pessoas. É necessário buscar entender as questões com clareza, e isso é muito difícil para essas pessoas (como essa pregadora).
Entretanto, Concordo com a observação sobre o Calipso, sim quem escuta Calipso merece arder eternamente.

Recomendação ao cristão: é bom dar uma repensada sobre a natureza do processo missionário da igreja. Pregação sem sabedoria, e sem entendimento gera mal entendo que só atrapalham o processo de evangelização da igreja. A igreja na foi feita para julgar o mundo, mas para apresentar Jesus a ele. A referida pregadora não prega Jesus, não prega a graça de Deus, prega apenas misticismo barato. Sei do que estou falando, por já andei neste caminho profético, e no final dele você descobre que perdeu muito da vida que Deus nos dá.
Recomendação as pessoas que não são evangélicos: espero realmente que os não cristãos não pensei que ser cristão é isso. De fato, existe um cristianismo possível baseado na graça e na misericórdia, na tolerância com o próximo e no amor (ágape).

Por fim, o púlpito infernal da pastora Yonara é um desfile de exageros que não ensina nada sobre Deus, apenas legalismo e desespero. Gritos e mais grito ensaiados, sentimentalismo barato, e nada de ensino de como ser um bom cristão, um bom cidadão ou uma pessoa melhor.
O texto acima é apenas uma opinião, ela pode ser questionada, pois o propósito do texto é gerar reflexão para que possamos conhecer a verdade e sermos libertos dessa loucura.

#ficaadica 


Assista o vídeo e veja por si só.







[i] A Divina Revelação do Inferno. Mary K. Baxter. Título Original:A Divine Revelation of Hell. Tradução: José Rodrigues Filho. Danprewan Editora, 1995. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Competência Existencial II - Leituras sobre a parábola do Filho Pródigo.

Competência Existêncial II
Leituras sobre a Parábola do Filho Pródigo (2a. parte de 2)


Ainda lendo o Filho Pródigo...

Quando uso a expressão competência-existêncial estou me referindo à capacidade e ao direito de ser. O Ser, pelo menos o ser-autêntico, é a manifestação da própria identidade em si, que contém em seu âmago uma gama de demandas e desejos que expressa a própria percepção da própria existência e do propósito. Não que eu acredite nessa coisa de propósito pré-concebido, mas pelo menos, achar algo interessante para fazer com a própria vida.
Notemos ainda que o termo competência mantém uma relação entre alvos possíveis e viáveis, e os altos ideais que impulsionam caminhadas metareais. O que eu quero dizer com isso é que a busca do impossível pode gerar na realidade coisas possíveis e magníficas, como por exemplo, uma mulher que deseja ter filhos e ao invés de gastar dinheiro com inseminação artificial, usa de seus poucos recursos para adotar dezenas de crianças. Ou alguém que deseja ser astronauta, mas torna-se um escritor de ficção cientifica. Por outro lado, um idealismo não existencial, ou seja, que gera ideais para fora da pessoa, que gera escravidão faz muito mal a alma, pois infantiliza a suas vitimas imergindo-as nas neuroses coletivas, fazendo-as de massa de manobra e gado. (Freud – Mal Estar Na Civilização)
Notemos que o filho mais velho é um fracassado. Fracassa em reconhecer seus desejos, e de lutar para realizá-los. É um fracassado por achar que merece a piedade de seu pai por ser um moço sofrido e trabalhador. Ele também fracassa porque é possuído pelo desejo, desejo de morte, pois de uma forma ou de outra, desejava que seu irmão morresse. Ele é plenamente incompetente, pois apesar de ter o direito de ser filho, comportava-se como um empregado, não porque fosse fiel, mas porque era fraco de caráter e de espírito.
O filho mais novo ao menos tinha desejos, mal direcionados, pois ignorou sua família e suas obrigações, ele buscou a beleza, o prazer e a satisfação. O filho mais novo é um pecador, mas pelo menos ele tem uma história para contar, enquanto que o filho mais velho tem apenas dores para atirar na cara do pai.
Este texto fala do pai como representação do próprio Deus. Mediante isso, existem vários tipos de pessoas, aqui existem dois tipos. Aqueles que ficam com Deus e aqueles que abraçam o mundo abandonando Deus. O problema daqueles que ficam com Deus, no caso, o problema dos judeus para quem Jesus estava falando, é que eles não tinham uma relação sadia com Deus, pois mantinham uma relação religiosa apenas e não espiritual. Note que as orações de Jesus nunca são desencarnadas, mas sempre permeadas por atitudes e ações, mesmo nas curas a distância, houve uma busca, uma ação de ir em direção a Deus, de busca da coisa em si. Aqueles que se afastam de Deus tem a chance de voltar-se para ele, arrepender dos erros e ficar feliz pelos acertos, e no final ter apenas gratidão para com o pai, que o recebe.
Por fim, o cristianismo aponta para uma vivência de plena competência existencial, pois em Cristo podemos desenvolver uma identidade plena de nós mesmos. Não apenas um servo miserável, mas ser realmente o que somos, com nossos sonhos e desejos na presença de Deus...Filho, tu sempre estás comigo, e tudo que é meu é teu. 
É por causa disso, e do moralismo idealista, que Deus é tido em nossos dias como um estraga prazeres. Pois as pessoas incompetentes não conseguem desenvolver suas vidas, seus desejos, ou são legalistas agindo como escravos miseráveis ou agindo como depravados niilistas que acabam comendo a lavagem dos porcos. No final, fica a mensagem do retorno ao pai divino, o retorno a consciência e a conversão a si mesmos. 

Competência Existencial I - Leituras sobre a parábola do Filho Pródigo.

Competência Existencial I
Leitura sobre a parábola do Filho Pródigo (parte 1 de 2)




Ao nos depararmos com a parábola do filho pródigo, atenta-se primeiramente ao arquétipo do retorno de um menino idiota, que ao deparar-se com a curva da vida (vale escuro, crise..) desenvolve uma forma de arrependido que o leva pelo caminho de volta a casa paterna, onde encontra um pai amoroso e desejoso por rever-lo. A leitura de uma parábola possibilita uma infinidade de percepções, alias, era essa a razão pelas quais era usadas. Minha proposta aqui é a de observar o filho mais velho, e refletir sobre nossa incompetência existencial exposta na personagem.
O filho mais velho era um incompetente existencial. Se tomarmos a palavra Competência descobre-se que expressa a capacidade de um indivíduo (ser) para a execução de algo, no caso, um papel. Logicamente, que ao utilizar o conceito competência, estamos pressupondo que o individuo tenha todas as ferramentas e condições para execução da coisa. Apenas disso, poderíamos medir a competência de alguém para alguma coisas, com relação a capacidade de fazer, mesmo diante de adversidades.
O filho mais velho da parábola tinha todas as condições de ser O Filho, notem que além de possuir um pai justo, possuir uma boa saúde e a disponibilidade de bens, e o mais significativa das condições, com a saída do filho mais novo, ele possuía todo espaço para ser O filho. Mas ele simplesmente não foi capaz de assumir seu lugar.
Na administração existe um conceito, da mesma família que a lei de Morph, que diz que alguém, em uma empresa com cargos organizados hierarquicamente será promovido até alcançar um cargo que esteja além da sua competência, e ali permanecerá. Tal conceito é conhecido como Princípio de Peter. É curioso que o filho mais velho sempre foi o filho mais velho, e coisa deveras importante nas culturas tradicionais, dando-lhe autoridade muito grande sobre as coisas, inclusive sobre os próprios bens. Mas o filho mais velho nunca foi capaz de sentir-se dono, apenas continuou sentindo-se como um servo de seu pai. É curioso que o raciocínio básico do mais novo era ser tratado como servo, e a reclamação do mais velho era que vivia como servo.
Alias, o filho mais novo era bem mais autentico que o mais velho, tendo em vista que sabia o que queria e considerando sua atitude sincera de ir em direção daquilo que seu coração clamava. Não parece haver no texto algum juízo explicito de valor indicando que o que ele fez foi bom, pelo contrario, pois abandonar a família daquela forma é uma afronta ao pai, assim como a solicitação da herança era uma declaração de desejava-se a morte do patriarca. Mas que ao solicitar ele demonstrou profunda sinceridade para com a vida e para consigo mesmo, ele poderia ter assassinado o pai, mostrando se um mal caráter, mas não o fez. Ele não era perfeito, mas buscou algo.
O filho mais velho é um fracassado existencial porque não buscou nada. Talvez alguém me diria que ele buscou agradar seu pai, mas note que um pai deseja de seu filho muito mais que um mero escravo, mas deseja que este desenvolva-se e de continuidade a suas obras. Note que o argumento básico é que o pai nunca lhe dera um cabrito para festejar com os amigos. Isso é extremamente significativo, pois imagine a situação de uma festa com amigos, (quem nunca fez isso?), e imagine isso em uma fazenda...considerando os costumes rurais e a idade do cabra, poderia ser até que seu pai tomasse parte na festa. Mas ainda que tal conjectura faça sentido, ela não é importante, porque o argumento de que o pai não lhe deu nada é irrelevante mediante a figura toda, é um motivo besta, infantil, pequeno, mesquino e acima de tudo, infiel.
O texto esta falando da relação entre os fariseus e escribas, arautos da ortodoxia judaica, para com os pecadores. Sim, o problema da pregação de Jesus não era um problema propriamente teológico, mas sim religioso. Note que o problema da graça de Deus é que ela iguala a todas as pessoas, e os religiosos se esforçavam tanto para estarem mais próximos de Deus, não conceberiam aceitar que os pecadores fossem incluídos na comunidade dos santos. O esforço religioso de não tocar e não fazer baseia-se em ideais humanos e por vezes absurdos, que deixam de lado o verdadeiro ser.
A idéia de ser feliz sendo escravo, ou ser feliz sendo religioso, não tem problema nenhum. O caso é que sendo religioso, ou escravo, ou ainda, tendo um comportamento de escravo, não gera o direito de exigir com base nisso a obediência das pessoas que servimos. A religião é um mero caminho, ou paradigma, que deveria ajudar na espiritualidade, mas que no final, na maioria dos casos, transforma-se em um sistema ou uma instituição que aprisiona a consciência, como uma gaiola que nos obriga achar feio o lado de fora, bonito é estar preso. As religiões afirmam ideais que às vezes tornam-se muito elevados até mesmo para seus agentes.
Não que os ideais sejam ruins, pois eles nos motivam a melhorar, a crescer e construir um mundo melhor, mas quando deixamos de ser o que somos, por causa de idéias e ideais, isso nos mata como seres humanos. Quando nós entendermos como pessoas teremos muita facilidade para encontrarmo-nos com o próprio Deus, pois ele nos fez assim, ele nos estruturou assim. Neste sentido, quando estamos longe dele, e retornamos, ele sempre nos recebe de braços abertos porque ele nunca muda. 


A Parábola do Filho Pródigo

Lucas 15:11-32 (Almeida Corrigido e Atualizado – e-word)

Luc 15:11  Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.
Luc 15:12  O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.
Luc 15:13  Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
Luc 15:14  E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.
Luc 15:15  Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.
Luc 15:16  E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.
Luc 15:17  Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
Luc 15:18  Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
Luc 15:19  já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.
Luc 15:20  Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
Luc 15:21  Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
Luc 15:22  Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;
Luc 15:23  trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos,
Luc 15:24  porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.
Luc 15:25  Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;
Luc 15:26  e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
Luc 15:27  Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Luc 15:28  Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.
Luc 15:29  Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos;
Luc 15:30  vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
Luc 15:31  Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;
Luc 15:32  era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

João Batista, um cristão

João 1:6-9 6 Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. 7 Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, 9 a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.
João Batista me parece uma personagem curiosa, pois apesar de nunca ter sido de fato cristão, é o grande exemplo da sacerdotalidade da experiência com Cristo.
O texto diz que ele veio literalmente testemunhar o testemunho da luz. Um recurso muito curioso da língua grega, uma forma de pleunasmo que significa simplesmente que João batismo era a encarnação do testemunho do Cristo, da martiria que se martiriza em cristo, da entrega de Cristo ao mundo, expresso no próprio corpo.
O testemunho de João tem da finalidade de que todos vejam e de que todos creiam na luz que resplandece no do próprio Cristo. Alias, se Jesus é o verbo, e no principio era o verbo, e o primeiro ver foi haja a luz, supondo que João estava lendo Genesis 1, podemos compreender a transcedentalidade de Jesus, sendo ele o verbo que gera a luz, que é a sua própria manifestação perceptível aos olhos dos homens e mulheres.
O testemunho é simples, essa luz veio ao mundo, e ilumina todos os homens. Alias, nos homens e mulheres que não somos a luz, mas somos iluminados por ela, somos a expressão de uma luz que deve iluminar a todas as criaturas.
O sacerdote faz a intermediação entre os homens e Deus, se conhecemos a Deus, somos sacerdotes à serviço da luz contra a cegueira do mundo, que não consegue enxergar no próximo um irmão, no mundo uma casa comum e na vida uma experiência de serviço à Deus...
By Marcos Henrique


click nas propagandas, ajudem o autor...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sobre Fé e conhecimento

Sobre Fé e conhecimento

Conversas com Alunos (2)
Marcos Henrique Garcia dos Anjos

Foi questionado com respeito à possibilidade de a teologia ou a sociologia ter me deixado incrédulo. Esse questionamento me levou a algumas reflexões úteis com respeito à questão religiosa pós-moderna e como ela coloca os pressupostos das questões.
Primeiramente, uma questão religiosa precisa de uma base bíblica que ser colocada. E de fato, a questão foi recheada com o texto de Genesis capitulo três onde a mulher come o fruto da arvore do bem e do mal. Na perspectiva da maioria dos evangélicos, e na quase totalidade dos pentecostais, a tal arvore é a arvore do conhecimento, e não a arvore que dá conhecimento do bem e do mal. Aparentemente um mísero jogo de palavras, mas que pode provocar profundas mudanças de significados sobre o tema de que estamos falando. O texto hebraico não diz nada de conhecimento, está falando dos cultos iniciáticos babilônicos ou egípcios, onde a prosperidade era obtida por meio do conhecimento esotérico, que geralmente eram guardados pelo deus serpente. Não é necessário ser um gênio para deduzir isso a partir do texto, e de qualquer comentário que preste, ou um livro de arqueologia da religião antiga.
Segundo ponto é que não sou Crente. Lembro-me do saudoso Fox Molder (Arquivo X anos 90), que tinha um quadro escrito eu quero acreditar. Eu digo, eu não quero acreditar....e isso deve-se ao simples fato que se Deus existe, eu não preciso me desdobrar existencialmente para compreende-lo, ou ainda, para senti-lo. Se Deus se manifesta como Fenômeno, e não como discurso, eu não preciso crer para percebê-lo, imagine quanto incrédulos havia dentre o povo de Israel ao cruzarem o mar vermelho ou quando Jesus multiplicou os pães. Se Deus depende da crença de alguém para fazer sua vontade, então ele é fruto da imaginação das pessoas, e não passa de fenômeno parapsicológico barato. Se Deus existe de fato, existe independentemente da minha opinião, crença ou conhecimento.
Em terceiro lugar, o conhecimento é algo importante, principalmente quando desejamos entende o que é o homem (e a mulher). Os humanos não passam de um bando de macacos e macacas sem pelos, que pensam. Se crê-se em Deus, crê-se de forma consciente e razoável. Os animais podem até adorar a Deus, mas não crêem, porque não pensam racionalmente sobre as coisas, apenas se relacionam com o ambiente sensível. O conhecimento liberta da religiosidade idiota. Os textos do Velho Testamento ensinam uma religião materialista e simples, onde apresenta-se o sacrifício, toma-se seu vinho e trabalha-se. O Novo Testamento semelhantemente ensina que não devemos ser religiosos de forma alguma, deve é ter amor pelas pessoas e fazer o que é certo. No evangelho de João (Favor ler o texto), ele transforma a água da religião judaica em vinho da alegria das festas ágape, sim, é vinho, somente os analfabetos da Bíblia de estudos pentecostal é que acreditam que aquilo não seria vinho. Depois ele ensina Nicodemos que tem que nascer de novo, ou seja, purificar por fora, com água, livrando-se da pratica do pecado e da religião farisaica, em seguida fala da limpeza interior, modificando o espírito (pneuma = vento = vida interior, humor e sentimento), com pensamentos coerentes com a vontade de Deus; depois Jesus ensina uma Mulher samaritana que Deus se adora em espírito e em verdade, e não no templo de Jerusalém ou na Samaria. Dualidade espírito e verdade, segue o mesmo raciocínio da relação água e espírito, pois verdade é a realidade material da coisas. No texto seguinte, Jesus cura um aleijado dentro de um templo pagão de culto aos anjos. Logicamente que os analfabetos bíblicos acham que a Igreja tem que ser Betesta, mas Betesda era apenas um “centro espírita” com um gêiser de águas termo-ferruginosas. Recomendo que aprendam a ler a Bíblia...
Por assim dizer, eu não creio no paradigma crer para entender, e muito menos no reverso entender para crer. Acredito que o conhecimento de Deus é simples, pois aponta para o homem como finalidade da ação (missão), demonstra, entre outras coisas, que a religião é inútil, e que crer em Jesus implica em uma prática coerente de vida. A religiosidade é totalmente desnecessária, e a Bíblia ensina isso, tanto que no Livro do Apocalipse está escrito que no reino de Deus não haverá mais templos. Ou seja, a vontade de Deus é que seus filhos e filhas expressem sua vontade e seu reino no mundo, isso não significa igrejas, templos, programas mentirosos de TV, dízimos e ofertas, significa apenas que seus filhos sigam o exemplo de Jesus, amando o próximo e vivendo da melhor forma possível.

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